NOVO LANÇAMENTO, espero que gostem, essa história tem uma temática mais para mistério e terror.
Um grito cortou o silêncio da noite, fazendo Jorge despertar assustado.
Ele se sentou na cama, tentando se orientar no escuro. Esperou alguns segundos, ainda sem saber se realmente havia escutado alguma coisa. Talvez tivesse sido Peralta, no quintal. Às vezes, quando via algum rato rondando, o cachorro começava a latir sem parar.
Mas o silêncio permaneceu.
Jorge estendeu o braço até o criado-mudo ao lado da cama. Tateou a superfície no escuro até encontrar o celular. Assim que seus dedos tocaram a tela, ela se iluminou, revelando a foto de família no papel de parede.
Três sorrisos o encaravam de volta.
Era difícil dizer qual dos três parecia mais feliz naquela foto. Janice abraçava Sonia, enquanto a filha descansava a cabeça no ombro de Jorge. Os cabelos encaracolados se espalhavam sobre ele, e o sorriso dela era, sem dúvida, o mais bonito que ele conhecia.
O horário na tela marcava 2h05 da manhã.
Jorge esperou mais alguns minutos. Convencido de que talvez tivesse imaginado o primeiro grito, levou o celular de volta ao criado-mudo.
Antes que pudesse soltá-lo, um novo grito — agora muito mais alto — o fez saltar da cama.
Era a voz de Sonia.
Ele se virou para a esposa, que ainda dormia.
— Janice, Janice, acorda! — chamou, sacudindo-a depressa.
Janice despertou sobressaltada, ainda sonolenta, com os gritos vindos de fora do quarto.
Eles saíram em disparada do quarto, seguindo pelo corredor até o quarto da filha que ficava próximo a escada.
As luzes do corredor estavam acesas.
Não só elas.
A casa inteira parecia iluminada.
Jorge parou por um instante. Tinha certeza de que havia apagado todas as luzes antes de ir dormir.
Será que tinha sido Sonia?
Os gritos de Sonia se intensificaram, misturados a palavras desconexas que nenhum dos dois conseguia entender.
Quando chegaram à porta do quarto, encontraram-na trancada.
De repente, os gritos cessaram.
Janice começou a bater na porta de forma frenética.
— Sonia, filha, abre a porta!
Nenhuma resposta.
Nenhum som.
— Filha, se você não abrir, o papai vai arrombar a porta.
Jorge tomou o lugar de Janice.
O único som que restava era o das respirações ofegantes dos dois e o latido de Peralta, que havia começado do lado de fora.
Janice lançou um olhar desesperado para o marido.
Ela nem precisou dizer nada. Jorge sabia que precisava entrar naquele quarto imediatamente.
— Querida, liga para a polícia — disse Jorge, afastando-se alguns passos da porta.
Janice o encarou, assustada.
— Agora. Liga para o Sérgio.
Ele a encarou, aflito, e avançou contra a porta com força.
A porta nem se mexeu.
Janice correu de volta para o quarto, pegou o celular e discou o número.
Não demorou a atender.
— Alô, senhora Janice? Aconteceu alguma coisa?
— Sérgio, por favor... vem até aqui. Tem alguma coisa errada com a Sonia.
— Como assim?
Janice ouviu outro baque do marido contra a porta.
— Por favor, Sérgio... é a minha filha.
— Estou indo. Em dez minutos eu chego. Não sai da linha.
Mas, logo em seguida, a ligação caiu.
Janice ouviu novamente o baque do corpo do marido contra o assoalho de madeira.
Voltou correndo para o corredor, ainda tentando ligar para Sérgio, mas parou quando um estrondo vindo do quarto os surpreendeu — o som de alguma coisa se quebrando lá dentro.
Então, tudo ficou em silêncio.
Até Peralta havia parado de latir.
Janice se aproximou do marido, apreensiva.
Em seguida, ouviram o som da chave girando na fechadura.
A porta começou a se abrir lentamente.
Jorge ficou imóvel por um instante, tomado por uma sensação ruim.
Janice, porém, avançou sem hesitar.
— Janice, espera!
Mas ela já havia entrado no quarto, repetindo o nome da filha em desespero.
— Sonia, mamãe está aqui.
O quarto estava escuro. Janice mal deu alguns passos antes de tropeçar em alguma coisa no chão e perder o equilíbrio. Agarrou-se à cama para não cair.
Olhou para baixo, tentando entender no que havia tropeçado, mas não conseguiu enxergar nada.
Quando ergueu os olhos, viu uma silhueta próxima à janela, recortada por uma estreita fresta de luz.
Por um instante, pensou que fosse Sonia.
Então um arrepio percorreu suas costas.
Janice ficou paralisada.
— Sonia... — sua voz saiu em um sussurro.
A silhueta deu um passo em sua direção.
Janice recuou.
Nesse instante, as luzes se acenderam. Jorge acabara de entrar no quarto.
Ele parou imediatamente, os olhos arregalados diante da cena.
— Não... meu Deus, não! — gritou Janice, desesperada.