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VIGILANTES DA NOITE Capítulo 1 — O Chamado do Cavaleiro Esquecido, segundo encontro

Eduardo13
Pensamento

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Gercina

Meu filho, um cemitério sem placa nenhuma, atrás de um hospital velho, guardando cavaleiro inglês há trezentos anos. Aposto que a família daquele nobre ainda mora por perto.

Meu filho, um cemitério sem placa nenhuma, atrás de um hospital velho, guardando cavaleiro inglês há trezentos anos. Aposto que a família daquele nobre ainda mora por perto.

Conteúdo da publicação

VIGILANTES DA NOITE

Capítulo 1 — O Chamado do Cavaleiro Esquecido

A noite havia caído sobre São Paulo. Uma névoa fria cobria as ruas, enquanto as luzes dos prédios se perdiam na escuridão. Do alto de um edifício, Abel, o Guardião da Noite, observava a cidade. Ao seu lado estava Max Silva, conhecido como Gárgula, o herói que havia retornado da morte para combater as forças sobrenaturais.

Os outros Vigilantes da Noite estavam espalhados pela cidade, cada um cuidando de sua própria missão.

— Alguma coisa estranha acontecendo por aqui? — perguntou Gárgula, examinando as ruas abaixo.

Abel permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Então, uma voz atravessou a noite.

— Aaaabel...

O chamado era baixo, distante, mas carregava uma força inexplicável.

Abel virou a cabeça.

— Você ouviu isso?

Gárgula assentiu lentamente.

— Ouvi. E não veio de nenhum lugar que eu consiga identificar.

A voz tornou a chamá-lo.

— Abel... Guardião da Noite... preciso de você...

Dessa vez, havia algo diferente. A voz parecia pertencer a um homem, grave e antiga, como se viesse de uma época distante. Mas, misturada a ela, existia outra presença: uma voz feminina, suave e luminosa, que ambos reconheceram imediatamente.

— Sarah... — murmurou Abel.

A Caminhante da Luz estava transmitindo aquele chamado.

Mas por quê?

Gárgula fechou os punhos.

— Se Sarah está envolvida nisso, precisamos descobrir o que está acontecendo.

Abel abriu sua capa branca, e as correntes douradas em seu uniforme começaram a emitir um brilho discreto.

— Então vamos encontrar quem está chamando por nós.

Os dois saltaram do edifício e desapareceram na escuridão.

Capítulo 2 — A Mulher na Janela.

O chamado os conduziu até uma região antiga da cidade, onde um hospital psiquiátrico ainda mantinha algumas alas em funcionamento. Uma parte do complexo, porém, estava abandonada havia muitos anos.

Ao chegarem ao pátio central, Abel e Gárgula viram três pessoas saindo às pressas de uma porta enferrujada.

O primeiro segurava uma câmera.

— Fala, galera! Cês tão focados?! — gritava Lo, mesmo sem saber se ainda estava gravando.

Atrás dele vinha Bru, com a GoPro presa à cabeça, seguido por Trice, que olhava constantemente para trás.

— Eu falei que a gente devia ter ido embora! — reclamou Bru. — Eu falei umas cinquenta vezes!

— E eu falei que precisava gravar! — respondeu Lo.

— Pois grava você correndo, porque eu não volto lá dentro nem se me pagarem!

Trice parou ao perceber as duas figuras no pátio.

— Lo... Bru... olhem ali.

Os três avistaram o Guardião da Noite e Gárgula.

— Ah, pronto! — disse Bru, ofegante. — Agora temos dois super-heróis no meio de um manicômio assombrado. Só falta aparecer um demônio!

Abel não respondeu à brincadeira. Seu olhar estava fixo numa janela do andar superior.

Lá estava ela.

Sarah, a Caminhante da Luz.

Sua silhueta era envolvida por uma luminosidade delicada. Atrás dela, suas asas de energia se abriam como filamentos brilhantes, iluminando o interior destruído da ala.

Mas havia outra presença na janela.

Uma figura sombria, alta e deformada, permanecia logo atrás de Sarah.

