Colisão
Um olhar de socorro, um pedido silencioso de ajuda, cruzou o meu em um corredor semiluminado. Algumas pessoas passavam e, ao sair da sala, deparei-me com a visão solitária de um ser perdido, à procura de um ombro.
Enquanto suas palavras eram derramadas naquele espaço, o sorriso contradizia o peso do que dizia, palavras carregadas de agonia.
Parei e percebi a agonia silenciosa de um pedido solitário de ajuda. Um sentimento pesado tomou conta daquele espaço, onde seu peito parecia rasgado e sua alma, dilacerada, carregada de culpa e solidão.
A dor atravessou minha existência ao ouvir o desabafo de quem, em meio à própria angústia, revelava o sofrimento de reconhecer a dependência.
A culpa, aliviada por palavras que acolheram, trouxe àquela existência o retorno de um sonho perdido, a lembrança de um presente que não foi recebido e a consciência de uma vida que começava a perceber o que estava perdendo.
Fui atravessada por uma dor inimaginável e, naquele instante, reconheci a humanidade que ainda existe na capacidade de acolher quem está ferido.
Eliete Souza 21-10-2026