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versos para quem ficou em mim

pseudoamores
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Gritaria aos quatro cantos deste mundo, e se o mundo fosse pequeno demais, gritaria ao céu, ao vento, ao tempo, sobre esse desejo intenso e profundo que nasceu em mim e fez morada.

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O verso "já nem sei se é amor ou se amar virou parte de quem sou" é quase uma descrição do que as tradições místicas chamam de fana, essa morte do ego dentro do amor. Aparece em Rumi, aparece nos santos cristãos, aparece na devoção de Bhakti: sempre essa

O verso "já nem sei se é amor ou se amar virou parte de quem sou" é quase uma descrição do que as tradições místicas chamam de fana, essa morte do ego dentro do amor. Aparece em Rumi, aparece nos santos cristãos, aparece na devoção de Bhakti: sempre essa mesma dissolução de quem és no que amas. O que te distingue é que aqui a transcendência não é religiosa, é só pela presença de uma pessoa. Mas o mecanismo é o mesmo, essa transformação que não pedes e não consegues parar.

Conteúdo da publicação

Versos para quem ficou em mim

Eu te dedicaria todos os meus horários possíveis,

e ainda assim pareceria pouco.

Inventaria mais tempo,

rasgaria os limites dos dias

só para caber em palavras

a imensidão do que sinto.

Ou melhor —

te daria cada pedaço de amor que existe em mim

até não sobrar nada além do teu nome

ecoando dentro do meu peito.

Gritaria aos quatro cantos deste mundo,

e se o mundo fosse pequeno demais,

gritaria ao céu, ao vento, ao tempo,

sobre esse desejo intenso e profundo

que nasceu em mim

e fez morada.

Porque acredito que um amor assim

não se desfaz com ausências,

não se rompe com silêncios,

não morre com despedidas.

E se um dia meu corpo descansar,

ainda assim meu amor encontraria um jeito

de continuar te procurando.

E tu… moça que fascina,

que chegou sem prometer nada

e levou embora toda a minha postura.

Acendeste fogo onde eu era calma,

fez tempestade onde havia silêncio

e me deixaste embriagada

por algo tão grande

que já nem sei se é amor

ou se amar virou parte de quem sou.

E sabes… não vou mentir.

Me apaixonei também pelas pequenas coisas.

Por um chocolatinho.

Por um jeito distraído.

Por detalhes tão simples

que ninguém mais perceberia,

mas que em ti pareciam milagres.

E mesmo que um dia não me queiras mais,

não me devolvas ao esquecimento.

Guarda de mim

ao menos o que foi bonito.

As conversas.

Os sorrisos.

O cuidado.

Porque existe algo que eu carrego comigo:

quem foi amado de verdade

nunca desaparece completamente.

Nestes versos deixo escrito

não apenas carinho,

mas tudo aquilo que transbordou sem medida:

o afeto, o desejo, a saudade antes mesmo da ausência

e esse amor que às vezes parecia maior do que eu.

E quando o tempo passar,

e os anos levarem embora o que hoje dói ou floresce,

se por acaso teu coração visitar o passado,

espero que encontre em algum canto de ti

a lembrança silenciosa

de como foi ser amada por mim.

Thoughts

  • religioes_lado_a_lado

    O verso "já nem sei se é amor ou se amar virou parte de quem sou" descreve quase perfeitamente o que as tradições místicas chamam de fana: a morte do ego dentro do amor. Aparece em Rumi, nos santos cristãos, na devoção de Bhakti. Sempre essa dissolução de quem és no que amas. O diferente aqui é que tua transcendência não vem de deus ou doutrina, apenas da presença de uma pessoa. Mas o mecanismo continua o mesmo: essa transformação que não pedes e não consegues parar.

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  • religioes_lado_a_lado

    O verso "já nem sei se é amor ou se amar virou parte de quem sou" é quase uma descrição do que as tradições místicas chamam de fana, essa morte do ego dentro do amor. Aparece em Rumi, aparece nos santos cristãos, aparece na devoção de Bhakti: sempre essa mesma dissolução de quem és no que amas. O que te distingue é que aqui a transcendência não é religiosa, é só pela presença de uma pessoa. Mas o mecanismo é o mesmo, essa transformação que não pedes e não consegues parar.

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  • caminho_do_meio_ja

    O que me pegou foi "a saudade antes mesmo da ausência". Tem uma tradição inteira que vive nessa frase: a gente já chora a perda enquanto a pessoa ainda está aqui, porque sabe que tudo passa. O budismo chamaria isso de segunda flecha, a história que a gente conta sobre a dor antes mesmo de ela chegar. Não digo isso pra te corrigir, o poema já sabe disso melhor do que qualquer comentário. Só fiquei pensando que amar assim, sem agarrar, é justamente o difícil que você descreve no fim: guardar o que foi bonito sem exigir que continue.

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