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Tex e o viajante do tempo.

Eduardo13
Pública 14 conversas 19 pensamentos 29 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Tex vivia sua aposentadoria, ao lado de Zagor, viajando pela África, mas tudo iria mudar, 14.000 anos antes tudo começaria......

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oquefaltadizer

A história passa pela savana e pela selva e o único morador de lá que tem fala é um inglês criado por macacos. Aposto que numa próxima isso muda, com tanta era pra visitar.

A história passa pela savana e pela selva e o único morador de lá que tem fala é um inglês criado por macacos. Aposto que numa próxima isso muda, com tanta era pra visitar.

Conteúdo da publicação

Tex vivia sua aposentadoria, ao lado de Zagor, viajando pela África, mas tudo iria mudar, 14.000 anos antes tudo começaria......

CONAN E A MÁQUINA DOS DEUSES

Prólogo — Estígia, 12.000 a.C.

O mundo ainda era jovem.

Doze mil anos antes de Cristo, as terras da Estígia eram dominadas por desertos intermináveis, cidades de pedra negra e templos onde sacerdotes invocavam deuses cujo nome nenhum homem ousava pronunciar em voz alta.

Conan, o cimério, vagava sozinho.

Havia dias que caminhava sem encontrar uma aldeia. Seu cantil estava quase vazio e sua espada pesava sobre o quadril.

Ao alcançar o alto de uma colina rochosa, porém, ouviu um som diferente de tudo que já havia escutado.

Trovões.

Mas o céu estava quase limpo.

Conan estreitou os olhos.

Ao longe, no meio do deserto, havia centenas de homens armados.

Eram soldados da Estígia.

À frente deles estava um homem vestido como um faraó, usando uma enorme coroa dourada.

Faraó Ramatut.

Atrás dele erguia-se uma construção impossível.

Parecia uma pirâmide, mas não era feita de pedra.

Sua superfície era formada por enormes placas metálicas negras, atravessadas por linhas de luz azul. Símbolos estranhos brilhavam em suas paredes.

Conan observou em silêncio.

— Feitiçaria... — murmurou.

Então percebeu que o exército não estava atacando uma cidade.

Estava cercando um único homem.

Um velho.

Ele permanecia sozinho sobre uma formação rochosa.

Tinha cabelos e barba brancos, vestia uma armadura azul e dourada coberta por peles e segurava uma lança.

E havia algo que imediatamente chamou a atenção de Conan.

O velho tinha apenas um olho.

O outro estava coberto por um tapa-olho.

Ramatut levantou o braço.

— Odin! — gritou o faraó. — Seu tempo terminou!

O velho permaneceu imóvel.

Dois corvos pousaram sobre uma pedra próxima.

Odin respondeu:

— Meu tempo?

Ele soltou uma pequena risada.

— Homem tolo... você nem sequer compreende o tempo em que está vivendo.

Conan franziu a testa.

Ramatut apontou sua espada.

— Matem-no!

Centenas de guerreiros avançaram.

Odin bateu a ponta de sua lança no chão.

BOOOOM!

Um círculo de energia azul explodiu ao redor dele.

Os primeiros soldados foram arremessados para trás.

Conan ficou impressionado.

— Esse velho sabe lutar...

Mas então alguma coisa ainda mais estranha aconteceu.

A enorme pirâmide atrás do faraó começou a funcionar.

VRRRRRMMMMMM...

As paredes se abriram.

Dentro dela não havia tesouros.

Não havia múmias.

Havia corredores metálicos, máquinas e enormes anéis girando no ar.

Conan olhou para aquilo sem compreender.

Ramatut sorriu.

— Finalmente, Odin. Você percebeu.

O velho virou lentamente o rosto.

— A máquina.

— Sim.

Ramatut abriu os braços.

— Não é uma pirâmide.

Ele apontou para o céu.

— É uma máquina do tempo.

Odin ficou sério.

Pela primeira vez, parecia realmente preocupado.

— Quem construiu isso?

Ramatut respondeu:

— Homens que ainda não nasceram.

Conan ouviu aquelas palavras e finalmente decidiu descer da colina.

Sua mão segurou o cabo da espada.

— Então talvez seja melhor perguntar ao velho o que está acontecendo...

Ele caminhou em direção ao exército.

Um soldado estígio percebeu sua aproximação.

— Quem é você?

Conan desembainhou a espada.

— Conan. Da Ciméria.

O soldado empalideceu.

E Odin, ao longe, olhou diretamente para ele.

Seu único olho pareceu brilhar.

— Conan...

O cimério parou.

— Você conhece meu nome?

Odin respondeu:

— Ainda não.

Uma pausa.

— Mas já ouvi falar de você.

Conan franziu a testa.

— Como pode ter ouvido falar de mim se ainda não nos conhecemos?

Odin olhou para a máquina.

— Porque, cimério...

Um raio atravessou as nuvens.

— ...o que está prestes a acontecer já aconteceu.

Naquele instante, a máquina do tempo despertou completamente.

Um gigantesco portal surgiu sobre a pirâmide.

E através dele Conan viu algo impossível.

Uma cidade do futuro.

Torres metálicas tocavam as nuvens.

Naves voavam entre os edifícios.

E, no centro daquela cidade, havia uma estátua gigantesca de um homem segurando um martelo.

Conan olhou para Odin.

— Quem é aquele?

O velho ficou em silêncio.

Então respondeu:

— Meu filho.

Antes que Conan pudesse perguntar qualquer coisa, uma voz metálica ecoou dentro da máquina:

"ALERTA. LINHA TEMPORAL ALTERADA."

