Junho com inverno, 18 de Julio, Parque Rodó: isso é Montevidéu de cabo a rabo. Aposto que a Malena nunca soube que era vista das vitrines da galeria.
SISO CAN | «Et ma grande folie» - Prosa (Traducida al portugués)
Pensamento
Junho com inverno, 18 de Julio, Parque Rodó: isso é Montevidéu de cabo a rabo. Aposto que a Malena nunca soube que era vista das vitrines da galeria.
Conteúdo da publicação
Junho 29, 3:10 pm
Sempre que o inverno chega, vem-me o delírio de ver o mundo com outros olhos; regresso ao meu nostálgico catálogo, um ritual de fumaça e silêncios de ouro que não se apagam. Invade-me uma perturbação muito viva da qual tento escapar. Na última quinta-feira trazia a urgência de cruzar a 18 de Julio e beber vinho num barzinho, onde doña Sosostris — a mulher mais sábia da Europa — uma vez me leu as cartas: «Te esquecerás de ti como o louco faz com a sua vida. Dedicarás à mente apenas o que se foi sem adeus». Pressenti um misterioso coro de ideias desvanecidas, sussurrantes fantasmas de coisas que se desprendem da realidade. Várias vezes me bastara percorrer a 18 de Julio, atravessar a passarela de gente com rostos de lugar solitário e deter-me na esquina com a Herrera y Obes. Bastava-me ver-te, Malena, à distância, apreciar os teus traços afiados, os teus pronunciados olhos negros admirando-se no reflexo das vitrines da Galeria Central, esse olhar vindo do interior. Era tão natural cruzar o beco da galeria, debruçar-me por um lado e entrar na tua cintura, aproximar-me, ver como pequenas gotas se dissolviam ao tocar o chão. Sei que estive vivendo um tempo emprestado, percorri tardes pelo Parque Rodó, por calçadas escassamente iluminadas que já não consigo nomear. Querida, era tão natural o nosso virtuoso desapego que, logo após o amor, nos deixávamos cair em silêncios obscenos; a espuma dos beijos esfriava enquanto sentíamos aquilo que era o tempo. Era a cadência dos teus suspiros que evocava o sotaque francês que tanto ensaiavas. Permitimos que esta brincadeira fosse longe: O mon unique amour et ma grande folie.
*Doña Sosostris, personaje ficticio creado por Tomás Stearn Eliot para su obra The Wasteland (La tierra baldía, 1922): «Madame Sosostris, famosa pitonisa, / tenía un mal catarro, / aun cuando se la considera como la mujer más sabia de Europa, / con un pérfido mazo de naipes».
Versión original
«Et ma grande folie»
Junio 29, 3:10 pm
Siempre que llega el invierno me entra el delirio de ver el mundo con otros ojos; regreso a mi nostálgico catálogo, un ritual de humareda y silencios de oro que no se apagan. Me invade una turbación muy viva de la que intento escapar. El último jueves traía la urgencia de cruzar 18 de Julio y beber vino en un barcito, donde doña Sosostris —la mujer más sabia de Europa— una vez me leyó las cartas: «Te olvidarás de ti como lo hace el loco con su vida. Le dedicarás a la mente solo lo que se ha ido sin adiós». Presentí un misterioso coro de ideas desvanecidas, susurrantes fantasmas de cosas que se desprenden de la realidad. Varias veces me había bastado recorrer 18 de Julio, atravesar la pasarela de gente con rostros de lugar solitario y detenerme en la esquina de Herrera y Obes. Me bastaba verte, Malena, a la distancia, apreciar tus afilados rasgos, tus pronunciados ojos negros admirándose en el reflejo de las vidrieras de la Galería Central, esa mirada venida del interior. Era tan natural cruzar el callejón de la galería, asomarme por un costado y entrar en tu cintura, acercarme, ver cómo pequeñas gotas se disolvían al tocar el piso. Sé que estuve viviendo un tiempo prestado, recorrí tardes por el Parque Rodó, por veredas apenas iluminadas que ya no logro nombrar. Querida, era tan natural nuestro virtuoso desapego que justo después del amor nos dejábamos caer en silencios obscenos; la espuma de los besos se enfriaban mientras sentíamos eso que era el tiempo. Era la cadencia de tus suspiros la que evocaba el acento francés que tanto entrenabas. Permitimos que este jugueteo llegara lejos: O mon unique amour et ma grande folie.
*Doña Sosostris, personaje ficticio creado por Tomás Stearn Eliot para su obra The Wasteland (La tierra baldía, 1922): «Madame Sosostris, famosa pitonisa, / tenía un mal catarro, / aun cuando
se la considera como la mujer más sabia de Europa, / con un pérfido mazo de naipes».
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