No soneto do sol a ideia chegava de graça, era só ficar parado na luz. Aqui ela sobe dos rins até a garganta e trava na boca. Parece o mesmo homem num mês bem pior.
VISCERAL
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No soneto do sol a ideia chegava de graça, era só ficar parado na luz. Aqui ela sobe dos rins até a garganta e trava na boca. Parece o mesmo homem num mês bem pior.
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Alta noite, no escuro do meu quarto,
De más recordações e sonhos ruins,
Eu sinto o mesmo grito vir dos rins
Entre palpitações quase de infarto.
Das vísceras ao peito, eu me reparto
Em ânsias de agonia e dor afins,
Até ouvir dos mortos seus festins:
– “Ideias vêm que nem dores de parto”...
O grito enfim me chega na garganta
E pela mente em febre se agiganta,
Pronto para ecoar na noite imensa.
Mas, na boca, ele fica aprisionado
Enquanto todo o ser, terrificado,
Congela entorpecido em fúria tensa.
Betim - 08 08 1992
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