Ramatut sorriu.

— Agora começa a verdadeira guerra.

Odin apertou sua lança.

E Conan percebeu que, naquele dia, sua vida havia deixado de pertencer apenas à Era Hiboriana.

Ele havia acabado de entrar numa guerra pelo próprio tempo.

CONAN E A MÁQUINA DOS DEUSES

Capítulo I — Os três guerreiros

Conan não compreendia nada daquilo.

Para um cimério, homens de carne e osso eram inimigos que podiam ser enfrentados com espada. Monstros podiam ser mortos. Feiticeiros podiam ser temidos.

Mas aquela gigantesca estrutura de metal, com luzes brilhantes e círculos que giravam no ar, estava além de qualquer coisa que já tivesse visto.

E Conan não gostava daquilo.

— Feitiçaria! — rosnou.

Ramatut gritou:

— Não toque na máquina!

Era tarde demais.

Conan correu.

Ergueu sua espada e golpeou uma das placas metálicas da estrutura.

CLAAAAANG!

A espada ricocheteou.

Uma onda de energia azul saiu da máquina e atingiu Conan no peito.

— AAARRRGH!

O cimério foi lançado para trás.

Mas, em vez de cair na areia...

desapareceu.

O espaço ao redor dele se dobrou como se o próprio céu tivesse sido rasgado.

Conan foi arrastado por um túnel de luz.

Viu desertos.

Montanhas.

Cidades.

Exércitos.

Monstros.

Pirâmides.

E até mundos que não pareciam pertencer à Terra.

— Por Crom!

Então tudo ficou escuro.

Um mundo desconhecido

Conan abriu os olhos.

Estava deitado sobre uma enorme planície de pedra.

O céu era estranho. Havia nuvens negras, mas também uma luz dourada no horizonte.

Ele se levantou lentamente e verificou sua espada.

Ainda estava ali.

— Então não foi um sonho...

Uma voz respondeu:

— Não. Também não entendi onde estamos.

Conan virou-se.

Um homem gigantesco estava parado a poucos metros.

Era musculoso, usava uma pele de leão sobre os ombros e carregava uma enorme clava.

Conan segurou a espada.

— Quem é você?

O homem respondeu:

— Hércules.

Conan estreitou os olhos.

— Hércules, quem?

— Hércules.

— Filho de Zeus, Rei dos deuses gregos.

Conan soltou uma risada curta.

— Mais um homem que diz ser filho de um deus.

Hércules sorriu.

— E você deve ser um bárbaro que não acredita em deuses.

— Eu acredito em Crom.

— Então temos algo em comum.

Antes que Conan pudesse responder, um terceiro homem apareceu no alto de uma colina.

Era forte, mas diferente de Hércules. Tinha cabelos longos e carregava uma espada.

Em seu rosto havia marcas de cansaço, mas seus olhos demonstravam determinação.

Ele desceu lentamente.

— Onde estou?

Hércules respondeu:

— Não sabemos.

O homem olhou para Conan.

— E quem são vocês?

Conan respondeu:

— Conan, da Ciméria.

Hércules apontou para si.

— Hércules.

O recém-chegado ficou alguns segundos em silêncio.

— Meu nome é Sansão.

Conan olhou para Hércules.

Depois para Sansão.

— Então a máquina trouxe três guerreiros.

Sansão franziu a testa.

— Que máquina?

Conan contou rapidamente o que havia acontecido na Estígia.

Quando terminou, Hércules ficou pensativo.

— Uma máquina capaz de atravessar o tempo?

— Foi o que o faraó disse — respondeu Conan.

Sansão olhou para o céu.

— Talvez não seja apenas uma máquina.

— O que quer dizer? — perguntou Conan.

Sansão segurou sua espada.

— Talvez alguém esteja reunindo guerreiros de diferentes épocas.

Um estrondo interrompeu a conversa.

BOOOOM!

Os três olharam para o horizonte.

Uma enorme sombra surgiu atrás das montanhas.

Hércules apertou sua clava.

Conan desembainhou a espada.

Sansão levantou a arma.

Então uma voz desconhecida ecoou pela planície:

— Finalmente... os três chegaram.

Conan olhou ao redor.

— Quem falou?

Uma figura apareceu no alto das pedras.

Vestia uma armadura escura.

— Conan, o cimério.

Ele apontou para Hércules.

— Hércules, filho de Zeus.

Depois para Sansão.

— Sansão, escolhido pelo Deus de Israel.

Os três ficaram imóveis.

A figura continuou:

— Vocês foram arrancados de seus próprios tempos porque a história está sendo destruída.

Conan ergueu a espada.

— E quem é você?

A figura sorriu.

— Alguém que veio de um futuro que ainda não deveria existir.

Ao longe, um trovão ecoou.

E, muito acima deles, uma enorme estrutura metálica apareceu entre as nuvens.

A máquina de Ramatut estava seguindo-os.

Mas desta vez...

O portal não estava trazendo apenas guerreiros.

Algo gigantesco estava atravessando-o.

CONAN E A MÁQUINA DOS DEUSES

Capítulo II — A Barcaça de Odin

O céu se abriu.

Atrás da gigantesca pirâmide tecnológica surgiu uma visão que nenhum dos três guerreiros poderia imaginar.

Uma barcaça viking voadora atravessava as nuvens.

Era construída de madeira escura, reforçada com placas de metal antigo. Runas brilhavam nas laterais e, em vez de navegar pelo mar, a embarcação navegava pelo próprio céu.

No alto da proa estava ele.

Odin.

Seu único olho observava a terra muito abaixo.

