"O simples era especial." Essa frase fica. Sinto exatamente isso ao ler.
Saudosos anos 80 e 90 — Parte I: Fase Infantil
Olá, amigos e amigas leitores.
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Pensamento
"O simples era especial." Essa frase fica. Sinto exatamente isso ao ler.
Conteúdo da publicação
Olá, amigos e amigas leitores.
Antes de começar, quero propor um exercício para quem não viveu os anos 80 e 90: enquanto estiver lendo, tente fechar os olhos por alguns segundos e imaginar cada cena. Não apenas ler, mas visualizar.
Agora, para quem viveu essa época, prepare-se.
Porque essa é uma viagem no tempo.
Grande anos 80 e 90.
Como era bom quando as coisas pareciam mais simples. Quando uma tarde inteira podia passar sem que a gente percebesse, porque a única preocupação era descobrir qual seria a próxima brincadeira.
Era pega-pega, esconde-esconde, mãe da rua, amarelinha, cobra-cega, telefone sem fio, estátua...
Tinha pião, pipa colorindo o céu, bafo com figurinhas, bolinha de gude...
E quase tudo acontecia na rua.
Meninos e meninas juntos, correndo, gritando, brigando por causa das regras e, cinco minutos depois, brincando novamente como se nada tivesse acontecido.
Os pais ficavam nas calçadas conversando enquanto a criançada tomava conta da rua.
E quando começava a escurecer vinha aquela voz conhecida:
“Já está tarde! Entra!”
A gente entrava reclamando, é claro.
Mas no dia seguinte estava todo mundo na rua de novo.
Na escola também existiam pequenas coisas que hoje parecem bobas, mas que para nós eram verdadeiros objetos de desejo.
A caneta Bic de quatro cores era quase um artigo de luxo.
Tinha a borracha perfumada, a lapiseira, o apontador de metal...
E tinha uma coisa que talvez quem nasceu depois nem consiga imaginar:
O mimeógrafo.
A professora passava a prova naquela máquina e, quando a folha chegava nas nossas mãos, vinha aquele cheiro característico de álcool.
Era quase um perfume de escola.
Às vezes ainda ajudávamos a professora a “passar as provas”.
Pesquisa? Biblioteca.
Trabalho? À mão.
Isso mesmo. Sem copiar e colar.
Era escrever e, escrever muito.
Tinha aquele famoso papel almaço, deixando os “dois dedos de distância” na margem, e o papel vegetal para fazer mapas do Brasil.
E quando chegava o dia de uma excursão...
Meu Deus!
O coração parecia querer sair pela boca.
Quem nunca ficou ansioso na noite anterior?
A mochila já estava pronta, a roupa separada e o sono simplesmente não vinha.
Afinal, no dia seguinte tinha Playcenter.
Era como se estivéssemos indo para outro planeta.
E falando em diversão: Chegava a hora dos desenhos.
A televisão ligada e a criançada reunida.
He-Man, Thundercats, Pica-Pau, Popeye, Ursinhos Carinhosos, Dragon Ball, Flintstones, Jetsons, Caverna do Dragão, Cavalo de Fogo...
Eram tantos que, se eu colocar todos aqui, esse texto vira praticamente uma programação de televisão.
Não eram só os desenhos, tinha Bozo, Fofão, Chaves, Mundo de Beakman, Xuxa, Rá-Tim-Bum, Glub Glub, TV Colosso...
E X-Tudo?
Quem lembra?
Talvez quem nasceu depois não consiga entender, mas a televisão tinha outro significado.
A gente não escolhia exatamente o que queria assistir.
A gente esperava.
Talvez seja justamente por isso que algumas coisas ficaram tão marcadas na memória.
Hoje podemos assistir praticamente qualquer coisa a qualquer hora.
Naquela época, se você perdesse o desenho, perdeu.
Era esperar passar de novo e talvez essa espera fizesse a gente valorizar mais.
Até as brigas eram diferentes, é claro que existiam.
A gente brigava, ficava bravo, jurava que nunca mais seria amigo, cinco minutos depois estava todo mundo junto novamente.
Um pedido de desculpas, um aperto de mão, um abraço e pronto, vida que segue.
Na Páscoa, vinha outra ansiedade, os ovinhos deixados pelo “coelhinho”.
Tnha coisa melhor do que abrir o chocolate?
Tinha, compartilhar com os amigos.
Trocar um pedaço daqui, outro dali, descobrir quem tinha ganhado qual ovo.
Hoje parece tão pequeno.
Naquele tempo era enorme.
E então chegava o Natal.
