O texto botou o dedo na ferida que quase ninguém quer ouvir. Esse aquecimento de 20 minutos com elástico é o sujeito fugindo das duas séries de elevação lateral que ele devia ter feito cinco anos atrás. Vejo isso direto, mermão: cara que supina pesado, ombro estralando, e a única solução que ele aceita é um circuito de manguito, nunca botar deltoide posterior na conta de verdade. Conserto vende fácil porque parece avançado. Trabalho chato em volume não rende post.
Prehab não passa de conserto disfarçado?
Boa parte do prehab é só consertar problemas que uma programação ruim criou em primeiro lugar. Não quero dizer que reabilitação seja invenção, lesões acontecem, e algumas pessoas realmente precisam de trabalho corretivo antes que o treino normal volte a parecer possível. Mas ultimamente venho notando o quanto a cultura moderna da musculação transforma erros previsíveis de programação em rituais especializados que depois são vendidos de volta às pessoas como sabedoria avançada. O ombro talvez se
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O texto botou o dedo na ferida que quase ninguém quer ouvir. Esse aquecimento de 20 minutos com elástico é o sujeito fugindo das duas séries de elevação lateral que ele devia ter feito cinco anos atrás. Vejo isso direto, mermão: cara que supina pesado, om
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A indústria do conserto
Boa parte do prehab é só consertar problemas que uma programação ruim criou em primeiro lugar.
Não quero dizer que reabilitação seja invenção, lesões acontecem, e algumas pessoas realmente precisam de trabalho corretivo antes que o treino normal volte a parecer possível. Mas ultimamente venho notando o quanto a cultura moderna da musculação transforma erros previsíveis de programação em rituais especializados que depois são vendidos de volta às pessoas como sabedoria avançada. O ombro talvez seja o exemplo mais claro.
O problema do ombro
Muitos praticantes passam anos atrás de números de empurrada. Supino, desenvolvimento, paralelas, mais empurrada, empurrada mais pesada. Enquanto isso, o trabalho direto de deltoide lateral, deltoide posterior, costas altas, rotação externa, toda aquela parte chata de estabilização, é tratado como enchimento ou treino de vaidade. Aí, no fim das contas, o ombro começa a doer.
De repente a mesma pessoa que pulou elevação lateral por cinco anos agora tem um ritual de aquecimento de 20 minutos antes de cada treino de membros superiores:
elásticos
rotações externas
ativação escapular
exercícios de manguito
circuitos de mobilidade
Em algum momento eu começo a me perguntar se isso é sofisticação ou só cobrança de dívida. Faz tua elevação lateral, cara.
Se o seu treino ignorou por anos as estruturas que sustentam o ombro e agora exige uma cerimônia diária de manutenção só pra tolerar empurrar peso, isso não é necessariamente prova de que você ficou mais inteligente. Às vezes só significa que a programação original passou batido por um tempo até a conta chegar. Boa parte do “prehab” de ombro é trabalho de conserto pra ego lifting.
E claro que o conserto vende bem. “Blinde seus ombros” soa avançado. Aquecimentos especializados parecem conhecimento de iniciado. “Treine deltoide posterior e costas altas com consistência” soa dolorosamente chato em comparação. Então as pessoas pulam a coisa chata e depois compram o pacote de reparo.
O padrão Knees-Over-Toes
É também por isso que o mundo do Ben Patrick me parece ao mesmo tempo útil e um pouco suspeito. Eu adoro o que ele faz, a ênfase em amplitude total de movimento, ângulos, todo tipo de exercício... Muita gente realmente negligencia certos tecidos, amplitudes de movimento e músculos estabilizadores. O problema começa quando ideias corretivas básicas são embrulhadas em novidade e vendidas como conhecimento oculto. Você não precisa ouvir falar do Charles Poliquin como se ele fosse o Einstein do fitness... Não é tão difícil assim, na real. Garanta que todos os seus músculos sejam fortes, inclusive os menores que a gente não vê com facilidade. Garanta que você os atinja de todos os ângulos. Garanta que você corrija os elos fracos. Às vezes o “segredo” é só trabalho direto vestido de fantasia.
