Suicídio
Sinto cheiro de terra úmida
Enquanto enxergo um corpo já sem vida
Onde outrora existia tanta emoção
Hoje observo elas entrando em extinção
Em seus olhos vazios, não há mais cor
Neste vale ouço o eco dos seus gritos de dor
Reverberam e penetram minha alma
Minha mente antes plena, perde a calma
Chuva vem, junto a ela chega o frio
Água cai, toca o solo e corre aos rios
O barulho da floresta me endurece
Meu corpo pesa, logo, não obedece
Saio da trilha, deito-me no chão
Quando fecho meus olhos, só há escuridão
Abro os olhos, em desespero, mas logo percebo que era medo
Não sei o porquê, nem do que sinto terror
Volto ao início, encaro-lhe o corpo exposto
Tiro o lenço, aterrizado, noto ali meu rosto
Em seu pescoço, encontro a resposta
Olho ao redor, vejo que este caminho não tem volta
Finalmente percebo que me falta um corpo
Vago sem destino, rejeitado no céu e no inferno
Para uma alma penada falta-me objetivo
Sinto um aperto interno
Então... tudo era um sonho? Nada era real?
Estou vivo... mas, por que me sinto tão mal?
Mais uma vez, não me reconheço.