Pássaro solto no inferno congelado
Encontrou os demônios e aprendeu a falar com eles
Aprendeu tudo que não devia
Prometeu que resistiria
Mas não voltou porque a morte sempre anda ao lado dele
Sua inocência é tão pura
Mas o medo o acumula
Sua vida nunca terá cura
E se procurar não irá achar coisa alguma
Assuma os erros da sua alma tão madura
Conheceu a Inveja que só faz tudo de errado
Entendeu que o Amor é só mais um dos seus pecados
Relembrou que já havia visto todos no passado
Ele não queria voar
Quis todos perdoar
Mas não conseguia andar
O frio ia sufocando
Ele não tinha nem mais ar
A morte quis o abraçar
Mas lembrou de sua promessa
Eu vou enriquecer a beça
Eu nem falo de dinheiro
Falo de quem tá comigo
Por enquanto é só eu
Mas eu vou encontrar amigos
Os demônios eu conheço
Com eles eu me compadeço
Mas o inferno não é meu lar
Ele é só uma parada
Eu vou buscar a minha casa
Eu vou atrás do que me agrada
E se não tiver eu construo
Eu já nasci sem nada
Pior que isso eu não saio
Essa é a graça da piada
Essa é a graça da minha vida
Eu rio perante a desgraça
(Eu não vou deixar ela ter a última palavra)
Eu não sei nem pra onde vou
Mas o futuro me aguarda
A nossa alma se separa
O nosso corpo se entrelaça
Eu te amo mais do que tudo (e me amo menos que nada)
Eu nem quero chegar no céu
Se eu tiver um gato tá pago
O tempo (só acelera)
E eu vivo (no anonimato)
De mim todo mundo espera
E a cada ano eu fico mais chato
Talvez eu deva aceitar aquele abraço
Talvez eu deva limitar o meu espaço