Dois corvos voavam ao seu redor.

Conan levantou a espada.

— O velho!

A barcaça desceu lentamente até tocar o solo.

Odin saltou da embarcação.

Conan avançou.

— Você me lançou naquele lugar!

Odin olhou para ele e respondeu calmamente:

— Não fui eu.

— Então quem foi?

Odin caminhou até Conan.

— A máquina.

Conan ficou em silêncio.

O velho então colocou a mão sobre seu ombro.

— Para você, talvez tenha durado apenas alguns dias...

O único olho de Odin ficou sério.

— Mas para mim, Conan... foram milênios.

Conan arregalou os olhos.

— Milênios?

— Enquanto você atravessava o tempo, eu percorri eras inteiras. Vi impérios nascerem e desaparecerem. Vi homens chegarem à Lua. Vi cidades construídas no céu. Vi máquinas capazes de destruir mundos.

Hércules aproximou-se.

— E por que nos reuniu?

Odin olhou para os três.

— Porque existe uma ameaça que atravessa todas as eras.

Sansão perguntou:

— E nós devemos enfrentá-la?

Odin respondeu:

— Não sozinhos.

Nesse instante, a pirâmide começou a tremer.

As portas se abriram.

Criaturas metálicas surgiram do interior, acompanhadas por guerreiros vindos de diferentes épocas.

Conan sorriu.

— Finalmente uma coisa que posso entender.

Ele ergueu a espada.

— Uma batalha.

Hércules avançou com sua clava.

Sansão correu ao lado dele.

Odin levantou sua arma.

Um raio atravessou o céu.

E os quatro partiram juntos.

A batalha através do tempo

Conan lutava como uma tempestade.

Sua espada cortava os guerreiros metálicos enquanto ele avançava entre as ruínas.

Hércules esmagava máquinas com sua clava.

Sansão arrancava enormes peças de metal com as próprias mãos.

E Odin permanecia no centro do campo de batalha, lançando relâmpagos contra as máquinas que tentavam cercá-los.

Os quatro lutavam como se tivessem treinado juntos durante anos.

Quando a última máquina caiu, o silêncio tomou conta do vale.

Conan respirava pesadamente.

— E agora?

Odin olhou para a pirâmide.

— Agora você precisa continuar.

— Para onde?

— Mais à frente.

Conan franziu a testa.

— Outro tempo?

— Sim.

Odin apontou para a máquina.

— Você precisa chegar ao futuro. Lá encontrará dois homens.

— Guerreiros?

Odin sorriu.

— Um deles já foi um dos maiores pistoleiros que este mundo conheceu.

Conan colocou a espada na bainha.

— E o outro?

— Um homem da floresta. Um aventureiro. Um guerreiro que conhece cada segredo das matas.

Conan olhou para Hércules e Sansão.

— E eles?

Odin respondeu:

— Nossos caminhos ainda se cruzarão.

Hércules estendeu a mão a Conan.

— Foi uma honra lutar ao seu lado.

Sansão fez o mesmo.

— Que Deus guie seus passos.

Conan olhou para os dois.

— Se o destino quiser nos reunir novamente, estarei pronto.

Então entrou na máquina.

Odin acionou os mecanismos.

A luz tomou conta de tudo.

África — muitos séculos depois

O sol estava se pondo sobre a savana.

Dois homens viajavam lentamente em meio à paisagem africana.

Um deles era velho, mas ainda carregava no rosto a expressão de quem já havia enfrentado centenas de perigos.

Seu cabelo estava grisalho.

O revólver permanecia preso à cintura.

Era Tex Willer.

Aposentado, havia deixado para trás as antigas aventuras e agora percorria o continente africano ao lado de seu velho companheiro.

Ao seu lado caminhava um homem de chapéu e roupa de aventureiro.

Zagor.

Zagor olhou para o horizonte.

— Está sentindo isso, Tex?

Tex parou.

— Sentindo o quê?

Zagor apontou para o céu.

Uma luz apareceu entre as nuvens.

Primeiro pequena.

Depois enorme.

Uma esfera azul desceu sobre a savana.

Tex colocou a mão sobre o revólver.

— Isso definitivamente não é coisa desta terra.

Zagor segurou sua arma.

— Concordo.

A esfera abriu-se.

E de dentro dela caiu um homem.

Ele rolou pela areia, levantou-se lentamente e olhou ao redor.

Era Conan.

Tex apontou o revólver.

Zagor preparou-se para atacar.

Conan desembainhou a espada.

Os três ficaram frente a frente.

Tex estreitou os olhos.

— Quem diabos é você?

Conan olhou para o revólver.

Depois para Zagor.

E respondeu:

— Sou Conan, da Ciméria.

Tex ficou alguns segundos em silêncio.

— Ciméria?

Conan apontou para o céu.

— Vim de muito longe.

Zagor olhou para a máquina desaparecendo nas nuvens.

— Isso eu acredito.

Então, atrás deles, surgiu uma voz familiar.

— Conan!

O cimério virou-se.

Muito acima da savana, a barcaça de Odin reaparecia entre as nuvens.

O velho guerreiro olhou para Tex e Zagor.

E sorriu.

— Finalmente encontramos os homens que procurávamos.

Tex levantou uma sobrancelha.

— Eu me aposentei justamente para não ter mais problemas desse tipo.

Conan sorriu.

— Então você se aposentou na época errada.

E, ao longe, um trovão anunciou que a maior aventura de todos os tempos estava apenas começando.

CONAN E A MÁQUINA DOS DEUSES

Capítulo III — Os Dois Odins

O trovão ainda ecoava sobre a savana.