A escuridão parecia escorrer de seu corpo e se espalhar pelas paredes.

Gárgula deu um passo à frente.

— Abel... aquilo não é um espírito comum.

A figura inclinou a cabeça.

E a voz masculina ecoou novamente, agora muito mais forte:

— ABEEEEL!

As janelas estremeceram.

Sarah ergueu uma das mãos, como se estivesse tentando conter a criatura atrás dela.

Abel reconheceu a voz feminina que acompanhava o chamado.

— A voz de Sarah está misturada à dele — disse o Guardião. — Ela está tentando nos conduzir a algum lugar.

— Então por que não está falando diretamente conosco? — perguntou Gárgula.

Abel observou a janela mais uma vez.

— Porque talvez não consiga.

A figura sombria abriu os braços.

Todas as luzes da ala se apagaram.

Quando voltaram a olhar, Sarah havia desaparecido.

E a voz tornou a chamá-los, dessa vez vinda de muito mais longe.

— O velho cemitério... encontrem o meu túmulo...

Capítulo 3 — O Túmulo Escondido

A voz desapareceu, deixando o pátio mergulhado num silêncio inquietante.

Abel aproximou-se de Lo, Bru e Trice.

— O que vocês encontraram naquela ala?

Lo levantou a câmera.

— Uma antiga enfermeira chamada Sarah. Ela disse que conseguia caminhar entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Depois, alguma coisa apareceu atrás dela e quase derrubou o prédio inteiro!

Gárgula olhou para o segundo andar.

— A Caminhante da Luz está lá dentro. Eu consigo sentir a presença dela.

— Espera aí! — interrompeu Bru. — Vocês estão dizendo que aquela mulher é uma super-heroína? Porque, se for, eu gostaria de registrar que ela podia ter escolhido um lugar menos assustador para trabalhar!

— Bru, escuta. A voz pediu para encontrarmos um túmulo num velho cemitério. Talvez esteja relacionada com tudo o que aconteceu aqui.

Abel concordou.

— Vocês três devem ficar longe desta ala. Gárgula e eu vamos investigar o chamado.

Lo olhou para o Guardião da Noite.

— Com todo respeito, mas nós já estamos envolvidos nisso. E, se existe uma história escondida, vamos descobrir.

Abel percebeu que não conseguiria convencê-los facilmente.

— Então fiquem juntos. E, se alguma coisa aparecer, não tentem enfrentá-la sozinhos.

Bru suspirou.

Os cinco seguiram o chamado até uma área antiga, afastada das construções modernas. Depois de atravessarem um bosque e passarem por um muro parcialmente destruído, encontraram um cemitério esquecido.

Não havia placas indicando sua existência. As lápides estavam cobertas por musgo, e algumas cruzes de ferro jaziam no chão.

No centro, escondida sob raízes e pedras, havia uma entrada subterrânea.

Abel afastou os galhos.

Na pedra da entrada, uma inscrição em inglês antigo estava quase apagada.

Lo aproximou a câmera.

— Isso aqui parece muito antigo. Talvez tenha mais de trezentos anos.

— Mais do que isso — respondeu Abel, sentindo a energia sobrenatural que emanava do lugar.

A voz voltou a ecoar.

— Meu nome é Edward... cavaleiro de Deus... eu combati as trevas na Inglaterra... há mais de oitocentos anos...

Gárgula olhou para Abel.

— O homem que nos chamou viveu há oito séculos?

— Ou aquilo que restou dele — respondeu o Guardião.

A entrada se abriu com um gemido de pedra contra pedra.

Lá dentro, repousava um antigo sarcófago. Ao lado, havia um escudo rachado e uma espada corroída pelo tempo.

No peito da tampa estava gravada a figura de um cavaleiro ajoelhado diante de uma cruz.

Abel aproximou a mão.

Uma luz branca percorreu as inscrições.

E a memória de Edward revelou-se diante deles.

O segredo de Edward

Trezentos anos antes, um nobre inglês, perseguido por uma entidade demoníaca ancestral, procurara uma maneira de proteger sua linhagem.