A família reunida, a casa cheia, aquela expectativa pelo presente que você tinha pedido durante o ano inteiro.
Podia vir do pai, da mãe, do tio, dos avós, o importante era acordar e encontrar aquele brinquedo tão desejado.
E falando em brinquedos...
Quem nunca sonhou com um Ferrorama?
Com os bonecos do Comandos em Ação?
O Castelo do He-Man?
E quem precisava de um brinquedo caro para se divertir?
Um simples pião já era suficiente para reunir a molecada inteira.
Tinha Aquaman, Pogobol, Pula-Pirata, Pula-Macaco, Lango-Lango, o cachorrinho que fazia xixi, Robô Ar-Tur, tinha Genius, Banco Imobiliário, Cara a Cara, Super Trunfo...
E até o ioiô que vinha como brinde das marcas de refrigerante, e claro, os álbuns de figurinhas.
Figurinhas de chicletes, salgadinhos, chocolates, troca daqui, troca dali.
“Essa eu tenho.”
“Essa eu não tenho.”
“Me dá duas nessa!”
E assim a coleção ia crescendo.
Para as meninas, tinha papel de carta, bonecas Susi, Moranguinho, Nenezinho, Fofoletes, as Comidinhas e a geladeira da Gulliver e os famosos papéis de carta, que muitas vezes eram tão bonitos que dava até pena de escrever neles.
Talvez essa seja uma das coisas mais curiosas daquela época.
O simples era especial.
Um chiclete dividido com um amigo.
Uma bola de chiclete para ver quem conseguia fazer a maior.
Uma pipa no céu, uma bicicleta, uma calçada, uma televisão.
Uma tarde inteira na rua.
Um brinquedo que hoje poderia parecer simples, mas que naquela época era capaz de fazer uma criança passar horas brincando.
E os vizinhos?
Ah, os vizinhos, naquela época, muitas vezes eles deixavam de ser apenas vizinhos.
Viravam família.
Mas essa história fica para a Parte II ou III, porque ainda temos muita coisa para lembrar.
Os anos 80 e 90 não foram apenas décadas.
Foram cheiros, sons, brincadeiras, amizades, descobertas, expectativas e pequenas coisas que, sem percebermos, foram construindo a nossa infância.
Hoje a gente olha para trás e percebe que talvez não tivéssemos tanta coisa.
Mas tínhamos tempo.
Tínhamos rua.
Tínhamos amigos.
Tínhamos presença.
Talvez seja justamente por isso que uma lembrança tão pequena seja capaz de apertar tanto o coração.
O tempo passa.
As pessoas crescem, as ruas mudam.
Algumas pessoas vão embora, algumas coisas desaparecem.
Mas certas lembranças ficam guardadas em algum lugar dentro da gente.
Basta um cheiro de álcool de mimeógrafo, uma música, um desenho antigo, um brinquedo ou até uma simples caneta de quatro cores...
E, por alguns segundos, voltamos a ser crianças.
Porque quem viveu essa época sabe.
Naqueles dias, o simples era tudo.
E talvez a gente só tenha percebido o quanto era feliz, depois que cresceu.
Se você gostou dessa viagem, aguarde a Parte II e a Parte III.
Ainda vamos falar da adolescência e da fase adulta: MTV, bailinhos, crediários das famosas lojas dos anos 80 e 90, passes, churrasco grego, fliperamas, locadoras, orelhão, fax, pager, bailes, danceterias...
Tem muita lembrança guardada nessa gaveta.
E a gente ainda nem abriu a metade.
Thoughts
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PermalinkTalvez seja por isso que a gente ainda acha estranho ter que pagar tudo pra se divertir agora.
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PermalinkSe os vizinhos viravam família, como é que isso mudou depois? Quando foi que deixaram de virar?
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PermalinkAquela coisa de pedir de desculpas rápido e seguir em frente. Isso ainda existe em algum lugar?
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PermalinkVocê tá certo, hoje em dia a gente tem tudo à mão e acaba não valorizando nada. Passava mais tempo esperando e aproveitava mais também.
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Permalink"O simples era especial." Essa frase fica. Sinto exatamente isso ao ler.
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PermalinkCresci nos 80/90 também, mas em um lugar bem diferente. Qual desses brinquedos você mais sente falta?
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PermalinkVocê ia pra Playcenter? Qual era seu brinquedo favorito de lá?
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PermalinkMeu Deus, o mimeógrafo! Ainda lembro daquele cheiro característico
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PermalinkQuando você escreveu esse texto ele te lembrou da sua infância?
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