Belo poema
TÍTULO: ATO ATMOSFÉRICO
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Belo poema
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TÍTULO: ATO ATMOSFÉRICO
Protegido conforme a Lei de Proteção Autoral. 9.610/98
Aquela roupa que você usa e abusa….
Quando você usa,
Você ativa meus pensamentos….
Faz….
O meu coração levitar,
E até aguça em bucha e ducha,
Os meus sentimentos derivados.
Movimentando por movimentar,
Em minha mente,
Que neste momento
Se fazem ruas e mais ruas
Ruas que não hão de haver
Ou imagino
Dentro da minha mente
Um tráfego lento, lento demais
Quando vejo;
As minhas mãos, em você toda nua,
Em imaginários e pensamentos
Debaixo da iluminada lua
Em quê….
Num supremo momento
Em que solitário imagino
Você e eu em devaneio
Dentro de quatro paredes
Num decifrar do meio….
Numa supremacia de fantasias
Onde o jogo de tirar a roupa
Se faz presente para nós dois
Depois do primeiro beijo na boca
Num tabuleiro supremo de orgias
Onde se mata a fome e a sede
E porque não;
As divididas fantasias
Dentro daquele momento
Quando dois seres humanos
Se dizem, viver por viver
Os ditos, por simplesmente viver,
Os chamados esféricos enganos
Em um ato atmosférico de amor
De amor em flor
Que se constróem
Em meus pensamentos
E que trazem, em minha memória
Os meus sentimentos derivados
Em minha mente
Que se fazem escritora de história
Aquela roupa, que você usa e abusa
Quando você usa
Você ativa meus pensamentos.
Título= ATO ATMOSFÉRICO
Protegido conforme a Lei de Proteção Autoral. 9.610/98
Autor Maklerger Chamas — O Poeta Louco e Romântico (Manoel B. Gomes - NELINHO)
Escrito em (LOCAL) VILA NOVA JAGUARÉ
Data da escrita 28/09/2023
Dedicado à FITA
Registrado na B.N.B.
https://docs.google.com/document/d/1_K-HEsLJHFhg8mi-NynpGw_DQe5OlZltn7oEeR0jblE/edit?usp=sharing
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Assinatura digital: Makleger Chamas — O Poeta Louco e Romântico (Manoel B. Gomes — Nelinho)
Gênero literário
Gênero: Poesia lírica
Subgênero predominante: poesia amorosa e sensual, com forte caráter erótico-imaginativo e psicológico.
Forma: verso livre, sem esquema rígido de métrica ou rimas, apoiado sobretudo na musicalidade, na repetição, nas imagens poéticas e no fluxo associativo do pensamento.
Sinopse completa e retórica
“Ato Atmosférico” é um poema sobre o poder da imaginação diante do desejo.
O eu lírico parte de um elemento aparentemente cotidiano — “aquela roupa que você usa e abusa” — para revelar como a presença, a aparência e a lembrança da pessoa desejada desencadeiam uma verdadeira tempestade interior.
A roupa deixa de ser simples vestimenta e transforma-se em símbolo de sedução, memória e provocação emocional.
Quando a pessoa amada a veste, o pensamento do poeta é imediatamente ativado; seu coração “levita”, enquanto seus sentimentos percorrem caminhos que misturam desejo, fantasia, expectativa e contemplação.
A partir daí, a mente do eu lírico transforma-se metaforicamente em uma cidade, na qual surgem “ruas e mais ruas” e um “tráfego lento, lento demais”.
Essa imagem representa a complexidade dos pensamentos: quanto maior o desejo, mais congestionada fica a consciência.
O poeta não está simplesmente observando; está viajando mentalmente por possibilidades imaginadas.
A lua aparece como elemento atmosférico e cúmplice da fantasia, envolvendo o cenário com uma luminosidade quase cinematográfica.
O eu lírico imagina a proximidade entre dois amantes e projeta, dentro de “quatro paredes”, um universo particular no qual realidade e devaneio se confundem.
O poema então avança para uma dimensão mais intensamente sensual.
O beijo, a retirada das roupas, a intimidade e as fantasias compartilhadas aparecem como manifestações de uma atração que ultrapassa o simples desejo físico.