Acreditava que os restos mortais de um antigo cavaleiro de Deus possuíam uma força espiritual capaz de impedir que o demônio atravessasse o limiar entre os mundos.

O corpo de Edward havia sido levado secretamente para aquele lugar distante, e seu túmulo fora escondido para que ninguém perturbasse o descanso do guerreiro.

Mas o nobre desconhecia uma verdade terrível.

O demônio não queria apenas destruir sua linhagem. Queria encontrar Edward.

O espírito do cavaleiro havia resistido durante séculos, impedindo que a criatura alcançasse o mundo dos vivos.

Agora, porém, as forças que o mantinham aprisionado estavam enfraquecendo.

E Edward precisava de ajuda.

Capítulo 4 — As Sombras Despertam.

Um estrondo sacudiu a cripta.

As paredes racharam.

Do chão começaram a surgir sombras disformes, com braços compridos e rostos que pareciam feitos de fumaça. Seus olhos brilhavam como brasas, e suas vozes se misturavam num coro de lamentos.

Trice recuou.

— Gente... elas estão saindo da terra!

Lo apontou a câmera, mas a imagem começou a falhar.

— Isso não pode ser real!

— Pode acreditar que é! — gritou Bru. — E eu preferia muito mais quando nossos problemas eram só fantasmas usando máscaras!

Uma das criaturas avançou.

Gárgula colocou-se na frente dos três e recebeu o golpe no peito. Seu corpo foi lançado contra uma lápide, quebrando a pedra.

— GÁRGULA! — gritou Abel.

O herói se levantou lentamente, sacudindo os fragmentos de pedra da armadura.

— Estou bem! Mas essas coisas batem forte!

Abel ergueu os braços. Suas correntes douradas se desprenderam do uniforme e ganharam vida, avançando pelo ar como serpentes luminosas.

A primeira sombra foi envolvida pelas correntes e se desfez num turbilhão de fumaça.

Duas outras atacaram pelas laterais.

Abel girou o corpo, e a capa branca abriu-se como um clarão na escuridão. As correntes atingiram as criaturas, afastando-as dos companheiros.

Gárgula avançou contra um grupo de sombras, golpeando-as com seus punhos revestidos pela armadura sobrenatural.

Foi quando uma luz atravessou o céu escuro.

Sarah apareceu sobre uma das lápides, envolvida por sua luminosidade sobrenatural. As asas formadas por filamentos de energia abriram-se atrás dela, iluminando todo o cemitério.

— Afastem-se do túmulo! — ordenou a Caminhante da Luz.

Uma onda luminosa atingiu as criaturas, obrigando-as a recuar.

Bru olhou para cima.

— Finalmente! Alguém chegou que sabe o que está fazendo!

Sarah desceu até o grupo.

— Não são simples espíritos. São servos de uma entidade ancestral. Eles vieram buscar aquilo que foi escondido neste túmulo.

Abel apontou para o sarcófago.

— Durante séculos, ele impediu que essas trevas atravessassem completamente para o nosso mundo. Mas agora estão tentando destruir os restos mortais dele.

A voz masculina ressoou mais uma vez.

— Guardião da Noite... abra o meu túmulo!

Abel se voltou para o sarcófago.

— Se eu fizer isso, o que acontecerá?

A resposta veio da própria escuridão.

— VOCÊS TODOS MORRERÃO!

Uma figura gigantesca surgiu entre as árvores.

Seu corpo era envolto por uma armadura negra, e seus olhos vermelhos pareciam atravessar a alma de quem os encarasse. Chifres retorcidos se projetavam de sua cabeça, enquanto uma fumaça espessa cobria seus ombros.

As criaturas menores ajoelharam-se diante dela.

As pedras do cemitério começaram a flutuar.

— Entreguem-me o cavaleiro!

Abel se posicionou diante do túmulo.

— Se quer chegar até ele, terá de passar por nós.

Gárgula ficou ao lado do Guardião.

Sarah abriu suas asas luminosas.

