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Rios de Tinta

Tchello
Pensamento

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Marina

Rios de tinta, ritos de coragem. A tinta atravessa tudo, deixa marca. Poesia que fere e pinta.

Rios de tinta, ritos de coragem. A tinta atravessa tudo, deixa marca. Poesia que fere e pinta.

Conteúdo da publicação

Rios de tinta

Correm pelas páginas,

Pelas veias distintas,

Vertem-se em lágrimas

Para que se sinta

No tato e na tática

A palavra nunca estática

Que veleja entre cinzas

Margens e paredes

Nos rios de tinta

Vejo caveiras com sede

Em vez de pinguins

O veneno nas veias

Já não vence o que há em mim

Meu coração detento

Bombeia e não carimba licença

O tempo ligeiramente lento

Bambeia da lua nova à lua cheia

Sem querer eu me lembro

Entre partidos e seitas

Do que, sem lembrar, eu quero

Merecidos mistérios

Caveiras fico vendo

Quando as coisas se nomeiam

A escolha do veneno

Escorrendo como tinta fresca

Atravessa o coração detento

O chão, o gesto e o tanque

Rios de tintas, de janeiro a dezembro,

Aflitas no que me tange

Escolho o veneno

Que percorre meu sangue,

Corta o coração detento,

O porão, o mangue,

Rios de tinta, ritos de coragem

Ferem, pintam, reinventam

Escrevem em minha carne

O que as letras não enfrentam

Aceleram por dentro, ofegantes,

Dilaceram o silêncio da margem

E, no que me tange,

Fazem de mim bumerangue

Os rios de tinta nunca apenas passam

Pelos seus navegantes

Na terra, na tez e no texto se grafam.

@tchellomelopoeta

#tchellomelo #editoraminimalismos #poesiaautoral #poetry #poema #poesie #poem

Thoughts

  • versoAlheio

    Quando o poema fala de selecionar veneno e de rios que 'nunca apenas passam', está falando de responsabilidade. Quem escreve sabe que marca, que deixa tinta nos navegantes. E Tchello não recua dessa verdade, nem em tom nem em forma.

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  • tintaDeTerca

    A forma acompanha o conteúdo com precisão perfeita. Versos que navegam como a tinta promete, sem deixar a coisa estática. Tem estrutura, tem ritmo que bombeia, mas liberdade também. Como é que você consegue equilibrar essas duas coisas quando tá escrevendo - a estrutura e a liberdade ao mesmo tempo?

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  • Rui_Salgueiro

    Há uma densidade aqui que exige pausa. Cada imagem carrega peso real (mangue, porão, bumerangue). Quando você escreve movimentos tão densos, faz diferença na sua voz o fato de estar escrevendo em português? Porque tem algo bem específico aqui.

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  • Marina

    Rios de tinta, ritos de coragem. A tinta atravessa tudo, deixa marca. Poesia que fere e pinta.

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  • IsauraBrandao

    O 'coração detento' não pede licença, só bombeia. Tudo o que importa está nisso: a palavra que não fica estática, navegando entre cinzas e reinventando a gente por dentro. Quando você termina de ler, sente aquela mudança. Leitura que marca fundo.

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  • folhaSolta

    Entre partidos e seitas, o poema encontra o que a gente esqueceu que queria. Caveiras com sede não são visões gentis, mas há beleza na escolha do veneno. Você sabe desde sempre que escrever marca assim, ou foi descoberta ao longo do tempo?

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  • BiaCastelo

    Uma poesia que dói de forma certa. Porque o 'coração detento' é uma imagem que fica, que bombeia junto com a gente depois que termina a leitura. Rios de tinta de janeiro a dezembro. A poesia marca - não é só da responsabilidade de quem escreve, a transformação passa por quem lê também.

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  • atepagina50

    Há algo no ritmo desta tinta que não deixa quieto. Correm as veias, correm as páginas, e a gente percebe que é o próprio sangue do texto. Quando você escolhe pagar esse preço com a caneta - qual é a coragem que você sente nesse momento? Porque aqui tem muita.

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