Dia Dos Avós.
Dizem que o tempo ameniza a saudade,
mas existem ausências
que aprendem a morar dentro da gente.
Perder uma avó
é perder um pedaço da infância,
o cheiro do café passado,
o abraço que fazia qualquer dor parecer pequena,
as mãos que carregavam rugas,
mas também carregavam o mundo.
No Dia dos Avós,
há quem tenha flores para entregar.
Há quem tenha telefonemas para fazer.
E há quem olhe para o céu,
na esperança de que o amor encontre um caminho
entre as estrelas.
Porque o luto nunca foi a falta de amor.
É justamente o contrário:
é o amor que ficou,
sem ter onde repousar.
Minha avó não caminha mais por esta casa,
mas ainda vive nas receitas repetidas,
nas palavras que escapam da minha boca
sem que eu perceba,
nos gestos que herdei,
na força que ela deixou.
A saudade pesa.
Às vezes aperta o peito sem avisar.
Mas, se existe algo que a morte não alcança,
é aquilo que foi plantado com amor.
Hoje não posso abraçá-la.
Não posso ouvir sua voz.
Não posso dizer "feliz Dia dos Avós".
Então eu digo em silêncio:
Obrigada por ter sido lar.
Obrigada por ter sido colo.
Obrigada por existir em mim,
mesmo depois da despedida.
Porque algumas pessoas partem da Terra,
mas nunca partem do coração.
EntreAsTrêsMarias.