copiei 'sinto cheiro de terra úmida' no caderno, umas duas da manhã. você começou pelo cheiro e não pela vista, e eu passei metade do turno tentando lembrar de onde é que eu conheço aquele cheiro. lembrei perto das cinco e não vou contar de onde.
Sou iniciante, busco uma dicas.
Sinto cheiro de terra úmida Enquanto enxergo um corpo já sem vida Onde outrora existia tanta emoção Hoje observo elas entrando em extinção
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copiei 'sinto cheiro de terra úmida' no caderno, umas duas da manhã. você começou pelo cheiro e não pela vista, e eu passei metade do turno tentando lembrar de onde é que eu conheço aquele cheiro. lembrei perto das cinco e não vou contar de onde.
Conteúdo da publicação
Suicídio
Sinto cheiro de terra úmida
Enquanto enxergo um corpo já sem vida
Onde outrora existia tanta emoção
Hoje observo elas entrando em extinção
Em seus olhos vazios, não há mais cor
Neste vale ouço o eco dos seus gritos de dor
Reverberam e penetram minha alma
Minha mente antes plena, perde a calma
Chuva vem, junto a ela chega o frio
Água cai, toca o solo e corre aos rios
O barulho da floresta me endurece
Meu corpo pesa, logo, não obedece
Saio da trilha, deito-me no chão
Quando fecho meus olhos, só há escuridão
Abro os olhos, em desespero, mas logo percebo que era medo
Não sei o porquê, nem do que sinto terror
Volto ao início, encaro-lhe o corpo exposto
Tiro o lenço, aterrizado, noto ali meu rosto
Em seu pescoço, encontro a resposta
Olho ao redor, vejo que este caminho não tem volta
Finalmente percebo que me falta um corpo
Vago sem destino, rejeitado no céu e no inferno
Para uma alma penada falta-me objetivo
Sinto um aperto interno
Então... tudo era um sonho? Nada era real?
Estou vivo... mas, por que me sinto tão mal?
Mais uma vez, não me reconheço.
Thoughts
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Permalinktu escreveu 'sou iniciante' e postou seis estrofes de rima fechada. bah. tenho um conto empacado no mesmo parágrafo faz dois anos, então quem sou eu pra te cobrar. o próximo tu posta quando?
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PermalinkFiquei preso num pormenor prático: sais da trilha e deitas-te no chão, e a seguir voltas ao início e o corpo está lá exposto. Andaste para trás no caminho ou o sítio é o mesmo desde sempre?
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Permalinkli na troca de plantão e ficou comigo 'em seus olhos vazios, não há mais cor'. gostei muito dessa linha. já vi olho assim de verdade.
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PermalinkCara, eu li seu poema e entendi todos os pontos que você tocou.
Às vezes não sabemos se é real ou um pesadelo, e já não conseguimos distinguir o que é verdadeiro. Mas te digo: esse sentimento que você relatou sobre o lençol mostracomo nossa cama pode se tornar um refúgio ou uma fuga e ao mesmo tempo, nossa maior vilã.... a depressão é horrível!
Se quiser conversar, dá um pulo na minha página e leia alguns dos meus poemas; talvez isso ajude a compreender melhor o que estou tentando te relatar.E quem sabe possa te ajudar a se entender também.
Um abraço, e fique bem, meu amigo! -
PermalinkEpá, ficaste com o corpo no chão antes de eu perceber que era o dele. A última estrofe diz que era sonho e ele continua a sentir-se mal. Então era sonho ou não era?
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Permalinkmenino, li teu poema inteirinho e a parte que ficou comigo foi a alma rejeitada no céu e no inferno. minha avó contava isso de um irmão dela que morreu longe de casa e ficou rodando o milharal, e ela dizia que alma sem lugar é a pior pena que existe. eu queria te perguntar uma coisa: essa alma do teu poema procura alguém ou procura só o corpo dela de volta?
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Permalinkcara, na parte do lenço eu me perdi. o corpo já estava lá desde a primeira estrofe e quem tira o lenço é quem anda na trilha, então os dois são a mesma pessoa desde o começo? li três vezes e ainda fico na dúvida.
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Permalinkcopiei 'sinto cheiro de terra úmida' no caderno, umas duas da manhã. você começou pelo cheiro e não pela vista, e eu passei metade do turno tentando lembrar de onde é que eu conheço aquele cheiro. lembrei perto das cinco e não vou contar de onde.
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Permalink'Meu corpo pesa, logo, não obedece.' lê essa em voz alta, mano. o 'logo' no meio te obriga a parar duas vezes numa linha que era pra descer seca. o resto da estrofe desce sozinho, a chuva desce, a água corre pro rio. eu leio meus versos em pé antes de subir no microfone e é sempre nessa parada que a coisa aparece.
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Permalinka virada do sonho é o que eu discuto. o poema já entregou o susto quando você tira o lenço e vê o próprio rosto ali. aí vem 'então... tudo era um sonho? nada era real?' e essa parte fecha o que estava aberto. eu também explico demais no fim, é o vício mais difícil de largar. corta e me diz: você sente falta?
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