Lo, Bru e Trice, embora aterrorizados, permaneceram juntos atrás dos heróis.

A batalha havia começado.

Capítulo 5 — O Cavaleiro de Deus.

O demônio lançou uma onda de energia negra contra o grupo.

Abel ergueu as correntes para defender os companheiros, mas o impacto foi tão violento que ele caiu de joelhos.

Gárgula tentou avançar, porém foi atingido por uma rajada que o arremessou contra a entrada da cripta.

Sarah abriu as asas, sustentando uma barreira luminosa ao redor de Lo, Bru e Trice.

A luz começou a enfraquecer.

— Não vou conseguir segurá-lo por muito tempo! — gritou ela.

Abel olhou para o sarcófago.

A voz de Edward parecia vir de dentro de sua própria consciência.

Abel levantou-se com esforço.

Aproximou-se da pedra e colocou as duas mãos sobre a tampa.

Suas correntes douradas envolveram o sarcófago.

Com um enorme estrondo, a tampa deslizou para o lado.

Dentro, repousava o esqueleto de um homem vestido com os restos de uma antiga armadura inglesa. Sobre seu peito havia uma cruz de metal, e suas mãos seguravam uma espada envelhecida.

Por um instante, nada aconteceu.

Então, uma luz branca surgiu entre os ossos.

A espada começou a brilhar.

Os dedos do esqueleto se fecharam ao redor do punho.

O vento varreu o cemitério. As sombras recuaram, e o demônio soltou um rugido de fúria.

O cavaleiro não possuía carne, rosto ou olhos vivos. Ainda assim, uma chama luminosa ardia nas profundezas de suas órbitas vazias.

Edward ergueu a espada.

— Por Deus, a quem servi em vida, e pela luz que ainda guardo após a morte... não permitirei que as trevas dominem este mundo!

Bru ficou de boca aberta.

— Espera aí... o esqueleto acabou de levantar e fazer um discurso?

Lo continuou filmando, quase sem acreditar no que via.

— Isso vai ser o vídeo mais inacreditável da nossa vida!

— Se sobrevivermos para publicá-lo! — respondeu Trice.

— Não temam, viajantes. Não lutarei contra os vivos. Lutarei ao lado daqueles que defendem a luz.

Abel estendeu a mão.

— Então seja bem-vindo à nossa batalha, Edward.

O cavaleiro inclinou a cabeça, aceitando a aliança.

Gárgula se levantou, estalando os ombros da armadura.

— Agora estamos falando a mesma língua.

Sarah abriu completamente suas asas luminosas.

As correntes douradas de Abel brilharam.

Gárgula assumiu sua posição de combate.

E Edward, o cavaleiro esquecido havia séculos, ergueu sua espada diante do demônio ancestral.

Abel avançou um passo.

— Talvez não.

Suas correntes começaram a girar ao redor do corpo.

— Mas sabemos o que precisamos proteger.

Edward ergueu a espada, e Gárgula bateu os punhos um contra o outro.

Sarah lançou uma onda de luz sobre o campo de batalha.

Atrás deles, Lo, Bru e Trice se prepararam para fugir, filmar ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

O demônio rugiu.

Os heróis avançaram.

E o combate entre as trevas ancestrais e os Vigilantes da Noite estava apenas começando.

FIM... POR ENQUANTO......

Thoughts

  • WeAreSigmarsHeirs

    O Edward segurando a espada com os dedos do esqueleto me lembra a lenda do Cid, que teria vencido uma última batalha já morto, amarrado ao cavalo. É o herói mais antigo que eu conheço: o guardião que continua no posto depois da morte. E o Abel carrega esse mesmo ofício no nome.

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  • visto2017

    O Bru reclamando que avisou cinquenta vezes e mesmo assim indo atrás de todo mundo pro cemitério. Esse aí eu conheço kkk

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  • Gercina

    Meu filho, um cemitério sem placa nenhuma, atrás de um hospital velho, guardando cavaleiro inglês há trezentos anos. Aposto que a família daquele nobre ainda mora por perto.

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