Hoje aprendemos que nem tudo o que voa é seguro. Asas de metal podem ser perigosas — não as de um avião, mas as de quem diz ser uma águia com asas de penas; de quem diz voar e nos proteger, mas, na realidade, é um robô travestido de esperança, uma máquina de manipulação e ilusão disfarçada de dias melhores.
“Os dias melhores virão.”
Amo essa frase. E, sim, eles virão. Mas virão por meio de nós, aqui de baixo, quando pararmos de observar somente o voo da águia e tentarmos alçar o nosso próprio voo, assim como Santos Dumont.
Vejo que o sonho “Dumont” é ter asas, mas, ao mesmo tempo, sentimos que nunca poderemos voar. Podemos mudar, mas, desta vez, sem a arrogância e a prepotência que nos colocam no lugar de águias. Dizemos que é só voar, mas não compartilhamos como voamos; criamos robôs para voar conosco e, no fim, tornamo-nos semelhantes àqueles que tanto criticamos.
E aqueles a quem tanto dizemos para não sermos iguais acabam se tornando a luz de um povo cujo único sonho é voar.