"Estou te dizendo: ele foi à padaria, comprou requeijão e ovos e, na hora de pagar, deu um tiro no atendente e logo depois na própria cabeça. Por que ele faria isso? Eu não sei, dizem que ele era doido, que bebia sangue de galinha e só comia ovos podres."
Os dois homens comentavam achando engraçado, enquanto um garoto, que se cobria em suas roupas de segunda mão, ouvia atento sobre Albert. Albert era um homem negro, alto, tão magro que ventos o tiravam do lugar, porém forte como um touro. É estranho que um homem alto e magro, porém forte e robusto, atirasse em uma atendente por causa de ovos e requeijão. Na verdade, Albert olhava para o sol todos os dias, mesmo que doesse, pensando que a vida era lisa, porém podia ser melhor, e simplesmente escolheu a padaria, os ovos e o requeijão. Ele explodiu a cabeça de quem entendeu merecer e, é claro, a dele próprio.
O garoto olhava aquele homem, um Albert pré-loucura de quase dois metros, olhando para o sol, e ficava pensando o que esse homem via além de uma luz intensa. Foi perguntar para ele, e a conversa foi essa:
— O que olha tanto? É só a luz.
Ele respondeu:
— Na verdade, acho que é minha alma