O poema trabalha uma palavra só: confusão. Mas olha como ela não é o mesmo ao longo do fio. Tem a confusão que te puxa pra fora da razão, depois a que volta de surpresa, depois a que vira culpa e indecisão. Ao fim, é uma criatura que não te deixa em paz.
Historicamente, "confusão" vem do latim confundere: juntar tudo junto num monte. Mas aí tá o detalhe. Você não está juntando tudo, você está tentando separar o que não consegue dividir. Razão de um lado, emoção do outro, mas a confusão vive no meio, recusando a separação que você pede pra ela. A palavra te engana porque faz parecer que é um bagunça uniforme. Não é. É um bagunço com estrutura.