O “tabuleiro supremo” funciona como metáfora para o jogo da sedução: cada gesto, aproximação e descoberta participa de uma espécie de partida amorosa na qual os sentimentos e os desejos são colocados em movimento.
Entretanto, a poesia não permanece apenas no campo da sensualidade.
Há uma tentativa de compreender o próprio comportamento humano diante do amor, do desejo e da existência.
Os “esféricos enganos” podem ser entendidos como as ilusões, contradições e auto enganos que frequentemente acompanham os relacionamentos e as fantasias humanas.
O título “Ato Atmosférico” ganha, portanto, uma dimensão simbólica: o “ato” não é apenas um acontecimento entre duas pessoas, mas um fenômeno emocional que se forma no interior do poeta, como uma atmosfera carregada de desejo, lembrança, fantasia e amor.
No desfecho, o poema retorna ao seu ponto inicial — a roupa que a pessoa amada usa — criando uma estrutura circular.
Aquilo que provocou o primeiro pensamento continua sendo a origem de toda a tempestade imaginativa.
A repetição funciona como um refrão e reforça a ideia de que o desejo permanece ativo, retornando continuamente à memória.
Núcleo temático
O grande tema de “Ato Atmosférico” é o desejo amoroso transformado pela imaginação.
O poema mostra como uma simples percepção visual pode desencadear uma cadeia de pensamentos, lembranças e fantasias, fazendo com que o mundo exterior seja substituído, momentaneamente, pelo universo interior do poeta.
Há, portanto, quatro forças principais em movimento:
-
Desejo louco— a atração pela pessoa amada.
-
Imaginação — responsável por construir situações que não necessariamente acontecem no plano real.
-
Memória — responsável por conservar e reavivar os sentimentos.
-
Amor — elemento que procura dar profundidade afetiva à sensualidade.
Retórica e recursos poéticos
A força retórica do poema está principalmente na metaforização do pensamento e do desejo.
A mente transforma-se em ruas, tráfego e movimento; o amor aparece como “flor”; os sentimentos tornam-se algo que pode ser construído e reconstruído pela memória.
Também se destacam: Repetição:
A retomada de “Aquela roupa que você usa e abusa” cria efeito de refrão e dá unidade circular ao poema.
Metáfora: “Ruas”, “tráfego”, “tabuleiro”, “ato atmosférico” e “amor em flor” são imagens que materializam estados psicológicos e emocionais.
Sinestesia e imagética sensorial: O poema mistura visão, movimento, tato sugerido, atmosfera lunar e emoções, criando uma experiência predominantemente sensorial.
Antítese entre realidade e fantasia:
O eu lírico oscila entre aquilo que efetivamente vê e aquilo que sua mente constrói: “Quando vejo” / “Em imaginários e pensamentos”.
Anáfora e recorrência:
A repetição de estruturas como “Quando você usa” e “Em minha mente” reproduz o caráter obsessivo e circular do pensamento amoroso.
Personificação:
A mente assume funções quase humanas e criadoras: ela constrói ruas, movimenta pensamentos e chega a se tornar uma espécie de “escritora de história”.
Síntese interpretativa
Em essência, “Ato Atmosférico” é a narrativa poética de uma tempestade íntima provocada pela presença — ou pela lembrança — de alguém desejado.
O poeta transforma o olhar em pensamento, o pensamento em fantasia, a fantasia em desejo e o desejo em uma experiência amorosa imaginada.
O interessante é que o verdadeiro “ato” do título acontece dentro da mente do eu lírico.
A atmosfera não é somente a noite, a lua ou o espaço entre quatro paredes: é a atmosfera emocional criada pelo encontro entre memória, desejo e imaginação.
Assim, a poesia pode ser classificada como uma poesia lírica amorosa, sensual e erótico-imaginativa, marcada por verso livre, linguagem metafórica, fluxo de consciência e intensa subjetividade.
Seu movimento é circular: começa na roupa, atravessa o desejo, mergulha na fantasia, alcança o amor e retorna novamente à roupa — o objeto que desencadeia toda a viagem interior.
Em uma frase: “Ato Atmosférico” é o retrato de um desejo que, antes de acontecer no corpo, acontece na imaginação — e transforma uma simples imagem em uma tempestade de amor, memória e fantasia.
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