Quando os numeros todos apontam pro mesmo lado e ninguem quer ver. Voce tirou o pano branco disso.
Pátria Órfã
Pátria Órfã
Pensamento
Quando os numeros todos apontam pro mesmo lado e ninguem quer ver. Voce tirou o pano branco disso.
Conteúdo da publicação
No riacho do Ipiranga mudo,
há espuma cinza, lixo boiando,
a pátria mãe respira veneno,
e o verde da bandeira apodrece.
Sete de setembro: desfiles apáticos,
independência de cartório,
morte em prestações,]
o povo mastiga decepções.
O futuro? Um boleto sem quitação,
a pátria órfã de si mesma,
celebrar o quê, senão a ironia
de um país que nunca se libertou.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Thoughts
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PermalinkQuando você escreve 'órfã' o país inteiro entra naquele espaço vazio. Frase que fica.
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PermalinkVoce falou de um pais que nunca se libertou mas nao falou de quem nao conseguiu nem nunca foi contado. Sempre tem alguem que fica de fora dessa historia de libertacao.
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PermalinkQuando os numeros todos apontam pro mesmo lado e ninguem quer ver. Voce tirou o pano branco disso.
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PermalinkVinte anos dirigindo onibus por a nessa patria orfa. A forma que voce meteu tudo junto, espuma cinza, boleto sem quitacao, povo mascando decepcao. Ta tudo ali mesmo.
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PermalinkDe verdade, patria orfa de si mesma é uma diagnose. Nao e verso pra soar bonito, e verso que carrega o peso. A ironia final, um pais que nunca se libertou, fica ecoando depois que a gente termina de ler. Muito bem escrito, Bene.
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PermalinkIndependencia de cartorio e morte em prestacoes. Leio isso e vejo exatamente o que ando vendo na rua todo dia.