Se eu for caminhar,
eu não quero voltar,
voltar pra chorar,
cortar pra sangrar.
Às vezes paro pra pensar,
no tempo perdido que eu queria pegar,
o medo de escrever no meu caderno
e tudo que eu sinto no ar se apagar.
Correria pra te ver sangrar,
arrancaria meu coração pra te ver feliz,
mas a faca no meu peito insiste em voltar,
abrindo a cicatriz que eu demorei pra fechar.
Disse pra mim que eu não queria parar,
falei pra mim que não era pra me preocupar.
Eu não preciso da sua cura,
a verdade sempre foi crua,
eu caminho sozinho pela rua escura,
procurando algum lugar onde a dor não me procura.
O pega-pega com a solidão virou abrigo,
o sentimento virou meu único amigo.
Eu corro de mim, mas sempre sigo comigo,
quanto mais eu fujo, mais perto eu fico.
Dei um tiro na minha cabeça,
espero que nenhuma entidade se esqueça
de que eu caminhei por cima da minha caveira,
caminhei por cima da minha mesa,
transformei meu caminho numa estrada inteira,
esmaguei aquelas uvas — virou vinho,
azedo, tão ruim…
meu sentimento tinha o mesmo gosto que o fim?
Perguntei e arranquei meu rosto,
a máscara caiu, viram que eu era o bobo…
meu sentimento nunca foi exposto,
e tudo que eu escondia continuava no meu encosto.
Eu pedi ajuda,
às vezes paro pra pensar:
e se eu não fosse cortar?
E se eu não fosse falar?
Será que tudo seria diferente?
Qual foi meu erro em deixar tudo se preocupar?
O meu amor esfriou,
meu coração congelou,
o tiro estragou todo o laço do relacionamento.
Eu não queria ter perdido,
mas foi só um momento.
Eu sou o cara que disse que amava,
eu sou o cara que dizia que tentava,
ou sou só o cara que, no fim, era uma piada?
Uma história mal contada,
uma promessa quebrada,
uma lembrança deixada na estrada.
Eu te encontrei tão linda naquele posto,
você no canto, cabelo cobrindo o rosto.
Me deu um beijo, eu nem senti o mesmo gosto
de quem tocou os pés no céu.
Penso diferente quando lembro daquele brilho.
Eu nem tinha energia pra levantar da minha cama,
mas alguma coisa mudou aquilo.
Me diz a verdade, garota,
eu largaria tudo pra ficar contigo,
contigo, contigo.
Me diz a verdade, garota,
o que que você tá sentindo?
E eu sei que eu não posso te chamar de minha,
meu amor, você não quer me amar.
E eu já disse que te acho tão bonitinha,
eu já disse que eu quero tentar.
Mesmo que eu me perca no caminho,
eu não quero parar
de olhar pro seu coração tão frio.
Esquentar…
eu quero esquentar.
Mas quanto mais eu tento te encontrar,
mais eu começo a me procurar.
Eu sei que eu sou ruim,
eu tô pensando sobre mim.
Eu tenho problemas com o fim,
fim.
Talvez eu tenha caminhado tanto
que esqueci de onde eu vim.
Talvez o que eu procurava em você
sempre estivesse dentro de mim.
Meu caminho tem cacos da cor de prata,
cada passo que eu dou deixa outra marca.
Eu olho pra frente, mas não vejo nada,
olho pra trás e só encontro a estrada.
Se eu for caminhar,
eu não quero voltar.
Porque no meu caminho,
depois de tudo que eu deixei pra trás…
não tem mais nada.
23:42.
Fiz enquanto chorava