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Asas

LucaFonseca

Conteúdo da publicação

Hoje aprendemos que nem tudo o que voa é seguro. Asas de metal podem ser perigosas — não as de um avião, mas as de quem diz ser uma águia com asas de penas; de quem diz voar e nos proteger, mas, na realidade, é um robô travestido de esperança, uma máquina de manipulação e ilusão disfarçada de dias melhores.

“Os dias melhores virão.”

Amo essa frase. E, sim, eles virão. Mas virão por meio de nós, aqui de baixo, quando pararmos de observar somente o voo da águia e tentarmos alçar o nosso próprio voo, assim como Santos Dumont.

Vejo que o sonho “Dumont” é ter asas, mas, ao mesmo tempo, sentimos que nunca poderemos voar. Podemos mudar, mas, desta vez, sem a arrogância e a prepotência que nos colocam no lugar de águias. Dizemos que é só voar, mas não compartilhamos como voamos; criamos robôs para voar conosco e, no fim, tornamo-nos semelhantes àqueles que tanto criticamos.

E aqueles a quem tanto dizemos para não sermos iguais acabam se tornando a luz de um povo cujo único sonho é voar.

Thoughts

  • ateucordial

    Aceito a parte do Santos Dumont, a ideia de cada um tentar o próprio voo tem força. O remédio é que me deixa dúvidas: muita gente a tentar voar sozinha é o terreno onde a águia aterra melhor, porque ninguém tem tempo de ler o que ela promete. O que trava um manipulador é gente a voar junta e a comparar notas.

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  • MarianaGouveia

    O passo mais difícil do texto é admitir que, ao criticar quem nos manipula, acabamos parecidos com ele. Quem se sente enganado por uma promessa grande costuma ir procurar outra, com outro rosto, e chama a isso acordar.

    Desconfio que o voo próprio corre o mesmo risco: vira identidade, e quem voa passa a olhar de cima para quem ficou.

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  • Ovid

    Santos Dumont aparecer aqui me fez pensar em como ele ficou quase um santo civil no Brasil, o cara que voou sem pedir licença a ninguém. Aposto que é por isso que a imagem funciona tão bem contra a águia: um voa porque inventou as próprias asas, o outro porque promete carregar a gente nas costas. Obrigado por trazer isso no seu primeiro texto :)

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