"Há pessoas que nascem querendo pertencer ao mundo. Outras nascem sentindo que o mundo inteiro é pequeno demais para aquilo que carregam dentro de sí."
A menina de julho
Nasci no dia 27 de julho de 2005, em uma pequena cidade no Estado de Minas Gerais onde a vida parecia seguir o ritmo conhecido das coisas simples. As pessoas cresciam, trabalhavam, construíam suas famílias e, pouco a pouco aprendiam, a chamar de destino aquilo que haviam se acostumado a viver.
Mas havia algo naquela menina que, mesmo antes de ela saber explicar, parecia resistir a ideia de que a vida precisava seguir um único caminho.
Ela crescia ouvindo conselhos, observando pessoas, conhecendo despedidas e descobrindo que nem todo lugar capaz de abrigar seu corpo seria capaz de compreender sua mente.
Ela não queria apenas existir.
Queria conhecer.
Queria entender o mundo, aprender idiomas que lhe permitissem conversar com pessoas de lugares distantes, atravessar fronteiras e descobrir se, em algum canto do planeta, existia uma vida que combinasse melhor com aquilo que ela sentia por dentro.
Ainda não sabia como chegaria lá. Não possuía todas as respostas, tampouco um mapa confiável.
Mas tinha perguntas demais para passar a vida inteira no mesmo lugar.
E algumas perguntas, quando uma pessoa as carrega por muitos tempo, acabam se transformando em caminhos...