Nuvens prantas, calma ao lamaçal. Entre gizes num papel rígido, brande sons donde o eco é fúlgido.
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Sombras dos céus aguam sobre o pedaço ingênuo. Entre um barranco e arcos mudos, febre de ânsia consome em tensão, pela sobrevivência, com seu chapéu estando ao lado, afora da vida. Passa as suas mãos sobre a capa e o pano sujos de lama. Preso como rodas, ao redor das árvores. Cospe terra pela queda de outrora, rangem luzes das sombras, limpa-lhe os olhos com o antebraço e lembra, no escuro das pálpebras, da flecha em sua panturrilha tinta — pasmo sangue fugaz acelera o coração. Aos olhos dos céus, entre troncos e barrancos, marcas próximas. O céu, pois agora deu trégua, derrama águas salgadas a vermelho, em lagoa de mágoa, franze a grama em aurora. A sede lhe queima a garganta, e longe, ao mundo, se permanece mesmo estando ao lado de multidões.
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Em um banco já cascado, pesca em norma ao tempo; em baixas ondas anima-se. Quando a linha puxa, dá-lhe ânimo; assim, se convém se o peixe é pescado ou ainda continua nadando.
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Uma sala branca com uma grande janela transparente. Há um colchão ao lado dela, uma TV de tubo ligada. Abre a porta e vai à cozinha, bebe, mata a sede e volta a deitar no descanso. Olha, na madrugada, um nascer do sol alaranjado, meio roxo e azulado, com casas entre os dois; não se encontra em nenhuma.
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Taças cheirando a álcool, prosa em alínebre condição, casa nas linhas tortas dos passos. Cambaleia a cabeça numa cadeia de viseiras, na grama de seu quintal — ou se pode chamar jardim, não sei. Pega o copo d'água e quebra no chão. Já abaixo do teto, enlouquece, pois nas gramas estava; num apagão que acontece no mesmo momento, cai na calçada. Olha para o céu, vê estrelas, a lua e nuvens como um quadro de sopro. Lua cheia. Como a chuva no seu semblante: vê, olha, preza, almeja, odeia, chateia, mareja. E fica horrorizado estando numa cama branca entre fios.
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Violinos, tambores. Como é belo, veja, que petulância de extravagância exuberante! Partituras inteiras e instrumentos harmonizando a melodia negra duma valsa ou promessa. Fico acanhado em ver tão esdrúxula fragrância em meus ouvidos; banho-me nos andares das lágrimas, nos breus das cordas. Serás um apogeu nos agudos e graves dessa canção melódica. Afanho-me no brilho das pratas dessas cordas, no espelho das estradas das notas; na alma difosca sinto não escutar as mais simples tablaturas.
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Numa área de construção, vales de terras altas e baixas, cimento e poucas estradas. Paralelepípedos ainda aparecem pouco a pouco, junto da friagem de se destacar entre máquinas paradas. Junto duma visão ao redor, ver-se ao horizonte e ver a medida da praça, onde se habitará sinas, caminhará onde a terra ainda se bate. Mórbido se sussurrou. Olha uma casa de portão aberto, observa uma briga, uma discussão barulhenta, não impedida por ninguém, sem alguém para acalmar. Entre uma figura ingênua, terceiro perdido, falam sobre ir embora. Entram e saem, batem portas e, no final, caminham juntos, com braços entranhados no terceiro, que agora observa o detento.
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E o rádio ligado canta uma música já rodada. Faz sua refeição, canta-lhe a canção, abraça sua unção, beija seu amor. E se prepara fardado para ir ao trabalho. Sai com seu carro, olha no retrovisor e vê a partida de seu carro nos olhos de seus amores. Passa numa encruzilhada, olha todas as paradas, não deixa que nenhuma seja deixada de olhar. Para numa farmácia, compra seu remédio e parte, vendo sua foto na capa — e na cara do cara que na embalagem se declara só a carpa. No sinal, vê maracutaias de humilhação humorada, vê a criançada chorando na loja de brinquedo e, quando acelerava, passa de frente ao palhaço que, de cara séria, o fixa no olhar. Rodando em cima da ponte que pode até subir, passa olhando em trincheiras cheias de casas de tábuas e tudo aquilo que ele podia ver, por ser um de poder ir embora. Acelera. Na meditação entre o rádio e a canção, um cachorro passa na pista; então desvia, alucina, mas e se... Acelera, olha e vê no retrovisor, deitado na quente, iluminada pelo sol. Acelera e canta alegria, pois quando se olhava o espelho que o próprio não refletia, se viu numa parada, encruzilhada, com palhaços agora presenciando a maracutaia de uma colisão entre o carro e um caminhão. Entre o retrovisor, viu o sangue em vapor, em um corredor, ele próprio saudor.
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Numa carta, se deu a ilustre desbravaração; escreve em parágrafos, direto da tinta, uma nuvem negra. E pede ao espelho o seu olhar, sangue novo, veste fráguas, muda o penteado de seus cílios e se sente longe do reflexo que tanto cria. Firma expressões e degusta a mágoa como bala de todos os dias. Vales se criam nas beiras dos azulejos brancos — como o teto, parede, chão e a cama fosca, doce como um abraço, firme ou até apertando. E, talvez, o mundo seja pequeno dentro de uma casa. Vale, águas e náufragos. Senta na mesa e olha no fundo do prato o seu alimento; ao lado, sua água; e à frente, cinco cadeiras. À esquerda, um armário; à direita, uma geladeira; e diversos outros modos de querer e necessários para sua vivência. Mastiga sobre uma vontade já processada. Bebe sem estar sedento, mas entende que, para ela, não é um fato acostumado e, mesmo assim, perde o apetite durante a refeição. A fim de enxergar, olha tudo ao redor; já no pé da mesa, vê em seu colo: seus olhos na d'gota em valência.