Encontro
Letícia, tenho sonhado com esse encontro. Imagino a cena tantas vezes que já perdi a conta.
Eu te mandando uma mensagem, dizendo que estou chegando, perguntando se você pode me esperar no desembarque. E então a porta se abre, e você está ali. O sorriso — aquele seu sorriso — e eu não consigo disfarçar nada. Ando depressa, quase corro, e quando finalmente te abraço, o mundo inteiro parece caber naquele instante.
É difícil não beijar sua boca. Você me pediu discrição, eu sei. Mas o corpo trai antes da razão, e você percebe minha empolgação antes mesmo que eu diga qualquer coisa.
Beijo sua boca devagar, sem pressa, como quem tem o resto da vida pela frente. Minhas mãos encontram você — o tecido branco, a calça justa — e sinto o quanto você também está ali, inteira, presente. Quando nos afastamos, peço desculpas baixinho no seu ouvido, a mão ainda perdida no seu cabelo, e volto a te beijar, porque desculpa nenhuma seria suficiente.
Você pergunta:
— Para onde vamos?
E eu respondo, com um sorriso que não consigo controlar:
— Não sei. Nada mais importa. Eu te encontrei.
Há um medo antigo ali, que sempre volta: o de te ter e não querer te perder.
Você diz que o carro está por perto. Vamos até o estacionamento de mãos dadas, como dois adolescentes que acabaram de descobrir o que é querer alguém. Você abre o porta-malas, eu jogo a bagagem dentro, e ao fechar, voltamos a nos beijar — sem pressa de ir a lugar nenhum.
Você pergunta se eu quero dirigir. Digo que não — você conhece sua cidade melhor do que eu. Falo da reserva no hotel, da pesquisa que fiz um dia, pensando em te encontrar em São Paulo. Pergunto se pode me levar. Você sorri aquele sorriso lindo e diz que sim. Pergunta se a reserva inclui você. Eu respondo que é lógico.
Coloco o endereço no GPS e me sento ao seu lado. Antes de sairmos, beijo sua boca outra vez, a mão pousada na sua coxa, sentindo o calor através do tecido. Sua mão encontra meu jeans, e por um instante o carro inteiro parece respirar mais devagar.
— Vamos — você diz. — Quero chegar logo.
— Claro — respondo, com um sorriso malicioso. — Não estou te impedindo de dirigir. Fique à vontade. Você está no seu carro.
Minha mão desliza um pouco mais para o meio das suas pernas. Você dá partida.
— Preciso me concentrar no trânsito, Gui.
E eu obedeço. Recuo a mão, mas não os olhos. Fico ali, te admirando inteira, como quem decora um mapa que não quer esquecer.
No caminho, você me pergunta por que demorei tanto para decidir te ver. Eu respondo que não sei. E é verdade — há coisas que a gente não explica, só sente.
Chegamos ao hotel. Resolvemos o check-in rápido, subimos abraçados pelo corredor. No caminho, você pergunta mais sobre a minha vida. Eu digo que vou te contar aos poucos tudo o que você quiser saber — mas que agora, tudo o que eu quero é te beijar.
Você pergunta, rápida:
— Só beijar?
Eu balanço a cabeça, olhando nos seus olhos, e sussurro no seu ouvido o que quero de verdade.
Você me abraça forte, me beija como se o corredor fosse o único lugar do mundo, e eu começo a te despir devagar — sem pressa, querendo guardar cada centímetro na memória. Te levo até a cama, e o resto da noite começa ali, entre o silêncio do quarto e o barulho do que a gente não precisa dizer em voz alta.