Conan permanecia diante de Tex Willer e Zagor, enquanto a barcaça de Odin pairava alguns metros acima do chão.

O velho deus desceu lentamente.

Tex não tirava a mão do revólver.

— Então você é Odin?

Odin olhou para o pistoleiro.

— Sou.

Zagor observou o velho guerreiro atentamente.

— E por que trouxe Conan até nós?

Odin caminhou até a esfera azul, que ainda emitia uma fraca luz sobre a areia.

— Porque essa máquina não é apenas uma máquina do tempo.

Conan franziu a testa.

— Então o que é?

Odin tocou a superfície metálica.

— É uma máquina que atravessa eras. E, em certas condições, pode escolher o destino de quem está dentro dela.

Tex olhou para Conan.

— Você sabe quanto tempo ficou viajando?

— Para mim, foram dias.

Odin respondeu:

— Para você.

Conan encarou o velho.

Odin continuou:

— Mas a máquina não levou apenas você através do tempo. Ela também percorreu o caminho contrário.

Zagor perguntou:

— Como assim?

Odin apontou para o céu.

— Quando Conan foi lançado para aquela era distante, a máquina continuou seu percurso. E, no futuro, depois de atravessar milhares de anos, ela voltou para o passado.

Tex ficou sério.

— Quanto tempo?

Odin respondeu:

— Quatorze mil anos.

O silêncio tomou conta da savana.

Conan arregalou os olhos.

— Quatorze mil anos?

— Sim. — respondeu Odin. — A máquina passou por civilizações que vocês nem imaginam. Atravessou impérios esquecidos, continentes que mudaram de forma e épocas em que os próprios nomes dos deuses haviam desaparecido da memória dos homens.

Zagor olhou para a máquina.

— E como Conan conseguiu entender todos nós?

Odin sorriu.

— Essa é outra função da máquina.

Tex aproximou-se.

— Um tradutor?

— Um tradutor universal.

Odin explicou:

— A máquina não apenas transporta o corpo. Ela adapta a linguagem daquele que viaja. Conan ouve vocês como se falassem sua própria língua. E vocês o ouvem da mesma maneira.

Conan olhou para Tex.

— Então aquela coisa também fala por nós?

— Não exatamente — respondeu Odin. — Ela faz com que as palavras atravessem as barreiras dos séculos.

Zagor cruzou os braços.

— Isso significa que podemos encontrar homens de qualquer época?

Odin ficou em silêncio por alguns segundos.

— Se a máquina continuar aberta... sim.

Tex soltou um suspiro.

— Eu sabia que devia ter ficado na aposentadoria.

Conan sorriu.

— Você fala muito disso para alguém que ainda carrega um revólver.

Tex respondeu:

— Hábito antigo.

Zagor riu.

Mas Odin não acompanhou o sorriso.

Seu semblante tornou-se grave.

— Há outra coisa que vocês precisam saber.

Os três olharam para ele.

— Meu filho Thor não poderá participar desta guerra.

Conan perguntou:

— Por quê?

Odin olhou para o horizonte.

— Porque existe um problema que nem mesmo os deuses podem resolver.

Tex levantou uma sobrancelha.

— Já ouvi falar do deus do trovão viking, que problema é esse?

Odin respirou profundamente.

— Existem dois Odins.

Conan ficou imóvel.

Zagor perguntou:

— Dois?

— Dois. — confirmou Odin. — Um pertence à minha era. O outro pertence a uma era futura.

Tex perguntou:

— E o que aconteceria se eles se encontrassem?

Odin respondeu:

— Não sabemos.

Conan apertou o cabo da espada.

— Vocês nunca tentaram?

— Não.

Odin apontou para as estrelas.

— Os dois sabem da existência um do outro. Durante milênios, recebemos sinais. Visões. Mensagens através de artefatos. Ecos através do tempo.

Zagor perguntou:

— Então vocês conversaram?

Odin fez um leve sorriso.

— Algumas vezes.

Tex ficou intrigado.

— Como dois homens que vivem em épocas diferentes podem conversar?

— Para os mortais, seria impossível. Para nós, não.

Odin continuou:

— Mas existe uma regra que jamais quebramos.

Ele olhou diretamente para Conan.

— Nunca permitir que os dois Odins estejam no mesmo lugar e no mesmo momento.

Conan perguntou:

— E Thor?

Odin respondeu:

— Thor pertence ao outro lado dessa linha temporal. Se ele atravessasse para esta guerra, poderia encontrar o outro Odin.

— E isso seria perigoso?

Odin ficou em silêncio.

Depois respondeu:

— Pode ser muito pior do que perigoso.

O vento soprou sobre a savana.

Tex finalmente guardou o revólver.

— Muito bem. Então temos uma máquina que atravessa quatorze mil anos, dois Odins que não podem se encontrar e uma ameaça que está viajando através do tempo.

Zagor olhou para Conan.

— E ainda temos ele.

Conan ergueu uma sobrancelha.

— Algum problema?

Zagor sorriu.

— Nenhum.

Tex olhou para Odin.

— E quem está por trás de tudo isso?

Odin virou-se lentamente para a máquina.

— Ainda não sabemos.

Então um dos corvos desceu do céu e pousou no ombro de Odin.

O deus fechou os olhos por um instante.

Quando os abriu novamente, havia preocupação em seu rosto.

— Mas agora sei uma coisa.

Conan perguntou:

— O quê?

Odin apontou para o interior da esfera.

— A máquina não trouxe Conan até vocês por acaso.

Tex ficou sério.

— Então por quê?

