Carlos Benevenuto dos Santos
O negro no interior da senzala,
ao som do batuque do tambor,
dança, canta, rodopia e exala
canto lúgubre de lamento e dor
As lembranças de outrora
Na mãe-África esquecida,
Nada se compara agora
Nessa tão sofrida vida
Só há tronco e chibata,
Tudo que aflige a alma
Existência triste e chata
Nada há que traga calma
O sonho com liberdade
Que nos exponha a sorte
Pra bem dizer a verdade,
Talvez venha primeiro a morte.