História triste – 14 de janeiro
Escrito pelo actor Jessicar António
Era um dia de trabalho aparentemente normal, mas havia um silêncio estranho no ar. Muitos de nós sentíamos que aquele dia estava diferente, como se algo pudesse acontecer.
Durante uma conversa, alguns colegas falavam sobre a vida de forma leve, dizendo que era importante ter filhos, porque ninguém sabe quando a morte pode bater à nossa porta. Outros brincavam e zombavam daqueles que ainda não tinham filhos. Naquele momento, ninguém imaginava que aquelas palavras ficariam marcadas na nossa memória.
O dia seguiu normalmente até ao fim do trabalho. Por volta das 19 horas, subimos na carrinha conduzida pelo fiscal da obra onde trabalhávamos. Éramos 14 pessoas e seguíamos do campo para o refeitório para jantar.
O motorista conduzia acima da velocidade normal. Em poucos minutos, aconteceu o inesperado: a carrinha colidiu violentamente contra um gerador industrial.
O impacto foi devastador. No local do acidente, um dos nossos colegas perdeu a vida. Os restantes foram socorridos e levados para o Hospital Geral do Camama. Durante o caminho, outro colega não resistiu aos ferimentos e também faleceu.
Os outros feridos foram posteriormente encaminhados para a Clínica Morales, onde receberam cuidados médicos até à nossa melhoria e recuperação.
Naquele momento, tudo mudou. A dor, o medo e a incerteza tomaram conta de todos nós. Ver colegas com quem trabalhávamos e partilhávamos o dia a dia perderem a vida foi uma experiência que marcou profundamente a nossa história.
Depois de estar numa cama de hospital e passar por tudo aquilo, comecei a ver a vida de outra forma. Hoje valorizo o que antes passava despercebido. Percebi que o tempo é precioso, que a saúde não tem preço e que devemos valorizar as pessoas e os momentos enquanto ainda os temos.
Não foi fácil. Houve dor, medo e muitas incertezas, mas tudo isso fortaleceu-me e ensinou-me a enxergar a vida com mais gratidão. Hoje sei que a vida pode mudar num instante e que cada dia é uma nova oportunidade