Odin respondeu:

— Porque alguém, em algum ponto do futuro, programou a máquina para encontrar exatamente vocês três.

Conan segurou a espada.

Zagor preparou-se.

Tex voltou a colocar a mão sobre o revólver.

Odin então subiu novamente para a barcaça.

— Entrem.

Tex olhou para Zagor.

— Eu realmente sinto falta da minha aposentadoria.

Zagor respondeu:

— Você nunca esteve realmente aposentado.

Conan sorriu.

— Então vamos descobrir quem está brincando com o tempo.

Os três subiram na barcaça.

Quando Odin levantou a mão, as runas começaram a brilhar.

A barcaça se elevou.

Abaixo deles, a máquina desapareceu completamente.

E, muito longe dali, em uma época que nenhum deles conhecia...

alguém observava.

Uma figura estava diante de outra máquina.

E dizia:

— Eles finalmente estão juntos.

Uma segunda voz respondeu:

— Conan. Tex Willer. Zagor.

A figura sorriu.

— E agora podemos começar a verdadeira guerra.

CONAN E A MÁQUINA DOS DEUSES

Capítulo IV — O Senhor da Selva

A barcaça de Odin desapareceu entre as nuvens.

Horas depois, Conan, Tex Willer e Zagor avançavam por uma densa floresta africana.

As árvores eram gigantescas. Cipós desciam dos galhos como serpentes, e o som de animais desconhecidos ecoava por todos os lados.

Conan caminhava na frente, espada desembainhada.

Tex seguia logo atrás.

Zagor observava atentamente a mata.

— Estamos sendo observados.

Tex parou.

— Também senti.

Conan ergueu a espada.

— Mostre-se!

Nada.

Apenas o vento movimentando as folhas.

Zagor olhou para o alto.

— Lá!

Por uma fração de segundo, uma sombra passou entre as árvores.

Conan avançou.

— Covarde!

Mas a figura já havia desaparecido.

Tex sorriu.

— Esse aí conhece a floresta melhor do que nós.

Então um rugido ecoou.

Conan apertou a espada.

— Um leão?

Zagor respondeu:

— Não.

Um homem saltou de uma árvore.

Caiu diante deles sem fazer praticamente nenhum ruído.

Era alto, musculoso e vestia apenas roupas simples feitas para sobreviver na selva.

Seu olhar era atento.

Nas mãos carregava uma lança.

Tex imediatamente levou a mão ao revólver.

Zagor preparou-se.

Conan apontou a espada.

O homem ergueu a mão.

— Não vim lutar.

Tex estreitou os olhos.

— Então quem é você?

O homem respondeu:

— Tarzan.

Conan ficou intrigado.

— Outro guerreiro?

Tarzan olhou para a espada do cimério.

— Pelo que vejo, você também conhece a guerra.

Zagor sorriu.

— E você conhece esta floresta.

Tarzan olhou para os três.

— Conheço cada árvore, cada rio e cada criatura daqui.

Nesse momento, um rugido veio da mata.

Tarzan respondeu com outro rugido.

Os três ficaram espantados.

O animal apareceu entre as árvores, mas, ao reconhecer Tarzan, simplesmente passou por eles e desapareceu.

Conan sorriu.

— Gostei desse homem.

Tex guardou o revólver.

— Pelo menos não tentou nos matar.

Zagor perguntou:

— Como sabia que estávamos aqui?

Tarzan apontou para o alto.

— A floresta me contou.

Conan olhou para Zagor.

— Esse homem fala como um feiticeiro.

Zagor riu.

— Talvez você tenha passado tempo demais viajando pelo tempo.

O FEITIÇO DE ODIN

Muito acima da floresta, Odin permanecia sozinho na barcaça.

Ele colocou um antigo artefato sobre o convés.

Runas começaram a surgir.

Odin levantou sua lança.

— Pelas forças que existem além das eras...

O céu escureceu.

— Pelos caminhos que ligam passado, presente e futuro...

Um círculo luminoso apareceu diante dele.

Então Odin ouviu uma voz.

Não vinha da floresta.

Não vinha do céu.

Parecia vir de todos os tempos ao mesmo tempo.

— Odin...

O velho deus abriu o único olho.

— Eu conheço essa voz.

Outra voz surgiu.

Mais grave.

Mais distante.

— A guerra começou.

Odin apertou a lança.

— Os Imortais.

O círculo de luz aumentou.

Dentro dele apareceram figuras indistintas.

E então uma presença surgiu no centro.

Uma armadura vermelha como sangue.

Um elmo cobrindo o rosto.

Uma capa escarlate movimentava-se sem que houvesse vento.

Odin encarou a figura.

— Centurião Escarlate.

A voz respondeu:

— Finalmente.

Odin perguntou:

— Foi você quem recrutou Conan?

— Sim.

— E Tex?

— Também.

— Zagor?

— Sim.

Odin estreitou o olhar.

— E agora Tarzan?

O Centurião Escarlate respondeu:

— Ainda não.

Odin ficou em silêncio.

— Então por que ele está aqui?

O Centurião respondeu:

— Porque alguns heróis não precisam ser recrutados.

Nesse momento, a floresta inteira começou a tremer.

Tarzan levantou a cabeça.

Conan segurou a espada.

Tex sacou o revólver.

Zagor preparou sua arma.

Os animais começaram a fugir.

Tarzan disse:

— Algo está chegando.

No céu, uma gigantesca abertura surgiu entre as nuvens.

Centenas de criaturas começaram a descer.

Guerreiros de diferentes épocas.

Soldados romanos.

Guerreiros medievais.

