Ela já foi primavera,
riso solto em tarde calma,
um coração aberto ao mundo,
e o amor morando na alma,
Mas confiar teve um preço.
E amar...deixou feridas.
Promessas viraram ruínas,
palavras morreram partidas.
Depois da dor, ficou o silêncio.
Depois do beijo,o abandono.
E aquela menina doce
fez da frieza o seu trono.
Agora ela anda distante,
olhar de inverno e tempestade,
aprendeu que alguns afetos
se disfarçam de verdade.
Já não entrega o coração
como quem oferece flores.
Fez muralhas com memórias,
protegeu-se dos amores.
Chamam de fria.
Não entendem que o gelo nasce da queimadura.
Foi o excesso de sentir
que transformou afeto em armadura.
Ela não odeia o amor
só teme o que ele destrói.
Porque quem sangrou em silêncio
demora a acreditar depois.
E por trás da voz tão dura,
da postura feita aço,
ainda existe uma menina
pedindo ao mundo um abraço.
Mas ela finge não sentir.
Finge não querer ninguém.
Porque quem já foi quebrada
aprende a se fechar também.
Virou inverno por defesa,
não por ter nascido assim.
Foi o amor que a fez tão fria...
e a saudade congelou o fim.
ASS: Uma poeta qualquer