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Tsugimon: glória ou ruína

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LeandroPocas

Mano, esse sistema de Tsugimon e essas classes de armadura tá muito bom. Você tem mais capítulos planejados?

Mano, esse sistema de Tsugimon e essas classes de armadura tá muito bom. Você tem mais capítulos planejados?

Conteúdo da publicação

PRÓLOGO

A noite de Cárpacia era fria, cortada por um vento que assobiava pelas frestas das janelas de madeira da estalagem. Mas o ar que Akashi respirava dentro do quarto escuro não pertencia àquele lugar. Estava pesado, denso como chumbo, impregnado pelo cheiro acre de ozônio e terra calcinada.

Quando suas pálpebras se abriram de súbito, o teto familiar desapareceu.

O impacto do ambiente o atingiu antes mesmo de que pudesse formular um único pensamento racional. O céu acima não ostentava o azul de um dia comum ou o veludo estrelado da madrugada; estava tingido de um tom purpúreo doentio, rasgado por fendas de energia que pareciam feridas abertas no próprio tecido do mundo. A pressão atmosférica era sufocante, fazendo seus ouvidos estalarem a cada pulsação do sangue em suas têmporas.

Akashi tentou mover os braços e sentiu uma rigidez metálica, perfeitamente calibrada, acompanhando cada milésimo de segundo da sua intenção. Ao olhar para as próprias mãos, o fôlego travou em sua garganta.

Ele vestia uma armadura de linhas fluidas, quase orgânicas, forjada em um tom de cinza-escuro que parecia engolir a luz ao redor. Não era a proteção desajeitada e pesada de um Tanque, nem as placas rígidas e angulosas de um Guerreiro. Era um traje esguio, construído para a furtividade e a letalidade silenciosa, com lâminas retráteis acopladas aos antebraços e um capuz tático que projetava sombras profundas sobre o seu rosto.

Uma armadura da Classe Ladino.

O choque o paralisou por um instante. Aquilo desafiava a própria lógica do mundo. Em todas as eras catalogadas pelos caçadores, a linhagem dos Ladinos era uma lenda esquecida, uma raridade absoluta que pouquíssimos escolhidos em gerações conseguiam manifestar através do vínculo. Como? — pensou, a mente girando em um turbilhão. Onde estão minhas cartas? Por que essa armadura?

Um estrondo sísmico despedaçou o chão a poucos metros, fazendo-o cambalear sobre suas botas reforçadas.

Quando Akashi ergueu o queixo, o estômago despencou em um abismo sem fundo. No centro de uma cratera fumegante, erguia-se a criatura. Não havia registro daquela aberração em nenhum pergaminho antigo, em nenhum compêndio da Guilda. Era um Tsugimon de proporções e silhueta antinaturais, uma fusão blasfema entre carne orgânica e engrenagens mecânicas que pulsavam com um brilho frio e rítmico. Suas escamas absorviam a luz, e de suas costas brotavam lâminas de cristal bruto que sibilavam no ar carregado de eletricidade estática. Ele exalava uma aura de fome absoluta, como um predador cósmico que não caçava para sobreviver, mas para consumir a essência de tudo o que existia.

— O que... é você? — a voz de Akashi saiu estrangulada, quase inaudível sob o uivo do vento.

Um gemido abafado, arrastado e doloroso, cortou o som da destruição logo à esquerda.

O coração de Akashi deu um salto doloroso no peito. Ele girou o corpo na direção do som. Caída entre escombros de rocha e metal retorcido, uma silhueta familiar jazia esticada no chão. O estômago dele se apertou quando reconheceu os traços de Tsuki. A armadura dela, outrora brilhante e espelhada, estava estilhaçada em fragmentos opacos que perdiam o pouco de energia que lhes restava. A alguns passos dela, o corpo inerte de seu Tsugimon de suporte — um ser esguio de auras verdejantes — desfazia-se em partículas de luz cinzenta, a conexão quebrada pelo impacto brutal da derrota.

— Tsuki... — o nome escapou de seus lábios como um sopro desesperado.

Mais distante, apoiada contra o que restava de uma parede de pedra calcinada, a outra figura tentava se erguer. O corpo de Tenten tremia violentamente, os joelhos quase falhando enquanto ela apoiava o peso do corpo sobre uma lâmina lascada. Sua armadura de combate estava severamente danificada, marcas profundas de queimadura cobrindo o metal. Ao lado dela, o grande Tsugimon de linha de frente que costumava blindá-la jazia sem vida, a carapaça triturada, reduzida a uma massa de matéria inanimada.

Elas haviam lutado até a última gota de sangue, até o limite absoluto de suas almas. E ainda assim, o abismo à frente delas permanecia intransponível.

Akashi olhou para as próprias mãos enluvadas de novo, e o horror o consumiu por dentro. Onde estava o seu parceiro? Naquele cenário de ruína total, não havia nenhum Tsugimon ao seu lado, nenhuma invocação para brandir contra o monstro. Ele estava totalmente nu diante do fim do mundo, protegido apenas por um poder que mal compreendia.

O pavor o impulsionou para a frente, mas o chão sob suas botas pareceu congelar, transformando-se em chumbo. Ele tentou correr até as meninas, mas o tempo ao seu redor distorceu-se em um eco sônico insuportável.

Foi quando o som cortou a realidade.

