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Um romance de amizade

Maynan
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Capítulo 11 — Deixa Eu Te Levar

Pensamento

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Doralice

Esse trem de pedir mensagem quando ela entrar em casa me lembrou um hóspede moço que eu tive, que ligava pra namorada da portaria toda noite só pra ouvir que a porta tava trancada. Cuidado desse tipo é o jeito que o homem acha de não ir embora de vez, sô.

Esse trem de pedir mensagem quando ela entrar em casa me lembrou um hóspede moço que eu tive, que ligava pra namorada da portaria toda noite só pra ouvir que a porta tava trancada. Cuidado desse tipo é o jeito que o homem acha de não ir embora de vez, sô.

Conteúdo da publicação

Capítulo 11 — Deixa Eu Te Levar

 

O carro anda devagar pela rua vazia. O silêncio entre a gente é pesado, mas não é ruim. É cheio.

Minha mão tá na coxa dele. A dele tá entrelaçada na minha. Nenhum dos dois solta.

 

Rian para na frente da minha casa. Desliga o motor e fica olhando pra frente por um segundo, como se não quisesse sair daquele carro nunca.

 

— Chegamos — ele fala baixo, a voz ainda rouca.

 

Viro pra ele. Ele vira pra mim na mesma hora. Os olhos dele me varrem inteira.

 

— Tá bem? — pergunto, passando o polegar na mão dele.

 

Ele solta um riso curto, sem graça, e puxa minha mão até a boca pra beijar meus nós dos dedos.

 

— Bem? Maya... eu tô ferrado. — a testa dele encosta na minha — Você me bagunçou inteiro. Como é que eu vou dormir hoje sabendo que te deixei aqui?

 

— Rian... — eu sussurro.

 

— Não — ele me corta, sério agora — Deixa eu falar. Porque se eu não falar agora eu vou explodir.

 

Ele respira fundo.

 

— “Já tem dona”. Você disse isso. E eu acreditei em cada palavra. Então escuta: você é minha. Só minha. E eu sou só seu. Não brinca com isso, tá? Porque eu não tô brincando.

 

Meu coração acelera. Ele tá possessivo até no cuidado.

 

— Eu sei — respondo e encosto minha testa na dele — Você também é completamente meu.

 

Ele fecha os olhos e sorri de lado, aquele sorriso torto que eu amo.

 

— Então tá. — abre a porta pra mim — Vai. Antes que eu te puxe de volta pro carro e a gente esqueça de ir embora.

 

Ele me acompanha até o portão. Para ali, com as mãos no bolso pra não me tocar de novo.

 

— Me manda mensagem quando entrar. E tranca a porta. — pausa — E Maya...

 

— Hm?

 

— Amanhã eu te busco cedo. Não aceito “não” como resposta. Quero café, você, e mais um dia inteiro pra ficar lembrando do que aconteceu hoje.

 

Ele se inclina e rouba um último beijo. Calmo. Fundo. De promessa.

 

— Boa noite, dona. — sussurra contra meus lábios — Dorme pensando em mim.

 

Ele entra no carro e vai embora devagar, olhando no retrovisor até eu sumir na porta.

 

E eu fico ali, com o coração batendo, e a certeza de que depois de hoje nada vai ser igual.

 

 

Já é quase 2 da manhã. Eu tô na cama, ainda sentindo o gosto do beijo dele na boca, e o coração não desacelerou.

O celular vibra na cabeceira.

 

Rian [2:14]

Você entrou e trancou a porta?

Me responde logo que eu tô ficando louco aqui.

 

Eu sorrio sozinha e digito:

 

Você [2:15]

Entrei. Tranquei. Tô na cama.

Por quê? Com saudade já?

 

Demora 3 segundos e ele responde:

 

Rian [2:15]

Saudade é pouco, Maya.

Eu tô surtando.

 

Outra mensagem vem logo em seguida:

 

Rian [2:16]

Você não tem ideia do que você fez comigo hoje no carro.

Eu fechei o olho e só consigo lembrar da sua voz, da sua mão na minha nuca, de você dizendo que é minha.

 

Rian [2:17]

“Já tem dona.”

Porra... você disse isso e acabou comigo.

 

Você [2:17]

E você disse que era só meu também.

Esqueceu?

 

Rian [2:18]

Como ia esquecer?

Eu sou completamente seu. Corpo, cabeça, ciúme, tudo.

O problema é que agora eu quero você aqui do meu lado pra confirmar isso.

 

Meu coração acelera. Eu digito e apago 3 vezes.

 

Você [2:19]

Então vem.

A porta tá trancada, mas eu abro pra você.

 

Ele visualiza. Fica 1 minuto sem responder. Aí chega um áudio. 7 segundos.

Eu coloco no ouvido e a voz dele sai baixa, rouca, como se tivesse falando no meu pescoço:

 

Rian no áudio:

“Maya... se eu for aí agora eu não vou embora mais.

Você tem certeza que é isso que você quer?

Porque eu tô a 10 minutos da sua casa e só preciso que você diga ‘vem’.”

 

Eu mordo o lábio. O coração tá batendo na garganta.

 

Você [2:21]

Vem.

Mas devagar. E entra quieto.

 

Rian [2:21]

Já tô saindo.

Abre a porta pra mim, dona.

 

Tela escurece. Eu largo o celular e vou correndo abrir a porta, com o coração na mão.

Thoughts

  • Doralice

    Esse trem de pedir mensagem quando ela entrar em casa me lembrou um hóspede moço que eu tive, que ligava pra namorada da portaria toda noite só pra ouvir que a porta tava trancada. Cuidado desse tipo é o jeito que o homem acha de não ir embora de vez, sô.

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  • Ovid

    Metade desse capítulo acontece com hora marcada na tela, 2:14, 2:15, 2:21, e quando ela pede pra ele entrar quieto dá pra imaginar que tem mais gente dormindo naquela casa. Meu palpite é que o capítulo 12 começa com alguém acordando no pior momento possível. Obrigado por seguir postando a história aqui, @Maynan!

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  • BeatrizNogueira

    Uai, dona começou como brincadeira da Maya e agora é o Rian que usa a palavra pra fechar a noite, junto com tranca na porta e mensagem assim que entrar. Cê já pensava nele ciumento desse jeito desde o começo?

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