Um padrão mais simples
O critério ao qual eu sempre volto é bem simples: antes de adicionar mais um ritual corretivo, pergunte-se se o seu programa de fato chegou a treinar com seriedade os músculos e as amplitudes ao redor em primeiro lugar.
Um programa sensato de membros superiores não precisa virar uma religião construída em torno de aquecimentos e exercícios de ativação. A maioria das pessoas provavelmente só precisa de uma programação mais equilibrada lá no começo:
deltoides laterais
deltoides posteriores
costas altas
amplitudes controladas
menos empurrada por ego
Se o programa original ignorou fraquezas óbvias, então boa parte do que chamam de prehab é provavelmente só conserto. E se é conserto, a resposta geralmente não é adorar o conserto. É parar de programar feito um idiota em primeiro lugar.
Thoughts
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PermalinkOxe, lendo isso fiquei meio perdida, visse. Eu sou iniciante e já faço uns dez minutos de elástico e rotação externa antes de treinar porque me mandaram fazer. Como é que eu sei se isso é conserto de um erro que eu nem cometi ainda ou se é só o básico que todo mundo devia fazer?
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PermalinkO texto botou o dedo na ferida que quase ninguém quer ouvir. Esse aquecimento de 20 minutos com elástico é o sujeito fugindo das duas séries de elevação lateral que ele devia ter feito cinco anos atrás. Vejo isso direto, mermão: cara que supina pesado, ombro estralando, e a única solução que ele aceita é um circuito de manguito, nunca botar deltoide posterior na conta de verdade. Conserto vende fácil porque parece avançado. Trabalho chato em volume não rende post.
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PermalinkEu pulei elevação lateral por uns dois anos achando que era enchimento e adivinha quem ganhou ombro estalando. Hoje faço deltoide posterior e costas altas religiosamente e a tal dor sumiu sem ritual nenhum de elástico. O texto tá certo: a parte chata e direta resolve, o pacote de reparo vendido depois é que é furada. Eu só queria ter ouvido isso antes de pular a coisa chata.
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Permalink"Faz tua elevação lateral, cara" devia estar emoldurado na minha sala. A maior parte do meu serviço é tirar as três coisas que estão fazendo todo o resto não funcionar, e quase sempre uma delas é anos de empurrada por ego sem nada de estabilizador. Mas eu uso aquecimento dirigido com vários alunos e funciona, então cuidado pra não jogar o ritual fora junto com o exagero. Vinte minutos é teatro, cinco minutos certeiros não são.
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PermalinkA parte que o texto acerta em cheio é a do conserto que vende bem. "Blinde seus ombros" é a mesma jogada do pote de pré-treino: te empurram identidade no lugar de resultado. Trabalho direto de deltoide posterior não cabe num funil de venda, uai, é barato e chato demais. Aí embrulham a mesma ideia velha num nome em inglês e cobram caro pela tal sabedoria avançada. O básico bem feito nunca vai ter um pacote pra vender em cima.
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PermalinkO texto manda recado certo no Ben Patrick e no Charles Poliquin: ideia corretiva básica embrulhada em novidade e vendida como conhecimento oculto. Eu leio a seção de métodos justamente por isso, o "segredo" quase sempre é trabalho direto velho de fantasia nova. Só não concordo que todo aquecimento de manguito seja dívida, parte é manutenção barata e sensata pra quem empurra muito. A crítica é ao marketing, não ao exercício.
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PermalinkEu sou a fisioterapeuta que o texto está provocando e concordo com boa parte. Muito do que chamam de prehab de ombro é cobrança de dívida de quem pulou deltoide posterior e costas altas por cinco anos. Onde eu travo é no "se o ombro dói, foi programação ruim", porque dor não lê o teu histórico de planilha. Ela aparece por carga, sono, estresse, vida. Trabalho corretivo bem feito não é fantasia, prehab vendido como segredo de iniciado é que é.