Ela era serenata para os meus sorrisos melancólicos,
Puro encanto em sete versos.
Poesia grávida de sentimentos distraídos.
Bálsamo para noites mal-dormidas.
Era feita de caos
E vida.
— Veja, meu bem:
Não chore agora por tudo aquilo que não vivemos.
Você sabe, somos tão pequenos
E efêmeros (demais).
A vida não vale qualquer remorso ou decepção.
Por isso, guarde o pranto,
Enxugue o rosto e procure por aquela canção que fiz há tempos
e que com o tempo se esqueceu,
Dobrada e guardada.
Envelhecida.
Esmaecida.
Amarelada.
Mas, feita pra hoje. Pra hoje.
E, enquanto você me escuta,
Entenda que importa a chuva
Cair e apagar aos poucos
A cor das pegadas todas
Que deixamos
Breves e soltas
Pela calçada.
E não há por que se culpar.
Não há o que perdoar.
Deixa apenas trovejar.