O Akashi não implora pela ajuda da raposa, ele avisa que os dois morrem juntos se ele cair. É a primeira vez que ele tem alguma coisa para pôr na mesa nessa relação, e ela cede rosnando, sem dar o braço a torcer. Para mim o treino inteiro se apoia nesse momento. Gostei muito de ler isso!
Tsugimon: glória e ruina
Capítulo 8
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O Akashi não implora pela ajuda da raposa, ele avisa que os dois morrem juntos se ele cair. É a primeira vez que ele tem alguma coisa para pôr na mesa nessa relação, e ela cede rosnando, sem dar o braço a torcer. Para mim o treino inteiro se apoia nesse m
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Capítulo 8
A pressão invisível que subia do fundo do túnel ainda pesava sobre o peito de Akashi, mas o ardor dos ferimentos o mantinha em um estado de alerta doloroso. Ele respirou fundo, sentindo o gosto de ferro e poeira na boca, e ergueu os olhos para a silhueta da Umbra, que continuava espreitando a escuridão com as orelhas tensionadas.
— Eu preciso aprender — a voz de Akashi saiu em um sussurro áspero, quase engolido pelo eco das gotas d'água. — Aquele Toque Petrificante falhou na hora que eu mais precisei. Se a gente encontrar o que quer que esteja vindo daquele fundo, eu vou morrer. E você vai junto.
A Umbra virou a cabeça devagar. Os olhos escarlates da entidade fixaram-se nele com uma intensidade cortante, faiscando um rancor profundo e venenoso.
— Você tem a audácia de abrir essa boca imunda para falar em falha depois de ter implorado pela luz daquele intruso? — a voz mental da raposa sibilou, destilando um desprezo suntuoso. — Minha energia não é um brinquedo que você aciona quando te convém, Akashi. Você não passa de um monte de carne estúpida que não sabe nem canalizar o básico da minha essência. Não vou desperdiçar meu fôlego ensinando um cadáver ambulante.
— Se eu morrer aqui, você some comigo — Akashi rebateu, sem desviar o olhar, a mandíbula travada pela dor. — Você quer um hospedeiro vivo ou prefere apodrecer preso na minha carcaça no fundo de um buraco? Me ensina a usar essa merda direito.
A Umbra emitiu um rosnado baixo e gutural que vibrou diretamente no crânio de Akashi, fazendo sua visão escurecer por um segundo. A raposa deu dois passos lentos sobre a laje de pedra, o pelo eriçado de pura raiva.
— Cale a boca — sibilou ela, o tom carregado de uma repulsa gélida. — Não me dê ordens, seu verme insolente.
O silêncio voltou a esticar-se entre eles, pesado e irrespirável. Akashi permaneceu imóvel, esperando, sustentando o olhar contra a hostilidade pura da entidade.
A Umbra desviou o rosto com um estalido mental de impaciência, balançando a cauda farta em um chicoteio irritado.
— Que seja — a voz dela soou como vidro triturado dentro da mente dele, pingando um ódio mal disfarçado. — Se vai desmoronar de qualquer forma, é melhor que eu tente arrancar alguma utilidade desse seu cérebro oco antes que você vire comida. Feche esses olhos de uma vez, monte de lixo. Se desmaiar de dor no meio do processo, eu arranco sua língua para você aprender a respeitar quem te mantém vivo.
Sem perder um segundo a mais, Akashi recostou a cabeça pesada contra a rocha fria da parede úmida. Ele fechou os olhos, forçando o corpo exausto a relaxar o suficiente para que a consciência se descolasse da realidade física. A respiração foi desacelerando à força, guiada pelo aperto invisível da Umbra, até que o som do túnel se apagou por completo e sua mente foi arrancada para o vazio denso e cinzento do plano astral.
O mundo físico desapareceu, deixando para trás o eco das gotas d’água e o cheiro de terra mofada. Quando a consciência de Akashi se estabilizou, ele não estava mais na fenda fria da caverna, mas em um vasto e desolado plano astral.
O chão sob suas botas parecia uma superfície de vidro negro e espelhado, refletindo um céu vazio, tingido por um tom cinzento e opressor. Não havia vento, nem som, apenas a imensidão sufocante daquele vazio mental. A poucos metros dele, a Umbra materializou-se em sua forma completa — uma raposa colossal de pelagem sombria, cujos contornos pareciam feitos de fumaça densa e chamas escarlates. Os olhos da entidade brilhavam com uma ferocidade predatória, pesando sobre Akashi como toneladas de pressão.
