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Tsugimon: glória e ruína

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Capítulo 6

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Beto_POA

Bah, o conselho do Lacarde ficou comigo, o Akashi olhando só pra lâmina e esquecendo o escudo. Passou o capítulo inteiro tentando provar valor pra raposa no ataque, e quem salvou foi uma defesa que nem pediu esforço. Aposto que a Umbra vai torcer o focinh

Bah, o conselho do Lacarde ficou comigo, o Akashi olhando só pra lâmina e esquecendo o escudo. Passou o capítulo inteiro tentando provar valor pra raposa no ataque, e quem salvou foi uma defesa que nem pediu esforço. Aposto que a Umbra vai torcer o focinho pra esse domo dourado, porque tudo que ela ensina é garra e desprezo.

Conteúdo da publicação

Capítulo 6

O impacto da queda havia ficado para trás, abafado pela esfera dourada da carta misteriosa, mas a realidade do subsolo despencou sobre Akashi assim que ele abriu os olhos.

A escuridão ali embaixo não era apenas ausência de luz; era uma presença física, densa e sufocante, que parecia pressionar contra suas pálpebras. Ele tateou o chão frio, úmido e irregular com as palmas das mãos, sentindo o cascalho fino e o limo lodoso. Tentou focar a vista, mas não havia absolutamente nada — nem um feixe tênue de luz, nem o reflexo de um cristal. Nada. Apenas o eco distante e rítmico de gotas d'água despencando em algum abismo invisível e o som da sua própria respiração ecoando de forma claustrofóbica pelas paredes invisíveis da caverna.

Sozinho. No breu total.

— Tsuki? Tenten? — chamou, mas a própria voz pareceu ser engolida pelas paredes de rocha antes de viajar meio metro.

Foi então que uma lufada de vento gélido, carregada com o cheiro inconfundível de pelagem fria e ozônio, cortou o ar estagnado ao seu lado. Uma presença altiva manifestou-se na penumbra absoluta. Umbra emergiła da própria sombra de Akashi, embora ele não pudesse vê-la com os olhos físicos. Mas sentia o peso de suas patas no chão rochoso e o rosnado baixo, carregado de um desdém refinado e irritado, vibrando diretamente em sua mente.

“Patético,” a voz mental da raposa soou cortante e cheia de sarcasmo. “Você despenca de uma montanha, sobrevive por pura caridade de uma magia intrusa que eu abomino, e agora fica tateando o chão como uma toupeira cega na primeira escuridão que encontra. É para isso que serve o meu vínculo? Para eu ter que cuidar de um caçador cego?”

— Eu não consigo ver um palmo na minha frente, Umbra — Akashi pensou de volta, mentalmente, tentando conter a frustração enquanto mantinha as mãos apoiadas nas adagas de penumbra na cintura. — Se tiver qualquer coisa vindo na minha direção, estou morto.

Um silêncio pesado e irônico pairou por um instante. Umbra emitiu um som que parecia um muxoxo felino de puro descontentamento, antes de saltar levemente sobre o ombro esquerdo de Akashi.

“Abra os olhos, inútil. E aprenda a enxergar através de quem realmente importa.”

No mesmo segundo em que o pensamento da raposa ecoou em sua mente, uma sensação de queimação gélida disparou por todo o sistema nervoso de Akashi. O frio subiu pelo pescoço, pincelou suas pálpebras e, quando ele piscou, o mundo ao seu redor sofreu uma metamorfose violenta.

A escuridão absoluta sumiu. Em seu lugar, a visão de Akashi adquiriu uma tonalidade monocromática de azul-fantasmal e cianos profundos. As paredes da caverna rochosa agora se revelavam em contornos térmicos e nítidos; cada fissura na pedra, cada veia de mineral bruto e cada fio de umidade brilhava com uma clareza impressionante. A visão sombria da Umbra havia sido integrada aos seus próprios olhos.

Mas o alívio de enxergar durou exatamente meio segundo.

Assim que a nova percepção se estabilizou, Akashi ergueu o olhar lentamente para o teto abobadado da caverna, logo acima de sua cabeça, e o sangue em suas veias congelou.