Homens armados com armas futuristas.

Máquinas.

Criaturas de metal.

Todos misturados.

Conan sorriu.

— Finalmente!

Tex olhou para ele.

— Você gosta mesmo de problemas.

— Gosto de inimigos que posso cortar.

Zagor girou sua arma.

— Então teremos bastante trabalho.

Tarzan segurou sua lança.

— Esta é minha floresta.

Um rugido ecoou.

Centenas de animais surgiram atrás dele.

Gorilas.

Leopardos.

Elefantes.

Leões.

A selva inteira parecia ter despertado.

Conan olhou para Tarzan.

— Agora sim temos um exército.

Tarzan respondeu:

— Não.

Ele apontou para a floresta.

— Temos a selva.

A BATALHA TEMPORAL

O primeiro grupo de inimigos avançou.

Conan correu.

Sua espada encontrou o primeiro guerreiro.

CLANG!

Tex disparou.

BANG!

Zagor saltou sobre um inimigo e o derrubou com um golpe.

Tarzan desapareceu entre as árvores.

Um segundo depois, um soldado foi puxado para cima por um cipó.

— O que foi isso?!

Tarzan surgiu atrás dele.

THUMP!

O homem caiu.

Conan ria enquanto lutava.

— Esse homem é excelente!

Tex respondeu:

— Concordo!

De repente, uma enorme máquina surgiu entre as árvores.

Ela apontou uma arma para Conan.

Tarzan lançou sua lança.

A arma atingiu o mecanismo.

Zagor disparou.

Tex também.

Conan correu diretamente contra a máquina.

Saltou.

E cravou sua espada no núcleo metálico.

A máquina explodiu.

BOOOOM!

Todos foram jogados para trás.

Quando a fumaça desapareceu, Conan levantou-se.

Ao lado dele estavam Tex, Zagor e Tarzan.

Então uma voz ecoou pelo céu:

— HERÓIS DE TODAS AS ERAS!

Todos olharam para cima.

O Centurião Escarlate apareceu dentro de um gigantesco portal.

— O tempo está sendo destruído.

Odin surgiu ao lado dele.

— E somente aqueles que atravessaram as eras poderão impedir isso.

Conan levantou a espada.

Tex preparou o revólver.

Zagor ergueu sua arma.

Tarzan levantou a lança.

Odin apontou sua lança para o portal.

E o Centurião Escarlate declarou:

— A GUERRA TEMPORAL COMEÇOU.

Um clarão cobriu a floresta.

E, em algum lugar muito distante...

dois homens observavam a batalha.

Um deles era outro Odin.

E o outro...

ninguém deveria encontrar.

Ainda não.

CONAN E A MÁQUINA DOS DEUSES

Capítulo V — Kang, O Conquistador

A floresta havia se transformado em um campo de batalha.

Fumaça subia entre as árvores. Máquinas destruídas queimavam no chão, enquanto guerreiros de diferentes épocas recuavam.

Conan respirava profundamente.

Tex recarregava o revólver.

Zagor observava o céu.

Tarzan permanecia imóvel sobre um enorme tronco, como se pudesse sentir cada movimento da floresta.

Então...

TUDO PAROU.

Os animais ficaram imóveis.

As folhas deixaram de se mover.

Até o fogo das máquinas pareceu congelar.

O portal no céu aumentou.

Uma figura surgiu dentro dele.

Armadura metálica.

Capa.

Um rosto frio.

Olhos que pareciam ter visto o nascimento e a morte de incontáveis civilizações.

O Centurião Escarlate abaixou a cabeça.

— Finalmente...

O homem desceu lentamente.

— Eu sou Kang.

Conan levantou a espada.

— Outro feiticeiro?

Kang sorriu.

— Não, cimério.

Ele olhou para todos.

— Sou aquele que aprendeu a dominar o próprio tempo.

Tex apontou o revólver.

— E o que você quer?

Kang respondeu:

— Tudo.

Zagor perguntou:

— Quem é você realmente?

Kang ficou em silêncio por alguns segundos.

Então respondeu:

— Já fui muitos homens.

A armadura começou a mudar.

Por um instante, surgiu a imagem de um jovem.

— Nathaniel Richards.

Depois outra aparência.

— O Rapaz de Ferro.

A imagem mudou novamente.

— Ramatut.

Depois apareceu a figura que todos haviam visto.

— Centurião Escarlate.

O Centurião Escarlate que estava diante deles permaneceu imóvel.

Conan olhou de um para o outro.

— Então são a mesma pessoa?

Kang respondeu:

— Fragmentos de possibilidades. Caminhos diferentes. Destinos diferentes.

A armadura voltou à forma de Kang.

— Mas todos esses caminhos terminam em mim.

Ele abriu os braços.

— Kang, o Conquistador.

O céu escureceu.

Kang continuou:

— Alguns me chamaram de imortal.

A floresta tremeu.

— Alguns me chamaram de aquele que permanece.

O portal atrás dele se abriu ainda mais.

— Mas hoje...

Ele olhou diretamente para Odin.

— Eu sou aquele que conquistou o tempo.

Odin desceu da barcaça.

Seu manto agitava-se violentamente.

— Não.

Kang sorriu.

— Você novamente.

Odin ergueu sua lança.

— Eu conheço homens que pensam controlar o tempo.

Kang respondeu:

— E eu conheço deuses que pensam poder impedir-me.

Conan ficou ao lado de Odin.

Tex e Zagor aproximaram-se.

Tarzan segurou a lança.

Kang olhou para os cinco.

— Vocês são apenas ecos de eras mortas.

