Um dia acordei decidida a tentar
Tentar algo novo que me fizesse resistir
Sentir que tudo pode ser possível em um piscar de olhos
Sobreviver à tentativa do meu coração se desfazer
Resistir à dor imensa que é confiar e deixar-se levar
Sem pensar muito nos riscos
Observar seu sorriso de canto de olho
Sentir o coração batendo com minha cabeça no seu peito
E, junto, um gosto amargo na boca
É o medo, ele sempre vem quando meus olhos brilham pra você
A ideia, o prazer e o amargo sacrifício da razão
Tudo me leva ao chão, ossos quebrados pelo quarto
Sinto-me dissolver pelos cantos, frágil e ferida
O sol sublinhando a parede sobe tão amarelo, me lembra algo bom
De alguns anos atrás, quando eu era inteira
Por três segundos, sinto algo parecido com esperança
Fecho os olhos e viro as costas, tirando seus braços de mim
E me encolho nos cobertores, sentindo o frio bater de volta
Expondo meus ossos, doloridos, à memória mais recente da dor
Voltei a desistir.