Pendurados de cabeça para baixo nas estalactites, formando um mar macabro de silhuetas escuras e asas membranosas, havia dezenas de Tsugimons selvagens. Eram criaturas de porte médio, com corpos esguios cobertos por uma pelagem cinza-chumbo, orelhas pontiagudas desproporcionais e focinhos curtos repletos de dentes expostos. Mas o que mais aterrorizava eram os olhos: centenas de pequenos pontos vermelhos e brilhantes que fixavam-se diretamente nele, famintos e despertos pela intrusão.

Eram morcegos-fantasmas da penumbra — predadores nativos do subsolo, atraídos não pelo calor, mas pela energia espiritual latente de um caçador desprotegido.

Umbra soltou um rosnado sibilante e gutural bem no ouvido de Akashi, um misto de aviso mortal e desafio predatório.

“Parece que o banquete começou, mestre. E eles não vieram com a intenção de conversar.”

O ar da caverna subterrânea era denso, pesado de umidade e impregnado com o cheiro metálico de terra e limo. Para Akashi, cada segundo parecia se arrastar em uma lentidão dolorosa, ditada pelo arfar sufocante de seus pulmões e pela ardência implacável dos ferimentos que começavam a se acumular.

O enxame de morcegos-fantasmas não atacou em uma única onda cega e desordenada; eles sondavam o terreno, voando em círculos baixos, testando as defesas do intruso com uma paciência predatória. Akashi cambaleava pelo chão de cascalho, tentando manter o equilíbrio sob a visão azulada e fantasmagórica que a Umbra lhe emprestara.

O primeiro morcego despencou do teto em um silêncio mortal. Akashi tentou erguer a adaga de penumbra, mas seus reflexos estavam entorpecidos pela exaustão e pela tensão do ambiente. A criatura passou raspando, cravando as garras afiadas diretamente no tecido de seu ombro esquerdo. O rasgão foi imediato, abrindo uma linha de carne viva que ferveu com uma ardência insuportável. Akashi sibilou entredentes, engolindo um gemido abafado enquanto o sangue quente começava a escorrer por seu braço.

Antes que pudesse recuperar a postura, um segundo morcego mergulhou pela lateral, cortando de raspão as suas costas. A dor aguda fez sua coluna arquear-se e o obrigou a dar um passo em falso no cascalho escorregadio. Cada movimento exigia um preço físico enorme; a ausência de uma armadura deixava seu corpo inteiramente exposto, e o sangue que manchava suas roupas transformava-o em um alvo cada vez mais vulnerável.

Decidido a revidar e a provar seu valor, Akashi focou na essência da raposa lunar que habitava seu espírito. Quando um terceiro morcego disparou direto contra sua garganta, ele esquivou no limite e cravou a adaga no flanco da fera, tentando aplicar o ensinamento do Toque Petrificante.

Mas a tentativa falhou miseravelmente. A energia carmesim faiscou de forma frágil na lâmina e apagou-se antes de iniciar a conversão do tecido, dissipando-se em uma fumaça cinzenta e inútil. O morcego zombou do golpe superficial e revoou ileso para o teto.

“Você é uma vergonha ambulante, Akashi!” a voz da Umbra estalou em sua mente como um chicote de pura fúria e desprezo felino. “Essa lentidão patética, esse choro por arranhões... Você está sujando o meu nome por ser incapaz de suportar o peso da minha essência! Mexa-se!”

Vendo que o mestre estava sangrando, exausto e prestes a ser soterrado pelo enxame que voltava a se fechar em círculo, a Umbra perdeu a paciência de vez. A sombra no chão distorceu-se violentamente e a raposa lunar projetou-se parcialmente para fora, desferindo um golpe brutal de garras sombrias que decepou e afastou os morcegos comuns, limpando o espaço ao redor de Akashi por um breve e precioso segundo.

