UM LUGARZINHO NA INFINITUDE
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Há um lugarzinho na infinitude, na imensidão do espaço, que não precisa de atitude: basta estar por lá. Um refúgio suspenso entre a razão e o mistério, onde a única exigência é desarmar o peito. O que não pode faltar é o azul do céu nesta mesa natural, estendida como um convite perpétuo para quem busca abrigo no imponderável. Sob esse teto sem paredes, a vida acontece sem pressa, despojada das urgências que o mundo inventa.
Há centelhas incendiando a imaginação, faíscas invisíveis que cruzam a mente no silêncio da tarde. Abelhas adoçam o mel no papel indissolúvel de anfitriã vestida de cortes, costurando a doçura do mundo enquanto o vento sopra suave entre as folhas. Há uma ordem secreta nessa simplicidade, uma delicadeza que ensina sem pronunciar uma única palavra.
Nesse canto do universo, um pedaço da essência foi dividido em nome da paz. Com elegância, a arrogância se acalma na maresia do mar; o sal dissolve as certezas rígidas, e o horizonte largo apequena qualquer vaidade. O peito aprende a respirar no ritmo das marés, descobrindo que a força verdadeira reside no saber ceder.
Viver navegando ou flutuando pelas ondas das palavras é tão natural porque elas são mera luz. Para alguns, o verbo é dor; para outros, amor e calor, desejo e ardor. As palavras transportam a alma por rios invisíveis, ora tempestuosos, ora serenos, mas sempre vivos. Escrever torna-se, então, o ato de acender uma vela no escuro, tateando o invisível até que a dor se transforme em poesia e o amor ganhe corpo e forma.
A gente passa a vida tentando controlar as marés, desenhando rotas rígidas em mapas que a vida insiste em molhar. Mas a sabedoria deste lugar está no abandono. Deixa o tempo resolver.
Ele é o único carpinteiro capaz de ajustar as pontas soltas da existência sem quebrar o tecido do destino. Sonhar é válido, é o combustível da alma, mas continua sendo um pouco vago para o filme real. O sonho é o esboço; a realidade é a tinta fresca que borra as mãos e exige presença.
Se tiver que acontecer, viverás. Não como um espectador distante do próprio enredo, mas como quem mergulha de olhos abertos no mar do incerto.
A vida não pede permissão nem exige que saibamos o final da história. Ela apenas nos pede para ocupar o espaço que nos cabe sob esse céu azul, aceitando o calor, o ardor, a dor e o amor com a mesma dignidade. O resto é apenas o tempo fazendo o seu trabalho, enquanto flutuamos no oceano infinito da existência.
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@Pietrodeluccapoeta✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444®
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