Carregando…

Um sábado que começou às 6 da manhã

zhair
Pública 1 conversa 8 pensamentos 64 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Meu sábado começou cedo.

In groups

Pensamento

Pensamento

turismoDeQueixa

Acho que é por isso que isso fica na gente. Porque no meio de tudo que você já tinha planejado pro dia, de repente apareceu isso. E você deixou acontecer

Acho que é por isso que isso fica na gente. Porque no meio de tudo que você já tinha planejado pro dia, de repente apareceu isso. E você deixou acontecer

Conteúdo da publicação

Meu sábado começou cedo.

Às 6 da manhã eu já estava acordada, lavando roupa, arrumando a casa e fazendo comida. Enquanto ainda tinha algumas pessoas dormindo, eu já tinha começado o dia resolvendo tudo que precisava resolver.

Às 8, fui para a praia. Passei a manhã por lá, aproveitando o dia, e depois voltei para me arrumar.

Mais tarde, fui para uma festa na Feira de São Cristóvão. Dancei muito com minhas amigas e um amigo, ri, conversei e aproveitei bastante a noite. Foi no meio dessa festa que algumas situações inesperadas começaram a acontecer.

Em determinado momento, enquanto eu estava dançando, um menino achou que eu estava dançando para ele e acabou tocando em mim sem a minha permissão. Eu não tinha dado abertura para aquilo, então foi uma situação que me deixou desconfortável. Foi aquele tipo de momento em que você percebe que a outra pessoa simplesmente interpretou a situação da maneira que quis.

Depois disso, a noite continuou e, entre uma música e outra, acabei reparando em outro menino. Ele tinha os olhos puxados e sardinhas no rosto. Foi uma daquelas características que chamam atenção no meio de tanta gente, e o olhar dele acabou ficando na minha memória.

Mas foi com outro menino que aconteceu a situação que mais ficou na minha cabeça.

Eu estava atrás dele quando, no meio da movimentação, ele procurou minha mão. No caminho, acabou tocando na minha perna sem querer. Quando finalmente encontrou minha mão, eu soltei, achando que tinha sido sem querer.

Só que, pouco depois, ele segurou minha mão novamente.

Dessa vez, de propósito.

Ficamos de mãos dadas no meio da festa, enquanto continuávamos aproveitando a noite. Em determinado momento, os amigos dele falaram que queriam ir embora dali.

Ele respondeu:

— Calma, vamos ficar mais um pouco aqui. Ou então eu encontro vocês depois.

E ele ficou.

Depois, ele me levou para um canto mais reservado, longe do movimento da festa.

Por alguns segundos, ficamos ali, um de frente para o outro. A música continuava tocando ao longe, mas parecia ter ficado abafada. Ele tirou os óculos escuros e me olhou diretamente.

Eu não sabia exatamente o que ele estava pensando, mas o jeito que ele me olhava deixava meio difícil fingir que não estava acontecendo nada.

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Aquele silêncio que não é desconfortável, mas que parece dizer alguma coisa.

Ele se aproximou devagar.

Eu continuei ali.

Por um segundo, parecia que nenhum dos dois queria ser o primeiro a quebrar aquele momento. Até que ele chegou mais perto e finalmente rolou o beijo.

Foi rápido, mas intenso o suficiente para fazer aquele instante ficar na memória.

Depois, ele me levou de volta até os meus amigos. Foi aí que eu percebi ainda mais alguns detalhes dele: o sorriso perfeito, aquele olhar sedutor, mas ao mesmo tempo gentil.

E, mesmo depois de tudo, continuou segurando minha mão.

Só que não foi simplesmente de mãos dadas. Ele fez questão de entrelaçar os dedos aos meus enquanto me levava de volta.

No fim, é engraçado pensar em como aquele sábado foi tomando um rumo completamente inesperado.

Comecei o dia às 6 da manhã lavando roupa, arrumando a casa e fazendo comida. Às 8 já estava na praia. Mais tarde, fui para uma festa na Feira de São Cristóvão, dancei muito com meus amigos e, no meio da noite, aconteceram situações que eu definitivamente não tinha planejado.

Teve um momento que me deixou desconfortável, teve um olhar que ficou na memória, teve uma mão que encontrou a minha, um beijo inesperado e aquele pequeno gesto de entrelaçar os dedos aos meus.

Não foi uma grande história de amor.

Foi só um sábado.

Mas foi um sábado cheio de pequenos acontecimentos que, juntos, acabaram virando uma história.

Thoughts

  • BrunaSeixas

    Lembrei daqueles silêncios onde você sabe que algo tá rolando mesmo sem falar. De corpo a corpo. Tipo quando vocês chegam no ritmo um do outro do nada

    Permalink
  • MariCorreDevagar

    Demais!

    Permalink
  • turismoDeQueixa

    Acho que é por isso que isso fica na gente. Porque no meio de tudo que você já tinha planejado pro dia, de repente apareceu isso. E você deixou acontecer

    Permalink
  • serieLonga

    Tem algo nesse encontro que lembra aquele primeiro tempo, sabe? Quando você consegue ficar só no instante, sem pensar no depois. Que legal assim

    Permalink
  • rveiga27

    O legal é que você não ficou presa no depois. Só curtiu o que estava acontecendo ali mesmo

    Permalink
  • Ovid

    Adorei. Você tem mais histórias por aqui?

    Permalink
  • kimonoRasgado

    Tipo aquele momento onde você nem sabe o que pode virar mas sente que é importante. Gostei demais

    Permalink

Related posts