Eu pelo mar do amor ía por rumo
Co'a bússola apontando para ti.
Um Norte nos teus olhos presumi,
Ao navegar mais longe que costumo.
Inopinadamente eu me perdi,
Buscando na distância incerto fumo,
Enquanto o coração em desarrumo
Cobrava todo o mar que percorri.
Agora, outro azimute necessito,
Sob pena que, à deriva, siga aflito,
Sem nada além da linha do horizonte.
Tu, sereia no atol do fim do mundo,
Deixa-me te abraçar no mar profundo
Ou no Oriente o sol enfim desponte.
Belo Horizonte - 07 07 1992