Por Lucien Vieira | 06 de maio de 2026
O fim e o começo
desfilam de braços.
À mente,
um só —
diferentes.
Um dia —
Eis-me aqui,
diz um ao outro.
Simultâneo,
o outro responde:
Eis-me aqui.
Olhos nus
falseiam-nos.
Mas lá estão,
encangados,
feito bois de engenho.
Há algum tempo
me dei a esse conflito:
o meu fim —
em si, só —
já terminou...
Enquanto isso,
o teu começo
ainda é fim —
nem começou?
O vazio
expõe de perto
o pensamento curto.
Poema filosófico-existencial de caráter metafísico e reflexivo.
O poema reflete sobre a inseparabilidade entre fim e começo, mostrando-os como acontecimentos distintos, porém simultâneos. A partir de uma experiência pessoal, o eu lírico questiona os limites da percepção humana e sugere que o vazio revela a insuficiência de um pensamento preso às aparências e às separações convencionais.