Passei por várias experiências nesse sentido. Primeiro online, depois livros físicos, vídeos-ensaios, roteiros... Meu criar também é muito diversificado, o que me permite experimentar a aceitação neste ou naquele suporte.
Abri uma página aqui porque percebi que, de um ano para cá, venho escrevendo em quantidade significativa e queria dar a esse material a possibilidade de ser lido. Publiquei um livro depois de ter prometido deixar a mídia física (me arrependi, de certa forma, não pelo público, mas pela falta de escrúpulos das editoras). E, nesse meio tempo, no sentido do que você falou, percebi que esta ou aquela mídia tende a aceitar determinados formatos e detrimento de outros. Por exemplo, por parte das editoras (nem tanto pelo público) poemas curtos como haicais são menos aceitos ou completamente receitados. Acho que o metro quadrado do papel é caro para eles, não sei! Já estes são muitos bem aceitos em plataformas como estas, sobretudo as que são lidas por intermédio de telas.
Textos mais longos, no entanto, parecem ter mais vida no papel. São recitados, catados, contados.
Mas, uma coisa que você falou é digna de muita atenção e cuidado: o quanto a gente escreve em função da leitura e do retorno e o quanto ser lido influencia o que s gente escreve após esse contato.
A percepção que tenho (e que ainda carece pisar muito chão para se firmar) é que tudo é questão de equilíbrio. Nem ceder demais ao ponto de se perder de sua essência, de se tornar agradável e homogêneo; nem se distanciar demais ao ponto de virar um código, uma cifra, aquilo que só os "iniciados" podem entender.
A despeito do que muitos dizem, escrever nunca será um ato solitário. É pueril esta visão do nosso ofício. Gabriel Garcia Márquez uma vez disse que quem escreve, escreve para que os outros gostem e "eu escrevo para que gostem mais de mim". Nunca um autor foi tão exato e sincero.