Aproveitando esse silêncio momentâneo, o teto da caverna estremeceu com um som grave de garras raspando na rocha. O bando menor recuou instantaneamente, abrindo espaço para a verdadeira monstruosidade. Do alto da maior estalactite, despencou o Alfa dos Morcegos-Fantasmas com um impacto sísmico que estilhaçou o cascalho do chão.

O Alfa assumiu o controle do combate de imediato, avançando com uma força implacável. Akashi tentou erguer as adagas para se defender, mas a velocidade da criatura era avassaladora. Com um golpe lateral de sua cauda encouraçada, o Alfa atingiu seu peito em cheio. A força do impacto arrancou todo o ar de seus pulmões em um gemido sufocado e o arremessou violentamente contra a parede de rocha viva.

A espinha de Akashi chocou-se contra a pedra dura com uma força que quase apagou sua consciência. Ele escorregou, caindo de joelhos no chão úmido e cuspindo um bocado de sangue escuro, enquanto a visão começava a escurecer perigosamente nas bordas.

O Alfa avançou a passos pesados, abrindo a bocarra repleta de dentes serrilhados para desferir o bote final que esmagaria seu crânio.

Nesse instante de desespero absoluto, quando a morte parecia inevitável e a escuridão da inconsciência puxava o caçador para o fundo, uma voz completamente diferente ecoou na consciência de Akashi. Não era o timbre felino e cortante da raposa, mas uma cadência morna, profunda e estranhamente familiar, como um eco vindo do fundo de sua própria alma. Era a voz de Lacarde, a entidade guardiã da carta oculta que ele levava no peito.

“Ainda não é o seu fim, garoto,” a voz do tsugimon desconhecido murmurou, serena em meio ao caos. “Você está buscando apenas a lâmina e esquecendo o escudo que já pulsa em suas costelas. Deixe a barreira respirar através de você.”

No mesmo segundo, uma enxurrada de memórias fragmentadas e sensações futuras despencou na mente de Akashi. Visões nítidas de um domínio de energia dourada, de instantes em que a geometria de uma defesa absoluta se formava ao redor de seu corpo sem exigir esforço físico, inundaram seu ser. O calor da carta em seu bolso espalhou-se como um rio de ouro líquido pelas suas veias, colidindo e coexistindo, por um segundo que fosse, com a penumbra gélida da Umbra.

Com o Alfa a menos de um metro de distância, erguendo a pata colossal para o golpe derradeiro, Akashi abriu os olhos e exalou o resto de seu fôlego.

Movido por um instinto recém-despertado, ele estendeu a mão esquerda livre em direção à criatura. Uma explosão de luz dourada irrompeu de seu peito. A barreira de energia pura materializou-se em um domo esférico e translúcido ao seu redor, estilhaçando a penumbra da caverna com um brilho solar e ancestral.

O golpe do Alfa chocou-se contra a barreira dourada com uma violência titânica. Um estrondo ensurdecedor ecoou pelos túneis, e a força do impacto gerou uma onda de choque que varreu o chão. A barreira tremeu, a luz dourada oscilou sob o peso brutal da criatura, mas resistiu intacta, mantendo o monstro afastado e deixando o Alfa completamente estupefato diante daquele escudo inesperado.

Thoughts

  • Beto_POA

    Bah, o conselho do Lacarde ficou comigo, o Akashi olhando só pra lâmina e esquecendo o escudo. Passou o capítulo inteiro tentando provar valor pra raposa no ataque, e quem salvou foi uma defesa que nem pediu esforço. Aposto que a Umbra vai torcer o focinho pra esse domo dourado, porque tudo que ela ensina é garra e desprezo.

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  • Ovid

    Essa raposa empresta os olhos ao Akashi justo no capítulo em que mais despreza ele, e agora ainda tem a voz do Lacarde falando dentro da cabeça dele. Fico imaginando o ciúme dela quando perceber que divide o garoto com outra entidade. Eu apostaria numa briga entre os dois antes de qualquer revanche com o Alfa. Obrigado por seguir postando os capítulos por aqui!

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  • AnotaAi88

    A Umbra xinga de toupeira cega e empresta os olhos no mesmo minuto. Gosto de bicho assim, grosso e leal.

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