Conan respondeu:

— Então venha descobrir se um eco pode cortar sua garganta.

Kang riu.

— Interessante.

O FEITIÇO DE ODIN

Odin fechou o olho.

Começou a pronunciar palavras antigas.

As runas da barcaça acenderam-se.

Uma.

Duas.

Dezenas.

Centenas.

O céu começou a formar um gigantesco círculo de energia.

Kang percebeu.

Seu sorriso desapareceu.

— Você pretende usar magia temporal?

Odin não respondeu.

Continuou o encantamento.

— Forças antigas...

Relâmpagos começaram a surgir.

— Poderes que existiam antes dos homens...

Kang levantou a mão.

— Parem-no!

As máquinas avançaram.

Conan atacou.

Tex disparou.

Zagor entrou na luta.

Tarzan desapareceu entre as árvores.

Os guerreiros de Kang tentavam chegar até Odin.

Mas Conan abriu caminho.

— NINGUÉM PASSA!

Tex derrubou uma máquina.

Zagor derrubou outra.

Tarzan surgiu de uma árvore e lançou sua lança contra um soldado.

Enquanto isso, Odin continuava.

— Que o passado responda ao presente...

Então aconteceu algo inesperado.

Muito longe dali.

Em outra era.

Outro Odin abriu os olhos.

Ele estava diante de um antigo altar.

Sentiu o chamado.

E reconheceu imediatamente o feitiço.

— Meu outro eu...

O segundo Odin levantou sua lança.

— Você precisará de mais força.

Ele começou a pronunciar as mesmas palavras.

Dois feitiços.

Duas eras.

Dois Odins.

Um único poder.

No céu, o círculo de energia duplicou.

Kang olhou para cima.

Pela primeira vez, seu rosto demonstrou surpresa.

— Não...

Odin abriu o olho.

E, através do tempo, ouviu a voz do outro Odin:

— Agora.

O velho deus sorriu.

— Agora.

As duas forças se uniram.

Um gigantesco raio atravessou o céu.

Não era simplesmente um relâmpago.

Era energia temporal.

O passado, o presente e o futuro pareceram se encontrar naquele único instante.

Kang tentou abrir um portal.

Nada aconteceu.

Tentou novamente.

O portal se fechou.

— Impossível!

Odin levantou sua lança.

— Você passou milhares de anos dominando o tempo...

Conan ergueu a espada.

Tex apontou o revólver.

Zagor preparou-se.

Tarzan lançou um grito que ecoou pela selva.

Odin completou:

— Mas esqueceu que o tempo também pode lutar contra você.

Os dois Odins lançaram o feitiço.

KRAAAAAAAM!

Uma explosão de luz atingiu Kang.

Sua armadura começou a rachar.

As imagens de suas diferentes versões apareceram ao redor dele:

Rapaz de Ferro.

Ramatut.

Centurião Escarlate.

Imortais.

E, finalmente...

Kang.

Ele caiu de joelhos.

Mas ainda sorria.

— Vocês acham...

Ele levantou lentamente a cabeça.

— ...que esta é a minha primeira derrota?

Odin ficou sério.

Kang abriu a mão.

Dentro dela havia um pequeno fragmento da máquina temporal.

— Eu preparei esta guerra há milhares de anos.

A máquina começou a pulsar.

— E vocês acabam de fazer exatamente aquilo que eu precisava.

Conan franziu a testa.

— O que fizemos?

Kang sorriu.

— Abriram a porta.

Atrás dele surgiu um portal gigantesco.

Do outro lado...

havia incontáveis mundos.

Incontáveis eras.

E milhares de versões de Kang.

Odin finalmente percebeu.

— Não...

Kang levantou-se.

— A verdadeira guerra temporal está apenas começando.

CONAN E A MÁQUINA DOS DEUSES

Capítulo VI — O Último Segredo de Odin

O portal de Kang crescia sobre a floresta.

Milhares de imagens apareciam dentro dele: cidades futuristas, exércitos, mundos desconhecidos e versões diferentes do próprio Kang.

Conan apertou a espada.

Tex olhou para Odin.

— Você parece ter perdido a confiança.

Odin não respondeu.

Apenas sorriu.

Kang percebeu.

— Do que está rindo?

Odin levantou lentamente a cabeça.

— De você.

Kang franziu a testa.

— Eu conheço todas as possibilidades!

— Não esta.

O silêncio tomou conta da floresta.

Odin continuou:

— Você cometeu um erro.

— Qual?

— Achou que eu estava descobrindo o que aconteceria agora.

Odin bateu a ponta da lança no chão.

— Eu já sabia.

Kang ficou imóvel.

— Impossível.

Odin respondeu:

— Para você, talvez.

Então o velho deus olhou para o céu.

— Há quatorze mil anos, meu outro eu já viu esta batalha.

Kang percebeu lentamente.

— O outro Odin...

— Sim.

Odin sorriu.

— O Odin que viveu antes de mim já assistiu a tudo isso.

Kang recuou um passo.

— Então...

— Ele conhecia seus movimentos.

Odin levantou a lança.

— Conhecia sua máquina.

Outro relâmpago surgiu.

— Conhecia seu plano.

Mais um.

— E conhecia o momento exato em que você abriria o portal.

Kang tentou reagir.

Mas uma nova presença surgiu.

Uma voz ecoou pelo campo de batalha:

— E eu conheço o que acontece depois.

Todos olharam para o portal.

Uma figura surgiu.

Vestia uma armadura diferente.

Mais antiga.

Mais imponente.

Seu rosto carregava a expressão de alguém que já havia vivido incontáveis eras.

