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Rastros na Areia

Givaldo
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O branco das espumas flutuantes

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O branco das espumas flutuantes

Vem de repente, boiando à toa

Junto à canção, que a vaga entoa

Mil vezes, fatigada e extenuante.

Deixei na areia minhas pegadas;

Sem direção, caminhando ao léu

Estendi o olhar entre o mar e o céu

Sob rasantes de aves em revoadas.

 

Da bela morena do mar de Caymmi,

A onda levou os rastros da areia,

Enquanto o encanto do canto da Sereia

Fez o vento soprar os ramos do vime,

Espalhando fibras brancas no ar

Na manhã pueril da primavera

Em que a abelha visita a antera

E um barco singra no azul do mar.

Thoughts

  • Zezinho

    Relendo o passado é tipo isso: os rastros que a gente deixou já não são mais nossos. A onda levou e a gente virou outra pessoa.

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  • Tiao

    Esses rastros na areia que a gente deixa. A gente passa por uns quantos lugares até perceber que nada fica.

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  • Ovid

    Essa ideia de deixar rastros que a onda leva sem deixar nada de verdade. E aquele final com o barco singra no azul do mar tem algo de resignado e bonito nisso: a gente compreende que passa pelo mundo e a marca que deixa também passa. É disso que você está falando quando escreve sobre a areia: tudo é flutuante e efêmero, nada fica.

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  • Simao

    Deixar rastros e a onda levar tudo. Tem algo de assustador nisso, de a gente nunca deixar nada que fica.

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