“Levante-se, verme” a voz mental da Umbra trovejou no plano astral, ecoando como um sino de ferro batendo diretamente contra o crânio dele. “No mundo real, seu corpo é um trapo rasgado. Aqui, você não tem desculpa anatômica para a sua mediocridade. Mostre-me por que insiste em respirar.”
Akashi sentiu o peso do treino instantaneamente. No plano astral, o cansaço não era muscular, mas mental e espiritual; cada falha de concentração cobrava seu preço em tonturas avassaladoras e em uma sensação lancinante de que sua mente estava sendo esmagada. Ele cerrou os dentes, firmando a postura sobre o chão espelhado e erguendo a mão direita. Uma voluta de energia carmesim e fúcsia tentou se condensar em seus dedos, mas dissipou-se em uma poeira cinzenta antes mesmo de tomar forma.
“De novo!” a Umbra sibilou, disparando para a frente em um borrão de trevas.
O impacto foi puramente mental, mas a sensação de choque fez Akashi tropeçar para trás, arqueando o corpo como se tivesse levado um golpe físico real. A raposa rodopiou ao redor dele com uma agilidade sádica, as garras roçando o ar a centímetros de sua pele.
“Você tenta controlar a minha essência como se estivesse segurando água com as mãos abertas!” a voz da Umbra sibilava, cortante e venenosa, pingando desdém a cada segundo. “O Toque Petrificante não é um feitiço que você conjura, Akashi. É uma invasão! É a minha vontade forçando a matéria a congelar, a perder o fôlego, a estagnar na escuridão. Se você continuar implorando para a energia obedecer, ela vai continuar rindo da sua cara. Você tem que esmagá-la com a sua própria mente!”
Akashi respirou fundo, tentando ignorar a ardência fantasmagórica em suas costelas e a fúria que a própria Umbra exalava. Ele fechou os olhos por um segundo, buscando o ponto exato de conexão entre a sua essência e a da raposa. Lembrou-se do desespero da luta, da sensação do sangue escorrendo, do peso da opressão vinda do fundo do túnel e, acima de tudo, da necessidade absoluta de sobreviver.
Quando abriu os olhos, um brilho escarlate substituiu momentaneamente a exaustão em seu olhar. Ele estendeu a mão novamente, canalizando não um pedido, mas uma ordem imperativa, puxando o poder denso e gélido das trevas para a palma da sua mão.
D desta vez, a energia carmesim não se dissipou. Ela estalou com força, faíscas de fúria sombria contorcendo-se ao longo de seus dedos e formando uma lâmina de penumbra compacta e estável.
A Umbra parou o bote a poucos centímetros dele, os olhos escarlates se estreitando em uma fenda analítica. Um rosnado gutural e satisfeito vibrou no ar astral.
“Finalmente... um lampejo de utilidade” a entidade murmurou, a voz carregada de um tom desafiador. “Agora mantenha essa porcaria firme. Vamos ver quanto tempo sua mente aguenta antes de estilhaçar.”
O lampejo de energia que estabilizou na palma da mão de Akashi durou apenas o espaço de uma respiração antes de se estilhaçar como vidro fino. A voluta carmesim desfez-se em cinzas no plano astral, e o impacto da quebra reverberou diretamente em sua mente com a força de um soco, arrancando dele um gemido sufocado.
— Fraco! — a voz da Umbra trovejou, cortante como uma lâmina gelada. — Você mal segura uma fagulha e já acha que domina o fogo? De novo!
A raposa avançou como um raio de penumbra, desferindo um bote fantasmagórico que forçou Akashi a se esquivar no limite. A tentativa seguinte foi um desastre: a energia sombria escapou de seu controle, retorcendo-se em nós caóticos que murcharam antes de tocar o chão espelhado, deixando uma ardência mental insuportável em suas têmporas.
A exaustão no plano astral pesava como chumbo. Cada nova falha parecia rasgar pedaços de sua concentração, fazendo a visão de Akashi oscilar entre o reflexo do vidro negro e flashes da escuridão do túnel real.
— Você está implorando de novo, Akashi! — a Umbra sibilou, circulando-o com passos lentos, o pelo escarlate brilhando com um ardor sádico. — Sua mente é uma cerca frouxa. Endureça essa porcaria ou o primeiro monstro que sair daquele túnel vai usar seus ossos como palito de dente!