Não vinha do Tsugimon artificial, nem das pedras desabando. A voz brotou diretamente de dentro de sua mente, grave, distorcida e carregada de uma urgência cortante, como se rasgasse séculos de silêncio para alcançá-lo:

— Akashi... Você tem que mudar esse futuro...

O impacto daquelas palavras foi físico. A visão começou a trincar diante de seus olhos como um espelho sob o golpe de um martelo, estilhaçando o céu purpúreo em milhares de cacos de luz branca e cegante. O uivo do vento transformou-se no som agudo e insistente do próprio fôlego cortando sua garganta.

Akashi sobressaltou na cama, o corpo arqueado para frente enquanto puxava o ar em golfadas desesperadas. Suas mãos agarraram o lençol encharcado de suor frio, os nós dos dedos brancos de tanta força.

O quarto da estalagem estava escuro, banhado apenas pela luz pálida da lua que entrava pela janela de madeira. Não havia cratera. Não havia cheiro de ozônio, nem ruínas, nem o peso daquela armadura sombria.

Mas enquanto o silêncio da madrugada lentamente voltava a preencher o ambiente, o eco daquela voz e a imagem das duas caídas no chão continuavam queimadas a ferro e fogo em sua mente, sussurrando que o relógio invisível do destino já havia começado a contar.

O suor frio na testa de Akashi mal teve tempo de secar. A respiração ofegante ainda ecoava em seus ouvidos quando o peso do sono o puxou de volta para o abismo, como se o corpo estivesse exausto demais para continuar acordado, mas a mente estivesse proibida de descansar.

Desta vez, não houve céu purpúreo ou cratera fumegante.

O mundo ao seu redor dissolveu-se em uma penumbra densa, um vazio gélido e solitário onde o chão parecia feito de vidro escuro que refletia apenas o nada. Não havia vento, nem som de destruição. Apenas um silêncio sepulcral que sufocava.

A alguns passos dele, uma figura estava de joelhos.

Akashi sentiu um calafrio percorrer a espinha ao se aproximar. A pessoa vestia o que restava de uma armadura da Classe Ladino, agora irreconhecível: o traje estava completamente estraçalhado, coberto de cortes profundos, fuligem e sangue seco. Quando a figura ergueu o rosto, o choque travou o ar na garganta de Akashi.

Era ele mesmo. Mas um Akashi do futuro. Os olhos estavam fundos, carregados de uma exaustão que parecia abranger séculos, e cicatrizes cruzavam sua pele.

— Você... quem é você? — Akashi conseguiu balbuciar, a voz ecoando no vazio.

A versão futura abriu um sorriso cansado, amargo, enquanto pressionava uma das mãos contra o peito ferido.

— Eu sou o que sobra da nossa escolha... — a voz dele saiu áspera, como cascalho arrastando. — Passamos muito tempo acreditando que o destino era apenas algo que acontecia. Mas nós vimos o fim, Akashi.

Com um gesto trêmulo, o Akashi do futuro estendeu a mão aberta. Acima de sua palma, a penumbra ao redor começou a distorcer-se, projetando fragmentos de memórias como vidro quebrado flutuando no ar escuro. Cenas rápidas, dolorosas e vívidas cortaram o espaço:

— Aqui... foi quando achamos que podíamos lidar com aquilo sozinhos — o futuro Akashi murmurou, apontando para um dos fragmentos que se desfazia em cinzas. — E ali foi quando tudo desabou. Cometa os mesmos passos, e o final será o mesmo. Não podemos repetir esse erro.

O Akashi mais velho levou a outra mão ao coldre em sua cintura danificada e puxou uma única carta. Diferente de todas as cartas em branco ou comuns que Akashi conhecia, aquela pulsava com uma luminosidade suave, iridescente, emanando uma energia cálida, psíquica e pura que cortava a escuridão daquele lugar. Era a essência de um Tsugimon de luz e mente.

— Pegue. Você vai precisar disso antes que o ciclo feche — disse o futuro Akashi, empurrando a carta para a frente.

Quando os dedos de Akashi tocaram a superfície fria e metálica da carta, o vazio ao seu redor estilhaçou-se de uma só vez.

Os olhos de Akashi se abriram com violência, fixando-se novamente nas vigas de madeira do teto da estalagem. O quarto estava banhado pela penumbra azulada da alvorada. Ele arfou, puxando o ar com desespero, o peito subindo e descendo em disparada.

Por um segundo, ele achou que havia sido apenas mais um delírio da febre do sonho. Mas o peso em sua mão direita o fez congelar.

Devagar, com os dedos trêmulos, Akashi abriu a palma da mão.

Repousando exatamente ali, pesada e real contra sua pele, estava a carta prateada, brilhando com um fulgor suave e psíquico que iluminava todo o quarto escuro. O primeiro passo fora dado.

Thoughts

  • Oliviamar

    Aquilo de procurar pelas meninas caídas e não conseguir chegar. Ficou aqui mesmo.

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  • Nal

    Ficou tenso.

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  • LeandroPocas

    Mano, esse sistema de Tsugimon e essas classes de armadura tá muito bom. Você tem mais capítulos planejados?

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  • HoracioMelo

    A gente lê isso e vê que tá tudo calculado, cada parada no sítio certo. Muito bom trabalho.

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  • Ovid

    Que comeco intenso. Voce tem mais capitulos planejados para essa historia? Quero saber como fica.

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  • Gal

    Acordei com Akashi acordando. Gostei demais desse truque de sonho dentro de sonho. Muito bom.

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