NEGAÇÃO
Procuro algum sentido ao que vivi,
Depois de m'entender em negação.
Não obstante, atravesso a solidão,
N'um descaminho vão longe de ti.
Negaste-me três vezes… Eis aqui:
“Sinto muito, eu não sinto nada não.”
Perdi a hora, o sentido e a direção;
E o chão sob os meus pés já não senti.
A realidade impôs o seu vazio
Às tardes onde vi, em desvario,
O amor dourar as nuvens e a lagoa.
Sem ti, outra manhã cinza m'espera.
E eu, que celebrei a primavera,
Me vejo andando só sob a garoa.
Belo Horizonte - 04 04 1992