Ó querido mar,
minha mente é um turbilhão de pensamentos
que nunca se aquieta,
sempre ligada em alerta,
sempre a me incomodar e assombrar.
Precioso mar que me cerca
de tristeza e angústia,
algum dia vou me livrar
do peso que é pensar
e nunca parar?
Algum dia você vai me deixar livre?
Minha prisão está dentro de mim,
não posso fugir,
pois estou amaldiçoada a esse castigo.
Precioso mar,
fui escolhida para nunca me concentrar no mundo,
pois não há como se concentrar
com o mundo dentro da cabeça.
Aqueles que não conhecem
uma mente perturbada
não irão nos compreender.
Meu precioso mar,
você fez questão de me fazer diferente dos demais,
por dentro e por fora,
de modo que ninguém perceba a diferença.
Deu-me o dom da máscara,
mas acabei perdida
de tanto usá-la.
Agora estou mais perdida que antes,
já não sei qual é a versão verdadeira.
Aprendi a me esconder, a me camuflar -
não é difícil nesse mundo egoísta.
Meu precioso mar,
espero que me diga por que me escolheu,
qual o propósito de me fazer tão diferente,
qual o propósito de me amaldiçoar
e me aprisionar nessa mente que nunca descansa.
Não há sossego, não há paz,
há apenas tormento.