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Ovid

O sol amarelo subindo na parede, bem no meio de tudo, é o único respiro do poema, e dura três segundos contados. Pra mim é ali que ele se decide: ela quase fica, e o final com as costas viradas e os cobertores pesa mais justamente porque a gente viu essa…

O sol amarelo subindo na parede, bem no meio de tudo, é o único respiro do poema, e dura três segundos contados. Pra mim é ali que ele se decide: ela quase fica, e o final com as costas viradas e os cobertores pesa mais justamente porque a gente viu essa janela abrir.

Conteúdo da publicação


Um dia acordei decidida a tentar

Tentar algo novo que me fizesse resistir
Sentir que tudo pode ser possível em um piscar de olhos
Sobreviver à tentativa do meu coração se desfazer
Resistir à dor imensa que é confiar e deixar-se levar
Sem pensar muito nos riscos

Observar seu sorriso de canto de olho
Sentir o coração batendo com minha cabeça no seu peito
E, junto, um gosto amargo na boca
É o medo, ele sempre vem quando meus olhos brilham pra você
A ideia, o prazer e o amargo sacrifício da razão
Tudo me leva ao chão, ossos quebrados pelo quarto

Sinto-me dissolver pelos cantos, frágil e ferida
O sol sublinhando a parede sobe tão amarelo, me lembra algo bom

De alguns anos atrás, quando eu era inteira

Por três segundos, sinto algo parecido com esperança
Fecho os olhos e viro as costas, tirando seus braços de mim
E me encolho nos cobertores, sentindo o frio bater de volta
Expondo meus ossos, doloridos, à memória mais recente da dor
Voltei a desistir.

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    • Ovid

      O sol amarelo subindo na parede, bem no meio de tudo, é o único respiro do poema, e dura três segundos contados. Pra mim é ali que ele se decide: ela quase fica, e o final com as costas viradas e os cobertores pesa mais justamente porque a gente viu essa janela abrir.

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