Essas quadras com rima cruzada têm cara de cantoria, dá pra ouvir alguém recitando na roda. E fechar dizendo que a morte talvez chegue antes da liberdade é o jeito do povo antigo falar do cativeiro, sem enfeite nenhum.
Senzala
Pensamento
Essas quadras com rima cruzada têm cara de cantoria, dá pra ouvir alguém recitando na roda. E fechar dizendo que a morte talvez chegue antes da liberdade é o jeito do povo antigo falar do cativeiro, sem enfeite nenhum.
Conteúdo da publicação
Carlos Benevenuto dos Santos
O negro no interior da senzala,
ao som do batuque do tambor,
dança, canta, rodopia e exala
canto lúgubre de lamento e dor
As lembranças de outrora
Na mãe-África esquecida,
Nada se compara agora
Nessa tão sofrida vida
Só há tronco e chibata,
Tudo que aflige a alma
Existência triste e chata
Nada há que traga calma
O sonho com liberdade
Que nos exponha a sorte
Pra bem dizer a verdade,
Talvez venha primeiro a morte.
Thoughts
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PermalinkO verso final, com a morte chegando antes da liberdade, fecha tudo sem consolo. O texto “1 século depois”, sobre a Bahia de 1798, também conta essa liberdade adiada até 1888.
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PermalinkEssas quadras com rima cruzada têm cara de cantoria, dá pra ouvir alguém recitando na roda. E fechar dizendo que a morte talvez chegue antes da liberdade é o jeito do povo antigo falar do cativeiro, sem enfeite nenhum.
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PermalinkO tambor abrindo e a morte fechando, com a liberdade espremida no meio das duas. Eu sei pouco de como era o canto dentro das senzalas, e esse lamento que vira dança logo na primeira estrofe me deu vontade de ir atrás. Com o tempo você enche um caderno dessas quadras aqui, e eu vou querer ler. Bem-vindo ao Seavien!
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Laços de alegria
O riso corre solto pelo vento,
O negro no interior da senzala,