O copo na mesa do bar
Balançando sem parar
Derrama seu liquido em mim,
Uma correnteza inquieta.
Tremores de almas perturbadas
Ansiando pra serem ceifadas
Chacoalham a morte,
E por medo ela foge pro além
— perto de tantos, estou sem ninguém.
Há muito anoiteceu,
As noites de boêmia
Trazem vida ao céu,
Os padrões das estrelas
Moldam uma jarra de mel,
Banhando meus mortos olhos
Com uma doce ilusão.
Demasiadamente intensa a clareira
Que incendeia a visão,
uma fogueira onde afogo
Quem almejava ser.
O desespero Devorou a esperança
De todo o meu ser
Naquele beijo salpicado,
Naquela sádica solidão.
Cambaleio pela estrada
Do hospício, meu grande leito,
Tempos de redenção
São meras distorções
Em minha memória.
Defronte aos feitos de heróis
É uma tragédia a minha historia.
Diante de histórias de heróis
Está minha vida...
Lugubre escória.