A rachadura não é obstáculo,
A raiz não é fundamento,
O relógio não é tic tac,
Ambição não é talento.
A rachadura não é obstáculo,
A raiz não é fundamento,
O relógio não é tic tac,
Ambição não é talento.
O último verso eu assinava embaixo, tchê. Já o da raiz me deixou com o pé atrás: raiz é justamente o que segura quando o resto balança.
O relógio que não é tic tac ficou na minha cabeça o dia todo, eu vivo confundindo uma coisa com o barulho que ela faz. O tempo passa igual num relógio digital, sem som nenhum, e talvez por isso assuste mais. Quatro linhas e cada uma desmonta uma ideia pronta, gosto que isso venha com um título seco como Fato.
Na madrugada, a consciência desperta,
passo de veludo
Tudo parece uma memória de distantes dias em que o prazer pela, ar infunde a nossos inspiros unissonamente enquanto um balanço de galhos transfunde à paisagem da tarde numa fotografia em sépia.
Realidade. Único roteiro que a vida segue.
No mar da vida virei peixe, quase sereia, borbulhando na esperança.
Reconhecer um defeito pessoal é ter certeza de que a vida é feita de nós, cada um com uma ponta a ser solta.
A vida é uma colcha de retalhos: alegre, colorida, macia e cheia de quadradinhos para escrever novas histórias.
O sol deitou-se em meu coração. No aguardo do arco-íris, bocejamos aconchego.
A rachadura não é o obstáculo,