Só parei
Só caí do trem,
na porta errada,
mas com a chave certa.
Ponto e sinaleiro:
vermelho, amarelo,
verde.
Apenas um rosto
desfigurado.
Apenas um pesadelo
em que te conheço
pelos sonhos.
Apenas compreender.
Analisar.
Que paz?
Ou falta de paz?
Ou dinheiro?
Apenas demônios
verdes, desfigurados.
Unhas cortantes
vão até a alma.
Cruzam seu crânio,
seu crânio.
Como uma poção mágica,
ou um cordão
que tem magia.
Algo obscuro.
Como demônios
sugam suas forças
e te tornam
uma pessoa confusa.
Por algo invisível.
Apenas suposições
do que é certo
ou errado.
Do inferno ao céu...
Apenas silêncio.
Apenas desprezo.
Apenas ciúme.
Apenas desejos insanos.
Como um pesadelo
numa cozinha.
Ainda há comida
para cozinhar.
Prazer, amor e comida.
Se cozinhar é amar,
como uma panela
cheia de carnes.
Assim são os animais,
que se devoram
por dentro,
pelos pensamentos.
Apenas uma roda-gigante.
Algo que busco.
Ou pulo,
ou caio.
Mas, afinal,
ainda estou perdida.
Meu próprio
ponto final.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho