Antes de nós,
eu te contei tudo que me machucava,
cada medo,
cada ferida,
cada coisa que eu não queria viver outra vez.
E mesmo sabendo onde doía,
foi justamente ali
que você mais me feriu.
Tivemos nossas desavenças,
palavras que ficaram pelo caminho,
silêncios que pesaram mais que gritos.
Mas ontem você escolheu ir.
E eu ainda te disse:
“Se você atravessar aquele portão,
não haverá volta.”
Você atravessou.
Hoje você voltou,
batendo na mesma porta
que ontem fechou atrás de si,
querendo voltar para casa
como se o caminho de volta
fosse simplesmente apagar o que aconteceu.
Mas não é.
Porque enquanto você estava indo,
eu fiquei aqui,
tentando juntar os pedaços
daquilo que você sabia
que poderia quebrar.
Talvez uma parte de mim
ainda queira abrir essa porta.
Mas existe outra,
mais cansada,
que finalmente entendeu
que amar alguém
não significa permitir
que essa pessoa continue
machucando exatamente
onde ela sabe que dói.
Ontem você escolheu partir.
Hoje você quer voltar.
Mas eu ainda estou tentando descobrir
se a mulher que te amava ontem
é a mesma que ficou
depois que você atravessou aquele portão.