Pequeno sempre fui. Fui?,Por ter pouca altura, me senti pequeno, mas algo em mim sempre quis ser grande. Não em altura, mas em alma. Eu queria me engrandecer o mais rápido possível. No início, apenas para me mostrar, para ser visto. Mas, quando compreendi o peso de ser visto e o quanto isso pode inspirar e despertar admiração, passei a enxergar tudo de outra forma.
Nunca vou esquecer o dia em que uma criança disse que queria ser igual a mim. Algo pequeno, talvez, mas, para mim, um garoto negro de 1,68 m, aquilo foi como uma virada de chave. Eu nunca havia me sentido daquela maneira e percebi que estava me tornando aquilo que nunca imaginei ser: uma inspiração.
Ser grande é fazer com que, cada vez que uma criança ou um adulto olhe para você, pense que quer ser como você. Mas não de forma invejosa ou mesquinha, e sim da maneira pura como aquele menino me disse naquele dia.
Ser grande é mostrar, todos os dias, que a grandeza não é um pedestal, mas uma construção. É mostrar que todos podem ser maiores do que imaginam ser, que ninguém precisa nascer extraordinário para se tornar alguém que inspire outras pessoas.
Que, no futuro, nossa pureza não se perca tão facilmente. Que mais crianças queiram ser como nós, não por aquilo que temos, mas por aquilo que somos. Que elas aprendam que ser grande não significa estar acima de ninguém, mas ajudar os outros a perceberem que também podem crescer.
Porque, no fim, ser grande nunca teve a ver com a altura do nosso corpo, mas com o tamanho daquilo que despertamos na alma de alguém.