Kang ficou completamente imóvel.

— Não...

Conan perguntou:

— Quem é esse?

Odin respondeu:

— Immortus.

A figura caminhou lentamente.

— Ou, como alguns preferem dizer...

Ele olhou para Kang.

— ...o homem que você será.

Kang recuou.

— Eu jamais serei você!

Immortus respondeu:

— Todos dizem isso.

Kang lançou uma rajada de energia.

Immortus levantou a mão.

A energia simplesmente desapareceu.

— Você ainda pensa como um conquistador.

Immortus aproximou-se.

— Eu aprendi que conquistar o tempo não significa dominá-lo.

Kang gritou:

— Cale-se!

Immortus respondeu:

— Significa ser condenado a viver com as consequências de cada escolha.

Então Immortus olhou para Odin.

— Está na hora.

Odin assentiu.

Os dois Odins, separados por quatorze mil anos, ergueram suas armas simultaneamente.

O céu abriu-se.

O tempo começou a se desfazer.

As máquinas desapareceram.

Os exércitos de Kang foram apagados dos campos de batalha.

As árvores voltaram a seus lugares.

Os rios retomaram seus cursos.

As ruínas desapareceram.

A própria floresta parecia respirar novamente.

Kang tentou resistir.

— Eu sou eterno!

Immortus respondeu:

— Não.

E tocou a armadura de Kang.

— Você é apenas parte da história.

Um clarão.

Kang desapareceu.

O portal fechou-se.

E o tempo começou a se recompor.

O RETORNO

Conan olhou ao redor.

Tex e Zagor que não largava sua machadinha estavam diante dele.

Tarzan permanecia entre as árvores.

Odin aproximou-se.

— A guerra terminou.

Conan perguntou:

— E Kang?

Immortus respondeu:

— Ele continuará existindo em algum lugar do tempo.

Tex suspirou.

— Então isso significa que ainda podemos encontrá-lo?

Immortus olhou para o horizonte.

— Talvez.

Zagor perguntou:

— E nós?

Immortus respondeu:

— Cada um de vocês deve retornar ao seu próprio tem, vocês três são do agora, Hércules e Sansão já foram devolvidos.

Conan olhou para Odin.

— E eu?

Odin ficou em silêncio.

Immortus respondeu:

— Você não pertence a este futuro.

Conan apertou a espada.

— Então para onde vou?

Immortus abriu um portal.

Do outro lado havia montanhas.

Cidades antigas.

Exércitos.

Crom.

A Era Hiboriana.

Conan reconheceu imediatamente.

— Minha terra...

Immortus colocou a mão sobre seu ombro.

— Você precisa voltar.

Conan olhou uma última vez para Tex.

— Talvez nossos caminhos se cruzem novamente.

Tex sorriu.

— Com essa história, eu não duvido de mais nada.

Zagor estendeu a mão.

— Foi uma honra.

Conan apertou sua mão.

Depois olhou para Tarzan.

O homem da selva apenas inclinou a cabeça.

Conan fez o mesmo.

Então ele atravessou o portal.

ERA HIBORIANA

Conan caiu sobre a areia.

Levantou-se rapidamente.

Olhou ao redor.

Montanhas.

Cavalos.

Homens armados.

O cheiro familiar de sua própria época.

Ele havia voltado.

Muito longe dali, Immortus observava através de uma janela temporal.

Odin aproximou-se.

— Ele não se lembrará de tudo.

Immortus respondeu:

— Não precisa.

— Por quê?

Immortus olhou para a imagem de Conan.

— Porque algumas aventuras devem permanecer como lendas.

A janela temporal começou a fechar.

Antes de desaparecer, Immortus disse:

— E há outra coisa.

Odin olhou para ele.

— O quê?

Immortus respondeu:

— A máquina dos deuses ainda existe.

Odin ficou sério.

— Onde?

Immortus sorriu.

— No futuro.

E desapareceu.

Na Era Hiboriana, Conan montou seu cavalo.

Olhou para o horizonte.

Sem saber exatamente por quê, sorriu.

— Deuses...

E partiu.

Mas, em algum ponto muito distante do tempo, uma pequena luz azul voltou a acender.

A máquina ainda estava esperando seu próximo viajante.

Um dia Conan irá para o futuro, lutará ao lado de grandes heróis, isso é para o futuro.

Tex, Zagor e Tarzan finalmente podem descansar um pouco, mas num mundo onde pessoas podem atravessar o tempo e espaço, tudo é uma incógnita, tudo pode acontecer.

Fim

Thoughts

  • oquefaltadizer

    A história passa pela savana e pela selva e o único morador de lá que tem fala é um inglês criado por macacos. Aposto que numa próxima isso muda, com tanta era pra visitar.

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  • Clara_V

    Kang ser o Ramatut, o Centurião Escarlate e o Rapaz de Ferro ao mesmo tempo é bem coisa da Marvel mesmo, tu pegou certinho. Botar isso numa pirâmide na Estígia foi a melhor parte kkk

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  • HoracioMelo

    Dois Odins. Pronto.

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  • Ovid

    Juntar Tex, Zagor, Conan e Tarzan na mesma savana, com o Kang no meio, me fez pensar em como cada um desses personagens vem de uma estante diferente e mesmo assim aqui conversam como velhos conhecidos. Aposto que a máquina ainda acesa no final é a desculpa perfeita pra trazer mais gente de outras eras. Obrigado por postar a história inteira!

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  • mesaDeBar

    O Tex dizendo que se aposentou justamente pra não ter mais problema desse tipo é a cara de todo aposentado que eu conheço kkk

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