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Orçamentos maiores destroem as séries de TV em vez de melhorá-las?

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Parte da fantasia mais cara já colocada na tela pareceu mais vazia do que os trabalhos mais limitados que vieram antes. Isso não é porque os espectadores secretamente preferem o barateamento. É porque a abundância é um substituto péssimo para o bom senso e a boa narrativa.

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Parte da fantasia mais cara já colocada na tela pareceu mais vazia do que os trabalhos mais limitados que vieram antes. Isso não é porque os espectadores secretamente preferem o barateamento. É porque a abundância é um substituto péssimo para o bom senso e a boa narrativa

As primeiras temporadas de Game of Thrones tinham algum dinheiro, mas também tinham limites. As cenas tinham que fazer o enredo avançar e eram, em sua maioria, voltadas para os personagens. Eram basicamente discussões entre personagens, com poucas cenas de ação, poucas batalhas (nenhuma na primeira temporada, na verdade) e, em geral, mostrando pistas sutis do que estava acontecendo. Mas eles se concentravam no enredo; os próprios livros forneciam essa substância. As temporadas posteriores cada vez mais pareciam uma produção que acreditava que a escala em si conseguia carregar peso emocional. Vieram batalhas maiores. Veio mais energia de espetáculo. A sensação de história ficou mais rala. As decisões eram burras.

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Ainda não me cabe na cabeça que isso foi aprovado. Cavalaria na frente da artilharia, na frente da infantaria, na frente da muralha... Será que o D&D nunca jogou um jogo de estratégia? Enfim

Essa é a lição útil. A restrição não cria talento por mágica. O orçamento não precisa ser a restrição, mas ajuda. Ele força a priorização e torna mais difícil esconder o bom senso fraco. Se você não consegue gastar para se livrar de uma cena fraca, você tem que decidir do que o trabalho de fato depende. É uma história sobre pessoas, motivos, traição, anseio, medo e custo? Você não pode simplesmente recorrer a CGI com batalhas e ação legais para fazer o espectador sentir alguma coisa.

A abundância muda a tentação. Quando você pode inundar a tela com escala, fica mais fácil parar de resolver os problemas mais difíceis pensando. Você começa só a jogar dinheiro nos problemas, mais CGI, mais atores, cenários melhores. Cenas fracas são encobertas com movimento. A motivação rasa dos personagens é soterrada sob o ímpeto. O público pode até se sentir estimulado, mas estímulo não é a mesma coisa que confiança dramática. Um trabalho começa a parecer caro justamente quando ele já não confia no próprio núcleo humano.

É por isso que uma fantasia menor pode parecer mais saudável. Quando uma série não pode se apoiar em clímax constante, o diálogo tem que importar. Os personagens conduzem a série, não as cenas de ação. Um cômodo, um figurino ou um silêncio têm que ser muito bem pensados antes de serem feitos, então muito detalhe é colocado neles. A questão não é que orçamentos baixos sejam mais puros; eles também podem ser bem ruins. A questão é que os limites expõem se os criadores sabem o que importa quando a maquinaria não pode salvá-los.

Dá para ver isso no próprio universo de Game of Thrones. Depois de não aprender uma única coisa com o final horrível de GOT, a HBO decidiu jogar ainda mais dinheiro para fazer uma série com ainda mais dragões e ainda MAIS CGI. Nem é preciso dizer que os fãs não se impressionaram e o fandom está quase desistindo de ASOIAF

Até que...

A Knight of the Seven Kingdoms. Se você não assistiu, assista. É incrível. Tão curta, poucos episódios, e todos eles cheios de detalhe. Os atores são muito apaixonados pelos seus papéis, e quase nenhum deles é famoso (Bertie Carvel sendo uma exceção).

O enredo faz sentido, os personagens fazem sentido, as poucas cenas de luta são MUITO MUITO bem pensadas, as armaduras e armas fazem sentido... Tudo é ótimo. E faz você sentir alguma coisa, faz você se sentir comovido e inspirado.

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Levante-se, cavaleiro, é hora de assistir A Knight of the Seven Kingdoms, se você ainda não assistiu

Conclusão

Eu não sou pago pelo departamento de relações públicas de A Knight of the Seven Kingdoms. Quem dera, já que estou fazendo isso de graça. Mas, comparada às últimas temporadas de GOT e a toda a House of the Dragon, ela foi uma surpresa muito agradável. Mostra a grandeza que pode ser alcançada com menos orçamento quando você foca em boa narrativa e em personagens. Mostra o que os dramaturgos já sabiam desde os tempos gregos. Que a história e os personagens são a chave. Não o CGI, não a ação.

Thoughts

  • tudo_vira_meme

    mano isso aqui virou template e ninguém reparou:

    problema: o roteiro tá raso executivo da HBO: e se a gente botasse mais um dragão?

    literalmente a mesma cena toda temporada kkkk. o molde já diz em duas linhas o que a série passou vinte episódios sem querer admitir, que escala não é o mesmo que ter o que contar.

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  • palhaco_consciente

    oxe, o cara fez o RP de A Knight of the Seven Kingdoms de graça e ainda por cima tá certo, isso é arretado. mas o massa é que o exemplo que ele acha que prova a tese seja justo o mais baratinho da prateleira. todo mundo defende escala até aparecer uma coisinha pequena, bem pensada, que faz sentir mais que tres dragão junto. aí de repente ninguém quer falar que foi o orçamento, visse.

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  • por_tras_do_veu

    O argumento confunde correlação com causa. Não é o orçamento que estraga, é a perda do material-fonte: as boas temporadas de GOT tinham os livros do Martin pra adaptar e as ruins não tinham mais. A restrição financeira ajuda, concedo, mas A Knight of the Seven Kingdoms também tem texto pronto por baixo. O texto credita ao orçamento o que pertence ao roteiro existir antes da câmera ligar.

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  • so_de_passagem

    uai, e as séries caras que continuaram boas, sô? Tem produção que gastou cada vez mais e não desandou por causa do dinheiro, desandou foi quando esticaram o trem muito além do que tinha pra contar. será que não é menos o orçamento e mais a hora de saber parar?

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  • economia_no_sentimento

    HBO aprendeu zero com o final de GOT e respondeu colocando mais dragão e mais CGI, bah. é tipo apagar incêndio jogando gasolina e filmando em 4K

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  • perito_de_furos

    A legenda da imagem acerta o sintoma exato: cavalaria carregando na frente da própria artilharia e da infantaria, com a muralha atrás. Não é estilo, é a cena que prova a tese, gastaram em espetáculo e esqueceram que alguém tinha que pensar a batalha. Quando o orçamento some, o furo de lógica aparece porque não dá pra cobrir com movimento. A planilha de incoerência de GOT tardio é longa, e quase toda ela é dinheiro mal gasto.

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  • legista_da_terceira_temporada

    É a minha tese de sempre dita com outras palavras: a série morre quando o dinheiro entra. As primeiras temporadas de Game of Thrones tinham limite e por isso tinham conversa, intriga, gente decidindo coisa numa sala. Depois viraram tela cheia de CGI sem ninguém pra ocupar. Tenho as primeiras em disco e me recuso a rever o resto por princípio. O texto está certo, escala não carrega peso emocional, só esconde a falta dele.

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