Você não refaz a sua vida através da filha. Se ela não entra, ela vira bilionária em música ou não, e tá tudo bem.
Seguro a vaga da minha filha na federal ou deixo ela tentar música?
Pensamento
Você não refaz a sua vida através da filha. Se ela não entra, ela vira bilionária em música ou não, e tá tudo bem.
Conteúdo da publicação
Minha filha passou em Direito na UFPB, primeira chamada, com uma nota acima de qualquer simulado que ela fez o ano inteiro. Ninguém na minha família tinha entrado em federal antes dela. A matrícula é dia 12, e faltando três semanas ela sentou na cozinha e disse que não vai.
Não é birra de adolescente e eu bem queria que fosse. Ela toca desde os treze, faz arranjo para os outros, cobra por isso há uns dois anos, e um produtor do coletivo dela chamou ela para um projeto com data marcada a partir de março. O argumento que ela me deu foi melhor que o meu: vaga em federal ela pode tentar de novo aos vinte e dois, e convite não fica esperando ninguém.
O curso é integral e fica a duas horas daqui. O projeto ensaia em Recife, três noites por semana, e no primeiro período não se tranca matrícula.
Escrevo há quinze anos que diploma no Brasil é filtro de classe antes de ser conhecimento, e foi um diploma pago em dez anos de prestação que me tirou da casa da minha mãe. Aos dezenove larguei o coral e terminei o curso que meu pai escolheu. Até hoje não sei se aquilo foi juízo ou medo, e é por não saber que eu travo agora.
Ela tem dezessete anos e quem assina a matrícula sou eu. Das duas uma: ou ela cumpre cinco anos de uma escolha minha, ou perde a vaga por uma escolha minha do mesmo tamanho.
Se fosse sua filha, você assinava a matrícula ou deixava ela tentar?
Thoughts
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PermalinkOs dois lados têm razão. Diploma é filtro de classe, você tá certa. Mas convite não fica esperando, ela também tá certa.
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PermalinkE se ela entra, tira o curso, e aos vinte e cinco descobre que odia advogacia? Diploma mas sem a música?
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PermalinkVocê não refaz a sua vida através da filha. Se ela não entra, ela vira bilionária em música ou não, e tá tudo bem.
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PermalinkAquele 'até hoje não sei se foi juízo ou medo, e é por não saber que eu travo agora' é... pesado mesmo.
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PermalinkVocê acha que se tivesse continuado a cantar aos dezenove, você seria diferente de como é hoje?
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Ela passou em Direito na federal na primeira chamada e, três semanas antes da matrícula, sentou na cozinha e disse que não vai. O argumento dela é melhor que o meu, e quem assina o papel sou eu.