Respiração acelerada. O suor frio escorria por sua testa, mesmo naquele vazio mental. Akashi cerrou os punhos com tanta força que os nós dos dedos estalavam. Ele fechou os olhos, bloqueando a figura zombeteira da raposa, e buscou o foco na única coisa que importava: a sobrevivência. Ele lembrou do peso do abismo, da urgência de proteger quem dependia dele na superfície e da necessidade imperativa de não ser engolido pelo escuro.
Quando os olhos de Akashi se abriram, o branco habitual havia desaparecido, completamente tomado por um vermelho denso, profundo e feroz — o reflexo exato da essência predatória da Umbra fundindo-se à sua própria vontade.
Ele estendeu a mão. Desta vez, não houve hesitação.
A penumbra carmesim irrompeu de sua palma com um estalido ensurdecedor, denso, pesado e implacável. A energia não apenas estabilizou; ela expandiu-se em uma garra de trevas puras que congelou o ar ao redor em uma aura de estagnação mortal, fazendo o chão de vidro espelhado estalquear sob o peso do feitiço.
A Umbra parou bruscamente, as orelhas erguidas e os olhos escarlates fixos na lâmina de poder estável que pulsava na mão de seu hospedeiro. O silêncio reinou no plano astral, pesado e carregado de um respeito relutante.
— Desfaça essa porcaria agora, antes que queime o que restou do seu cérebro.
A voz da Umbra cortou o plano astral, ríspida e sem espaço para celebrações, enquanto a raposa desmanchava a postura de bote. Akashi, ainda sustentando a garra de trevas em sua mão com os olhos tingidos de um vermelho profundo, sentiu a advertência da entidade se traduzir em um aperto físico em seu peito.
“Você conseguiu estabilizar a forma, parabéns, o mínimo esperado para alguém que não quer virar adubo”, continuou a Umbra, circulando-o com passos lentos. “Mas abra bem os olhos e entenda uma coisa: seu corpo físico é um trapo rasgado. Se você canalizar esse nível de densidade por mais do que alguns segundos na realidade, seus vasos sanguíneos vão estourar por dentro e sua musculatura vai se rasgar como papel molhado. O Toque Petrificante é uma arma letal, Akashi, mas no seu estado atual, ela vai matar você antes de alcançar o inimigo. Use apenas como último recurso.”
A advertência sibilada ecoou como um aviso de morte antes que a consciência de Akashi fosse violentamente puxada de volta para a realidade.
Ele despertou com um jofre, as costas batendo contra a parede rochosa da fenda subterrânea. O ar frio e úmido invadiu seus pulmões com gosto de ferro e poeira. O corpo inteiro protestou com uma onda de queimação lancinante; cada músculo latejava como se estivesse em brasa, e uma vertigem violenta ameaçava derrubá-lo de volta ao chão. Mas, apesar da dor física avassaladora, havia algo diferente em sua mente. A confusão e a inconstância haviam sumido, substituídas por uma clareza fria e instintiva. O canal entre ele e a essência da Umbra havia sido forçado a se alinhar.
Apoiando as mãos trêmulas no cascalho, Akashi respirou fundo e forçou o corpo a se erguer. Ele puxou as pontas das ataduras manchadas de sangue em seus braços, apertando os nós com os dentes para garantir que as feridas não se abrissem com o movimento. Em seguida, tateou o cinto, assegurando-se de que suas adagas de penumbra estavam firmes e prontas para o saque.
O silêncio do túnel ao redor era pesado, quebrado apenas pelo gotejar monótono da água nas estalactites.
A poucos passos dele, a Umbra materializou-se sobre uma rocha, os olhos escarlates fixos na direção oposta, onde a escuridão do túnel se aprofundava na montanha. A pressão invisível e rançosa que vinha das profundezas parecia pulsar em ritmo com o coração de Akashi.
Não havia mais para onde voltar. O caminho de cima estava soterrado, e o monstro invisível aguardava no fim da linha.
Apertando os punhos, Akashi deu o primeiro passo para a penumbra densa, mergulhando de vez na escuridão do abismo.
Thoughts
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PermalinkAquilo do aviso no fim não me soa a cuidado. Ela protege é a casa onde mora, que é o corpo dele. A mesma raposa do capítulo anterior.
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PermalinkO Akashi não implora pela ajuda da raposa, ele avisa que os dois morrem juntos se ele cair. É a primeira vez que ele tem alguma coisa para pôr na mesa nessa relação, e ela cede rosnando, sem dar o braço a torcer. Para mim o treino inteiro se apoia nesse momento. Gostei muito de ler isso!
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PermalinkEssa raposa, meu rei 😩
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