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Quem esta certo? quem esta errado? Pergunta Sem resposta

lediusonOliveira
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ATO I — A DÚVIDA DO CÍNICO

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duasVerdades

O desacordo dos dois está na palavra verdadeiro. Para o Apaixonado, verdadeiro é o que ele sente com força; para o Estrategista, é o que resiste ao tempo e à mudança. Por isso o Parmênides entra tão bem no segundo ato: ele serve aos dois ao mesmo tempo. E

O desacordo dos dois está na palavra verdadeiro. Para o Apaixonado, verdadeiro é o que ele sente com força; para o Estrategista, é o que resiste ao tempo e à mudança. Por isso o Parmênides entra tão bem no segundo ato: ele serve aos dois ao mesmo tempo. E a última fala aceita a ilusão sem abrir mão do verdadeiro, que para mim é a resposta mais honesta da peça.

Conteúdo da publicação

ATO I — A DÚVIDA DO CÍNICO

No centro do palco, uma lanterna acesa em plena noite.

— Procuro um amor verdadeiro! — grita o Apaixonado.

Das sombras, surge o riso seco do Estrategista:

— Amor verdadeiro?

Diógenes procurava um homem honesto com uma lanterna.

Talvez devesses procurar teu amor da mesma forma.

— Eu o encontrei! Está diante de mim!

— Encontraste desejo.

O resto é ilusão adornada por poesia.

A lanterna treme.

Mas não se apaga.

ATO II — O SER E O MEDO

O vento sopra como voz antiga.

— Se o amor existe — diz o Apaixonado —

ele É.

E se É, não pode deixar de ser.

O Estrategista sorri:

— Parmênides diria que o ser é imutável.

Mas teus sentimentos mudam como as estações.

— O que muda é o medo, não o amor!

O amor permanece — mesmo quando negado.

— Permanecer é perigoso.

O que permanece nos prende.

E, ainda assim, nenhum dos dois parte.

ATO III — ÁTOMOS E IDEIAS

A chuva volta, intensa.

— Somos feitos de átomos — diz o Estrategista —

como ensinou Demócrito.

Choques, encontros, separações.

Nada além de matéria colidindo no vazio.

— Não! — responde o Apaixonado, quase em lágrimas.

Existe algo além da matéria.

Platão diria que amamos porque reconhecemos

no outro a ideia perfeita que nossa alma já conhecia.

— Ideias não aquecem a noite.

— Mas dão sentido ao frio!

O silêncio se parte em respiração ofegante.

ATO IV — A VIRTUDE E O EXCESSO

O palco escurece. Só dois corpos visíveis.

— O amor deve ser moderado — afirma o Estrategista.

Aristóteles ensinou o meio-termo.

O excesso leva à ruína.

— Amar pela metade é não amar!

Se é para cair, que seja inteiro!

Se é para sentir, que seja até doer!

— O descontrole destrói.

— E a ausência de entrega apodrece.

Eles estão tão próximos que o conflito vira calor.

GRAN FINALE — ENTRE O RISO E O ABISMO

A tempestade cessa.

O mundo parece suspenso.

— Talvez Diógenes risse de nós — diz o Estrategista.

Dois tolos discutindo algo invisível.

— Talvez Parmênides dissesse

que este instante é eterno.

— Talvez Demócrito explicasse

nosso beijo como choque de partículas.

— Talvez Platão sorrisse,

vendo duas almas tentando lembrar o que já foram.

— E Aristóteles aconselharia prudência…

Silêncio.

O Apaixonado toca o rosto do Estrategista.

— Mas nenhum deles está aqui.

Estamos nós.

O Estrategista fecha os olhos.

O cálculo desmorona.

A razão vacila.

— Se o amor for ilusão…

que seja a mais verdadeira de todas.

O beijo acontece.

Não como teoria.

Não como estratégia.

Não como ideia.

Mas como incêndio.

E, por um instante,

a filosofia inteira

arde. 🔥

(Lediuson oliveira)

Respostas

  • duasVerdades

    O desacordo dos dois está na palavra verdadeiro. Para o Apaixonado, verdadeiro é o que ele sente com força; para o Estrategista, é o que resiste ao tempo e à mudança. Por isso o Parmênides entra tão bem no segundo ato: ele serve aos dois ao mesmo tempo. E a última fala aceita a ilusão sem abrir mão do verdadeiro, que para mim é a resposta mais honesta da peça.

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  • rbatista64

    Fico com o Estrategista, meu filho, pelo menos até o quarto ato. Amar até doer soa bonito no palco, mas quem já viu isso de perto sabe que quem se entrega inteiro costuma ser o mesmo que depois fica sozinho juntando o que sobrou. O meio-termo de Aristóteles tem cara de chato e é ele que segura a casa em pé.

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